Os dois lados do crime (O Gângster)

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O GÂNGSTER    { 3estrelas.jpg }

Se há duas qualidades que eu prezo muito no meio cinematográfico é estabilidade dos atores e diretores em apresentar bons projetos, e a versatilidade que eles mostram no decorrer de sua filmografia. Pareceu então difícil assistir a um filme do instável Ridley Scott (dos terríveis Um Bom Ano, Cruzada e Os Vigaristas) e do limitado Denzel Washington (dos policiais Déjà Vu, O Plano Perfeito e Sob o Domínio do Mal).

Foi com muita surpresa quando me vi aprovando o novo longa da dupla, O Gângster. A produção conta a história da ascensão de Frank Lucas (Washington), um negro que resolve iniciar um novo negócio deslocando enormes quantidades de drogas puras na Tailândia em plena Guerra do Vietnã. Porém seu sucesso começa a chamar atenção e o detetive Richie Roberts e sua equipe se empenham na tarefa de prender o traficante.

O roteiro de Zaillian é consistente e por vezes chama a atenção do espectador (interessante a ironia que o filme apresenta ao mostrar em que parte do avião militar a droga era escondida: dentro dos caixões, destino que muito dos usuários terão futuramente). No entanto, ele se entrega algumas vezes aos clichês do gênero, como a disputa pela guarda do filho de Richie, completamente dispensável para a narrativa. O terço final do filme, aliás, é responsável por minar boa parte do potencial do filme. Ao criar uma redenção tão abrupta para Frank, o roteiro cai na mesmice e perde seu diferencial até então.

Contudo, o maior ponto positivo do filme se concentra nas atuações do elenco. Washington está ótimo em cena. A empatia que o ator insere em Frank é impressionante. Mesmo quando o personagem comete assassinatos a sangue frio, seu carisma mantém o público do seu lado fazendo-o perdoar suas atrocidades. Crowe também está bem em cena, mas o seu personagem mal escrito acaba atrapalhando na sua composição. Entre os coadjuvantes se destacam Chiwetel Ejiofor e Josh Brolin. Ruby Dee, em uma atuação apenas correta, acaba ganhando elogios exagerados com sua indicação ao Oscar.

O Gângster resulta, portanto, em um exemplar do gênero policial acima da média. Mas com um pouco mais de ousadia poderia ter sido melhor. Parece que o lema do Frank em “não chamar muita atenção” foi levado ao pé da letra.

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0-oscar.jpg   2 INDICAÇÕES:
 – Atriz Coadjuvante (Ruby Dee)
– Direção de Arte 

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3 comentários

  1. Realmente não gostei desse filme, achei muito datado. Na verdade eu acho o Scott um diretor bem fraco, portanto não foi surpresa alguma ver que esse filme não prestava. E o terço final é péssimo mesmo, ‘graças’ ao roteiro do Steven Zaillian. E não gostei do Washington, acho que tem seu pior desempenho aqui – até nessas fitas policiais que você citou ele está melhor.

  2. Marco, minha ressalva é exatamente a sua! Achei o final extremamente implausível e forçado. Simplesmente não me convenceu. De resto, acho um filmaço. Atores, direção, roteiro, parte técnica, tudo um primor.

    4 estrelas.

    Ciao!

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