Um brilho em meio a opacidade (Um Plano Brilhante)

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Muito poderia ser dito a respeito de Laura Quinn, uma determinada executiva que, nos opressores anos 60, vive para o seu trabalho e sofre por não receber o reconhecimento que merece. Entretanto, pouco pode ser dito a respeito do filme cuja protagonista é a personagem. Um Plano Brilhante pode não ser aquele tipo de produção feita para gerar um entretenimento temporário para as massas, mas certamente provoca um efeito passageiro: após alguns minutos de duração, o espectador quase esquece o que acabou de assistir.

Contando com uma direção preguiçosa que remete a um telefilme, o longa só ganha vida graças às atuações de Michael Caine e Demi Moore. A atriz, antiga especialista em bombas, parece ter criado alguns critérios na escolha de papéis. Embora os filmes continuem sendo de qualidade duvidosa, pelo menos sua atuação tem melhorado. Se em Bobby conferimos a melhor atuação da estrela como uma cantora alcoólatra, agora ela acerta mais uma vez como a brilhante Laura. Demi utilizou uma linguagem mais sutil, mais discreta, mas o desespero por não estar no padrão de comportamento da época está visível no seu olhar. Seu jogo de sedução com o detetive é responsável por salvar parte do marasmo que o filme alcança no terço final. Michael Caine, entretanto, não faz nada além do esperado, e passa todo o longa em uma atuação ligada no piloto automático.

Contando com uma boa direção de arte, o filme de Michael Radford é no máximo mediano. Isso se deve ao fraco roteiro (a tão esperada solução do roubo dos diamantes só não é mais frustrante do que a forma com que ela foi passada em branco pelas câmeras dos policiais), à fotografia pálida de Richard Greatrex que auxilia em criar um visual pálido e sem vida para a produção, às atuações pouco inspiradas do elenco masculino, entre outro fatores. No entanto, não se pode culpar Demi dessa vez. A artista é a maior responsável pelos pontos positivos de Um Plano Brilhante. Laura Quinn ficaria orgulhosa!

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4 comentários

  1. Nossa, nunca pensei que fosse ver Demi Moore ser considerada a melhor atriz de um filme … rsrs. Brincadeiras a parte, não sabia da existência desse filme. Gosto bastante do Michael Radford, ele fez filmes maravilhosos como 1984, O Mercador de Veneza e O Carteiro e o Poeta, mas, pelo que vc escreveu, dessa vez ele escorregou.
    Postei no blog sobre Sangue Negro. Dá uma olhada lá…
    Abraço.

  2. Achei um tanto comum demais para o gênero, apesar de não ser um filme ruim. Na verdade não fiquei decepcionado porque já não esperava grande coisa de uma fita protagonizada pela Demi Moore, mas a atriz provou ser o melhor elemento do filme e por ela é que valeu a sessão. Abraço!

  3. Eu gostei, claro tem seus problemas, mas tem vários pontos positivos, em especial Moore, Caine, o visual e a elegancia. Faltou, porém, uma decolagem.

    3 estrelas.

  4. // Não é que ele escorregou, Wallace. Ele não se arriscou. Decidiu jogar tudo no piloto automático. Aí não tem filme que sobreviva…

    // Eu também não esperava muito, principalmente pelo elenco (Demi, como já disse, é especialista em bombas, e Michael Caine sempre foi para mim um ator de um personagem só), mas a atuação da Demi foi um destaque.

    // Achei o visual cinzenta demais. E não encontrei uma justificativa para ser somente cinza. As cores são tão pálidas, a direção tão sem criatividade e a edição tão fraca, que o filme praticamente morre antes do terceiro ato.

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