Comentários do Oscar

Antes de tudo, gostaria de explicar o porquê não estive aqui publicando as minhas apostas antes. A explicação é muito simples: a minha internet fez favor de cair neste Domingo, logo não pude participar de outros dois bolões que queria estar (um criado pelo Vinícius e o Fábio, e um outro idealizado pelo Alex). Minha mãe já dizia pra não deixar pra fazer as coisas por último, pra lembrar sempre que há imprevistos… Bem, mãe nunca erra, né? Enfim…

 Primeiro, vou falar um pouco sobre a cerimônia em si. Para uma octagésima edição a festa foi muito aquém do esperado. Aliás, me arrisco a dizer que foi o pior ano de todas as edições (vencendo apenas da edição de 2004, a primeira que assisti). Não houve nenhum clipe que empolgasse ou trouxesse mais ânimo para os espectadores. Aliás, se não me engano, com a exceção dos clipes que relembram antigos vencedores (que existem a pencas no You Tube, diga-se de passagem), não houveram outros clipes. Além disso, os paresentadores pareceram ter dificuldades em ler o teleprompter, como Jennifer Garner, Jennifer Hudson, Owen Wilson e Hilary Swank. Sem mencionar que se antes a qualidade dos textos não eram boas, ontem ela chegaram num nível deprimente (contando com uma péssima “atuação” de Dwayne “The Rock” Johnes), o que só me faz lembrar que a presença dos roteiristas no Oscar é mais do que desnecessária. Outro ponto negativo é a própria presença de apresentadores como Miley “Hannah Montana” Cyrus e o próprio The Rock. Patrick Dempsey até dá para relevar, mas essa tática da Academia de atrair um público mais jovem é simplesmente terrível. Vale a pena lembrar que até nos aspectos técnicos essa cerimônia pecou: o aúdio que anunciava as próximas categorias a serem anunciadas não estava na altura certa. Se não fosse por Jon Stewart, melhor que os últimos apresentadores, a festa seria ainda pior.

Quanto a distribuições de prêmios, entretanto, o Oscar apresentou outro resultado. Onde os Fracos Não Têm Vez foi o melhor da noite em 4 categorias: Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante para Javier Bardem. Daniel Day Lewis deu o prêmio de Ator para Sangue Negro, que também acumulou o prêmio de Fotografia. Tilda Swinton ganhou a estatueta de Atriz Coadjuvante, enquanto que Marion Cotillard saiu vitoriosa por Piaf – Um Hino ao Amor, que arrebatou também a categoria de Maquiagem.

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Daniel Day-Lewis, Tilda Swinton, Marion Cotillard e Javier Bardem: europeus na América

Segue abaixo uma lista dos vencedores, juntos com as minhas apostas e o qual seria o meu voto com um breve comentário. Aliás, de acordo com as apostas do único bolão que pude participar a tempo,  tive um saldo final de 17 acertos em 24 categorias (inferior que a do ano passado, a minha melhor: acertei 18 em 24). Não fui tão mal, considerando que essa foi uma das edições que menos assisti os filmes indicados (apenas 16 de 34).

[filme]

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quem venceu: Onde os Fracos Não Têm Vez
em quem apostei: Onde os Fracos Não Têm Vez
quem merecia: Sangue Negro

 Nenhuma surpresa nessa categoria. Após ganhar todos os prêmios importantes da temporada, os irmãos Coen agora já podem ser considerados vencedores do prêmio máximo da Academia. Entretanto, esse não seria o meu voto. Pessoalmente, prefiro Sangue Negro de Paul Thomas Anderson, considerado por muitos críticos como um novo Cidadão Kane. O longa dos Coen seria apenas a minha segunda escolha.

 

[diretor]

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quem venceu: Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
em quem apostei: Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
quem merecia: Paul Thomas Anderson (Sangue Negro)

 Também nenhuma surpresa para a categoria de Direção. Os irmãos Coen confirmaram favoritismo e levaram o seu segundo Oscar da noite (sendo o de Roteiro Adaptado o primeiro). Apesar de também achar esse trabalho o melhor de suas carreiras, considero o trabalho de Paul Thomas Anderson em Sangue Negro mais maduro, melhor trabalhado, mais digno do prêmio. Sem contar que também é o melhor de sua filmografia.

