Decodificando um enigma (Não Estou Lá)

NÃO ESTOU LÁ    { 2estrelas.jpg }

Até que ponto a pretensão é bem vinda? Ao terminar de assistir Não Estou Lá, mais uma vez me fiz essa pergunta. Em tempos de marasmo criativo, será que é válido fazer um filme com narrativas múltiplas entrelaçadas por uma edição despreocupada com o pretexto de ser tão enigmático quanto Bon Dylan? Será que basta criar diferentes personagens em situações nonsense, embalados por diferentes fotografias, para ganhar os elogios de todos por “revolucionar” o gênero da cinebiografia?

É difícil de responder essa pergunta com uma única resposta, pois para cada filme ela terá uma resposta diferente. Por que? Porque tudo se resume a um simples detalhe: se essa pretensão te conquista ou não. Se você não gostar das excentricidades de David Lynch, de nada vai adiantar alguém lhe dizer que é ótimo que haja um diretor não convencional, que faça o público pensar, que utilize metáforas e simbologias para explicar fatos e situações. É preciso que você concorde com isso. É aí que está a mágica de tudo.

Por isso que fiquei um pouco decepcionado após ver Não Estou Lá. Um filme com atuações de destaque, um roteiro desafiador, bons momentos (adorei a pequena, porém hilária, seqüência em que o Bob Dylan de Blanchett aparece com os Beatles), mas que no geral não emplaca. Passado alguns minutos, eu não parava de olhar para o relógio, contando o tempo pro filme acabar. Foi a edição? Talvez. O roteiro fragmentado? Quem sabe. A direção subversiva de Haynes? Não tenho certeza. O que eu sei é que Não Estou Lá não me conquistou. E isso é um dos riscos de ser pretensioso: não ter garantia de que todos vão aprovar o resultado final. Exatamente como Bob Dylan gostaria que fosse.

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4 comentários

  1. De fato foi mesmo decepcionante, apesar de apreciar diversos aspectos como seu roteiro e a atuação da Blanchett. Ainda assim dei 4 estrelas, mas é inferior a qualquer outro longa do Haynes que já vi (“Safe”, “Velvet Goldmine”, “Longe do Paraíso”, todos superiores).

  2. Ta intrigante o recebimento do filme. Alguns amaram, outros apenas gostaram, outros ficaram neutros e outro, como você, não gostaram. Não sei, mas parecer ser do típo de ame-o ou deixe-o do qual vou acabar gostando.

    Não estreiou aqui ainda.

    Ciao!

  3. Muito curioso com o resultado deste filme – embora as críticas tenham sido pouco positivas. A sua também não foi das melhores. Quero ver, sim, mas principalmente pelas atuações de Blanchett e Ledger, que faz aqui um de seus últimos trabalhos.
    Abraço!

  4. // Do Haynes só havia visto mesmo Longe do Paraíso. Quero ver Velvet Goldmine. Mas imagino que esse deva ser mesmo o mais decepcionante…

    // Eu concordo contigo. Esse é o tipo de filme que as pessoas ou idolatram ou odeiam. Eu preferi ficar no caminho mais neutro justamente por entender a proposta do filme, mas não gostar da forma que foi utilizada.

    // Ledger está bem, mas Charlotte Gainsbourg (que contracena com ele) está melhor. Blanchett está ótima!

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