Noites de esperança (Um Beijo Roubado)

UM BEIJO ROUBADO    { 3estrelas.jpg }

 Uma jovem desiludida, um cozinheiro esperançoso, um ex-marido apaixonado, uma trambiqueira inverterada… A verdade é que Um Beijo Roubado não traz muita novidade para o gênero, mas isso nunca impediu diretores como Wong Kar Wai de contar essas histórias da melhor forma possível. E para o cineasta chinês  a “melhor forma possível” de contar essas histórias é por meio do lirismo: cada cena, cada movimento da câmera parece ter sido minimamente calculado. Os encontros de Lizzy (Norah Jones) e Jeremy (Jude Law) na cafeteria são puros deleites visuais, assim como a primeira seqüência em que Leslie (Natalie Portman) surge, ou a cena em que Sue Lynne (Rachel Weisz) se desabafa para a garçonete, ou a viagem de carro entre Lizzy e Leslie, entre muitas outras. A belíssima fotografia de Darius Khondji prova que nem sempre é ruim quando uma parceria é interrompida (o diretor de fotografia Christopher Doyle foi responsável pela fotografia de vários filmes de Kar Wai).

Entretanto, para cada uma cena maravilhosamente registrada, a história murcha um pouco. Ao contrário dos outros filmes do cineasta, esse é um dos poucos em que o que mais falta é justamente a emoção. Norah Jones não chega a ser exatamente inexpressiva, mas falta carisma para interpretar  Lizzy, que  se apresenta apática demais, sutil demais. Por causa disso, o romance entre ela e o dono da cafeteria não emplaca, e fica difícil entender o motivo para terem se apaixonado. Jones só convence quando a belíssima música “The Story” embala um dos momentos da produção, confirmando que o verdadeiro dom é cantar. As ótimas “Try a Little Tenderness” de Otis Redding, “Skipping Stone” de Amos Lee, “Yumeji’s Theme” de Chikara Tsuzuki e Shigeru Umebayashi (presente também em Amor À Flor da Pele) e “Living Proof” de Cat Power (que faz uma ponta no longa como a ex de Jeremy) também merecem reconhecimento.

No fim a produção decepciona, mas não se enganem: um Wong Kar Wai fraco ainda é melhor que a média.

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4 comentários

  1. // Com certeza vale o risco, Cecilia. Ainda mais que Wong Kar Wai é um dos meus diretores favoritos.

    // Nossa, Wally. Você mora aonde que os filmes sempre demoram para chegar?

  2. Acho que deixa a impressão de que faltou algo, mas como você disse ao final da crítica, um Wong Kar Wai fraco ainda é melhor que a média. Além da maravilhosa fotografia (a qual tem tudo para figurar entre as melhores do ano), destaco a atuação do David Strathairn, que me surpreendeu positivamente.

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