[ator]

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quem venceu: Daniel Day Lewis (Sangue Negro)
em quem apostei: Daniel Day Lewis (Sangue Negro)
quem merecia: Daniel Day Lewis (Sangue Negro)

 O fenomenal trabalho de Daniel Day-Lewis não poderia ser rejeitado. O ator não poderia sofrer do mesmo que o ocorreu em 2003, quando venceu todos os prêmios precurssores e perdeu a estatueta para Adrien Brody. Esse ano não houve ator nenhum que pudesse superar ou ofuscar a performance de Day-Lewis.

[atriz]

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quem venceu: Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)
em quem apostei: Julie Christie (Longe Dela)
quem merecia: Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

 No melhor momento da noite, Marion Cotillard supera as minhas expectativas e consegue sair vitoriosa na minha categoria favorita. Não que Julie Christie esteja ruim em Longe Dela, mas é apenas uma boa atuação, nada além disso. Não chega nem perto do fenomenal trabalho de Cotillard como a diva francesa Edith Piaf. Uma das vitórias mais justas da noite!

[ator coadjuvante]

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quem venceu: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
em quem apostei: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
quem merecia: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)

 É impossível negar o talento de Javier Bardem, que já nos havia presentado excelentes atuações em Antes do Anoitecer e Mar Adentro. Embora ele não apresente a melhor atuação entre os indicados (acredito que esse seja Casey Affleck), é o melhor ator entre os indicados e o que tem menos chances de retornar, já que não há muitos bons papéis para latinos no cinema americana.

[atriz coadjuvante]

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quem venceu: Tilda Swinton (Conduta de Risco)
em quem apostei: Tilda Swinton (Conduta de Risco)
quem merecia: Saoirse Ronan (Desejo e Reparação)

 Na categoria mais disputada de todas (tão competitiva quanto a de Fotografia) , Tilda Swinton foi quem se deu melhor. Embora Ruby Dee tenha sido uma forte candidata, acreditei que a vontade de premiar Conduta de Risco em algum lugar fosse falar mais alto. Embora Cate Blanchett e Amy Ryan tenham ganhado o aval do Globo de Ouro e da crítica, já as havia descartado como possibilidades. Quem levaria meu voto, entretanto, seria a pequena e talentosa Saoirse Ronan, perfeita como Briony, uma das personagens mais bem construídas que já vi.

[roteiro original]

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quem venceu: Juno
em quem apostei: Juno
quem merecia: Ratatouille

 A sensação Diablo Cody garantiu sua vitória, embora não tenha apresentado um terço da sua genialidade no seu discurso de agradecimento. Embora goste muito do roteiro de Juno, eu acabaria votando na adorável história de Brad Bird. Embora eu teria que assistir todos os indicados porque a história de A Família Savage e Lars and the Real Girl parecem ser do tipo que costumo gostar. 

[roteiro adaptado]

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quem venceu: Onde os Fracos Não Têm Vez
em quem apostei: Onde os Fracos Não Têm Vez
quem merecia: Desejo e Reparação

 Como eu não li os materiais originais em que os filmes são baseados, votaria apenas naquele que li, Desejo e Reparação. Mas acredito que meu voto se dividiria entre Onde os Fracos Não Têm Vez, que dizem ter um estilo parecido com o dos irmãos Coen, e Sangue Negro. O conto de Longe Dela também dizem ser bem adaptado.

[fotografia]

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quem venceu: Sangue Negro
em quem apostei: Sangue Negro
quem merecia: O Assassinato de Jesse James

 Embora ache o feito de Robert Elswitt em Sangue Negro brilhante, ainda acho que o melhor é o de Roger Deakins em Jesse James. Aliás, todos os candidatos estão com ótimos trabalhos este ano, tornando a decisão muito difícil. Mas acho triste que cenas lindas e perfeitas como essas sejam esquecidas em várias premiações. 

