Uma metamorfose ambulante (XXY)

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XXY trata sobre uma garota que nasceu com os dois sexos, como uma pessoa pode carregar dois pesos diferentes. Ao longo de sua duração, podemos perceber que essa característica também pode ser aplicada no longa. Enquanto há momentos belíssimos, como a simples tomada de uma mãe abraçando a sua filha triste, há seqüências totalmente desnecessárias e inapropriadas, como a ênfase que a câmera proporciona quando essa mesma mãe fatia uma cenoura e acaba se cortando (uma referência ao fato de evitar fazer a operação de mudança de sexo).

Infelizmente, os bons momentos do longa não são numeroros o suficiente para que haja um equilíbrio: o principal tema é pouco explorado e não vai muito além do que já foi abordado em outras produções. A cena em que a protagonista se refugia de sua família que a esconde se faz presente, o momento em que ela é vítima da sociedade também está lá, entre outras situações clichês. O filme possui muitas ferramentas para buscar um caminho alternado, mas acaba deixando tudo para trás. A abordagem sexual que se inicia quando ela tem um caso com Álvaro (Martin Piroyansky da versão argentina Amas de Casa Desesperadas) acaba rapidamente,  o seu carinho com a amiga vizinha é jogado no meio da história, e até mesmo a sua relação com o amigo traidor Vando é decepcionantemente mal abordada. O fato disso ter ocorrido pode ser atribuido à vontade da cineasta de querer tratar sobre vários assuntos ao mesmo tempo. Por exemplo, há uma honesta conversa entre Álvaro e seu pai que não há o menor sentido de existir, além de tentar torná-lo menos agradável aos olhos do público.

Entretanto, se há algo no que o filme pode se sustentar são nas atuações de Ricardo Darín, como o pai da menina que sempre surge cansado e confuso sobre o destino de sua filha, e Inés Efron, no papel da jovem que deseja descobrir mais sobre si mesma. O jovem Piroyansky também surpreende num papel que poderia muito bem ter sido ofuscado por seus parceiros de cena.

XXY acaba assim: uma produção que toca em um assunto delicado e polêmico, mas procura evitar abordá-lo o máximo possível. Uma contradição ainda maior que a personagem de Alex vive. Ela, pelo menos, parece ter melhor noção do que fazer no futuro.

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