Em um momento de Criação, Charles Darwin, interpretado por Paul Bettany, revela seu receio em lançar sua polêmica obra sobre a origem das espécies: “Imagine que o mundo pare de acreditar que Deus tem algum plano para nós. Não há punição, recompensa… É tudo apenas um jogo de sobrevivência.” Com esse tipo de discurso reflexivo – com o auxílio de diálogos afiados como este citado ou de sonhos simbólicos -, o longa discorre não só sobre o processo da produção do livro, como também sobre todas as implicações que houve na sua vida pessoal.

O filme pode até perder um pouco de ritmo por causa de sua edição que cansa por querer mostrar-se moderna e “ousada”, mas as atuações polarizadas de Bettany, como um cético, e Jennifer Connely, como sua esposa católica, conseguem segurar a produção de um cansaço constante. Merece uma conferida.

Criação
Creation, Inglaterra, 2009, drama, 108 min.
De Jon Amiel. Com Paul Bettany, Jennifer Connely, Jeremy Northam e Toby Jones.