[direção de arte]

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quem venceu: Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
em quem apostei: Sangue Negro
quem merecia: Sangue Negro

 Dante Ferreti saiu vencedor mais uma vez graças ao seu trabalho com Tim Burton. Embora tenha achado um bom candidato, acho que não consegue ser superior ao trabalho de Jack Fisk em Sangue Negro, ou até mesmo ao de Sarah Greenwood em Desejo e Reparação.

[figurino]

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quem venceu: Elizabeth – A Era de Ouro
em quem apostei: Desejo e Reparação
quem merecia: Desejo e Reparação

 Provavelmente, a vitória mais injusta da noite. Como o belíssimo figurino de Jaqueline Durran conseguiu perder para o de Rose Byrne? Tá certo que os figurinos do épico de Blanchett são bonitos, mas como pode o vestido verde de Keira Knightley ser inferior a Cate Blanchett de armadura? Só a roupa de Keira na fonte já valeria a estatueta.

[maquiagem]

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quem venceu: Piaf – Um Hino ao Amor
em quem apostei: Piaf – Um Hino ao Amor
quem merecia: Piaf – Um Hino ao Amor

 Não tinha como Piaf não vencer. Se não fosse esse magnífico trabalho, a atuação de Marion Cottilard talvez não fosse a mesma. Piaf não podia perder para o bom trabalho de Norbit, mas num péssimo filme, ou para a notável maquiagem de Piratas, bastante retocada em CGI.

[efeitos visuais]

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quem venceu: A Bússola de Ouro
em quem apostei: Transformers
quem merecia: Piratas do Caribe: No Fim do Mundo

 A verdadeira surpresa da noite, ninguém previa essa vitória de A Bússola de Ouro. Quem diria que os robôs de Transformers e as criaturas do mar de Piratas do Caribe perderiam para um simples urso? Uma pena que tenha ganho justamente o trabalho menos impressivo e o que será menos lembrado futuramente.

[filme estrangeiro]

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quem venceu: The Counterfeiters
em quem apostei: The Counterfeiters

 Jogada ao marasmo devido as esnobadas de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Persépolis e até mesmo O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, o vencedor dessa categoria não poderia dar outro senão o favorito The Counterfeiters, cuja presença na lista era dada desde a primeira previsão. Com a “concorrência” fora do caminho, a Áustria sagrou-se campeã. Como não vi nenhum dos indicados, dispenso em quem votaria.

[filme de animação]

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quem venceu: Ratatouille
em quem apostei: Ratatouille
quem merecia: Ratatouille

 Depois de se proclamar como o filme com as melhores críticas do ano, Ratatouille garantiu sua barbada nesta categoria. Não tinha espaço para outro filme senão o ratinho cozinheiro de Brad Bird.

[montagem]

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quem venceu: O Ultimato Bourne
em quem apostei: O Ultimato Bourne
quem merecia: O Ultimato Bourne

 Que bom ver O Ultimato Bourne ser reconhecido pela Academia depois de muito tempo. A montagem da terceira parte da trilogia é um primor à parte. Embora os outros indicados também tenham boas edições, principalmente a de Na Natureza Selvagem, uma das melhores coisas do filme, eu acabaria fazendo a mesma escolha que a Academia.

[mixagem de som]

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quem venceu: O Ultimato Bourne
em quem apostei: Transformers
quem merecia: Transformers

 Apesar de achar a mixagem de som de O Ultimato Bourne uma das melhores do ano, eu daria a vtória logo para Greg Russel e Kevin O’Connell, porque esse discurso de que eles precisam logo de um Oscar depois de 20 indicações, já está me incomodando. Agora só de saber que eles estarão de volta a disputa depois de algum tempo para ouvir a mesma ladainha de sempre, posso dizer que seria muito melhor se a dupla tivesse vencido. Já que até o trabalho deles são merecedores do prêmio.

[edição de som]

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quem venceu: O Ultimato Bourne
em quem apostei: Onde os Fracos Não Têm Vez
quem merecia: O Ultimato Bourne

 Uma surpresa que Ultimato Bourne ganhou apoio da Academia em todas as categorias as quais foi indicado. Sinal de que estavam esperando chegar o último capítulo da trilogia para premiaá-lo? Não sei. Mas que foi bom vê-lo vitorioso ainda que nas categorias técnicas foi.

