Retratos de uma guerra (Persépolis)

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Antes de assistir Persépolis, não sabia exatamente nada sobre o filme. Não imaginei que durante os próximos minutos assistiria a uma pseudo-saga de uma iraniana às voltas com a guerra dos aiatolás. Misturando momentos dramáticos com seqüências cômicas, o longa é como uma pérola: pequena e simples, porém muito valiosa.

A animação vencedora do prêmio do júri do Festival de Cannes no ano passado conta a história de Marjane, uma jovem que é cercada desde criança por uma família liberal e politicamente engajada durante o reinado do xá Reza Pahlevi. Contudo, quando o regime do xá chega ao fim e a revolução islâmica do aiatolá Khomeini passa a vigorar, todos começam a se preocupar. Para se livrar dessa opressão, Marjane viaja para a Europa, Viena especificamente, buscando por liberdade e a sua própria construção de identidade.

Há alguns erros na animação, como a direção excessivamente segmentada e episódica (traços óbvios de sua origem em HQ), mas tudo é relevado diante personagens tão envolventes. Marjane é uma personagem carismática, mergulhada numa determinação política quando criança, e numa certa melancolia quando adolescente. A jovem se destaca justamente por não ser romanceada, algo que poderia se esperar de uma obra autobiográfica. Perceba quando a menina faz graça quando se diz responsável pela prisão de um inocente, ou quando resume a sua experiência de quase morte numa simples “decepção amorosa” (o que só prova a imaturidade da personagem, já que isso foi o estopim da sua depressão). Sem mencionar a avó da garota, encantadora e adorável.

O roteiro é um detalhe a parte. Mesmo abordando temas assuntos e sérios, o longa jamais perde o bom-humor, seja nas desaventuras amorosas da protagonista, nas peripécias da menina quando criança, ou o seu sentimento de exclusão. A simples direção de arte, mas ainda expressiva, também merece elogios.

Utilizando interessantes movimentos de câmera, o longa é simplesmente um achado. Rico em humor, em drama, e em testemunhos sobre uma guerra que não há muitas fontes, Persépolis é daqueles filmes que o espectador se apaixona à primeira-vista. Impactante, sem ser cruel, e emocionante, sem ser piegas. Uma pequena obra-prima.

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0-oscar.jpg   1 INDICAÇÃO:
 – Filme de Animação

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4 comentários

  1. marco, é incrível como as animações estãoc ada vez masi envolventes e interessantes, além da criatividade excessiva de seus idealizadores… Estou ansioso em ver esse já que que todos afirmam que mereceria o Oscar, ainda tenhoa minha opinião de que o OScar para o Ratatouille tenha sido justo, mas confesso qeu agora de certa forma já estou com mais dúvidas se tbm não mereceria esse depois do que li com o seu texto, só mesmo vendo… espero ve-lo logo…
    abraços

  2. “Persepolis” está me deixando cheio de ansiedade, como você mesmo disse no post, o filme é um achado, rico em humor e drama. Então, creio absolutamente em seu sucesso. E claro, sinto-me bastante influenciado por sua cotação.
    Abraço!

  3. // Concordo plenamente, Rodrigo. Embora eu não tivesse visto Tá Dando Onda e Persépolis, eu imaginei que nenhum dos dois pudesse superar Ratatouille, mas Persépolis é simplesmente maravilhoso. Acho que ele merecia ter vencido.

    // Que bom, Wally! Só espero que você não se decepcione. Sempre que eu fico muito eufórico elogiando um filme e uma pessoa vai assisti-lo ela sempre volta dizendo que esperava mais…

    // Também espero que goste, Weiner. Eu pensei que fosse gostar, mas não pensei que fosse me emocionar tanto com a história.

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