[trilha sonora]

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quem venceu: Desejo e Reparação
em quem apostei: Desejo e Reparação
quem merecia: Desejo e Reparação

 Após a sua belíssima composição da trilha do longa de Joe Wright era certo que o compositor Dario Marianelli fosse sair vencedor desta categoria. Embora seja o melhor candidato entre os indicados ainda é inferior a interessantíssima trilha de Sangue Negro, que não pode ser indicada. Pobre Johnny Greenwood.

[canção original]

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quem venceu: “Falling Slowly” de Once
em quem apostei: “Falling Slowly” de Once
quem merecia: “Falling Slowly” de Once

 Não foi muito difícil adivinhar que o musical Once fosse acabar ganhando a sua única indicação na festa e que Encantada fosse repetir o feito de Dreamgirls ano passado. A vitória de Once representa a vitória do cinema independente e a vitória da melhor música de fato esnobada tanto no Globo de Ouro, quanto no Grammy. Merecidíssimo!

[documentário]

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quem venceu: Taxi To The Dark Side
em quem apostei: Taxi To The Dark Side

 Como não vi nenhum dos indicados, não poderia dizer com muita certeza qual indicado merecia. Taxi to the Dark Side, no entanto, além de ser o favorito, era um dos poucos a tocar num dos assuntos que o próprio EUA não deixa de tocar, a violência no Iraque. Esse ano, Michael Moore teve que se contentar a apenas assistir a cerimônia sem subir ao palco.

[documentário em curta-metragem]

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quem venceu: Freeheld
em quem apostei: Freeheld

 Novamente, não vi nenhum dos indicados. Aparentemente, a história sobre a Tenente Laurel Hesting que está morrendo e entra na justiça para que seus bens sejam legalmente passados a sua parceira Stacie foi o grande vitorioso. “Obrigada por botá-lo no circuito e fazê-lo acontecer” agradeceram as responsáveis. Uma pena que essas obras ainda sejam tão inacessíveis.

[curta-metragem]

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quem venceu: Le Mozart des Pickpockets
em quem apostei: Le Mozart des Pickpockets

 Assim como nas outras categorias, não consegui assistir nenhum dos indicados. O francês Le Mozart des Pickpockets, curta sobre dois ladrões que decidem “adotar” uma criança muda, sagrou-se vencedor. Sem muito aprofundamento.

[curta de animação]

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quem venceu: Peter & The Wolf
em quem apostei: Madame Tutli Putli

Embora essa seja uma categoria cujos indicados eu assisto freqüentemente, esse ano foi uma exceção a parte. Contando com curtas internacionais, My Love que é Russo, Even Pigeons Go To Heaven, francês e o vencedor Peter & the Wolf, britânico, essa categoria representou bem o espírito dos europeus que dominaram no Oscar.

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3 comentários

  1. Ótimos comentários Marco.
    Concordo com as injustiças feitas nas categorias de efeitos visuais e figurino. Apesar de entender completamente a escolha da academia pelo trabalho feito em A Bussola de Ouro ( o filme foi praticamente todo feito com efeitos especiais ), não gostaria que o filme tivesse ganho, pois é fraquíssimo!
    E cara, não sei se você assistiu pela globo ou pela TNT, mas o José Wilker fez um comentário que eu achei perfeito para o filme “Sangue Negro”.
    Quando Day Lewis ganhou, ele disse que a interpretação dele era tão perfeita, que nós não sabiamos se o filme era tão bom quanto parecia, ou se era pela presença avassaladora do ator na tela que nos fazia achar que o filme era aquilo tudo mesmo.
    Ótimo post, grande abraço!

  2. // Eu adorei Sangue Negro, mas não foi só pela atuação de Daniel Day Lewis não. Eu gostei por causa do roteiro, direção, trilha… Resumindo, tudo! 😀

    // Nem tanto Vinícius. Esse foi um dos meus piores anos. Acabei jogando seguro demais…

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