Primeiro no pódio (Speed Racer)

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Se há uma situação que sempre gera dor de cabeça para os cinéfilos é a questão da adaptação. Alguns reclamam que essa produção cinematográfica não conseguirá recuperar o clima e o tom do trabalho original. Outros batem o pé dizendo que existem certas obras que funcionam melhor numa determinada mídia (não adianta transformar uma pintura em filme, uma tira em quadrinhos em livro, entre outros). Há também aqueles que duvidam da capacidade dos artistas envolvidos e não acreditam que vão fazer um trabalho superior. 

Enfim, a questão é que é sempre polêmico esse processo de adaptação. Será que o resultado é bem sucedido quando a fidelidade é maior ou quando a obra original sofre diversas alterações? Se o trabalho for fiel demais, não terá sido tudo uma cópia? Mas não podemos perder tempo com cópias. Mas se modificarmos o trabalho modelo, podemos contar inverdades, disfarçar eventos reais ou, como dizem, mexer em time que está ganhando. Como se faz uma boa adaptação então?

Uma boa adaptação não precisa ser fiel demais, nem diferente demais. Pelo menos, não necessariamente. Tudo depende da visão daqueles que comandam essa releitura. Tudo tem que fazer sentido com a estética que eles querem usar,  linguagem que abordarão, os assuntos a serem tratados. Isso é exatamente o que acontece com Speed Racer. O filme funciona, literalmente, como uma versão humana do desenho animado. Os rápidos cortes da câmera, os closes inesperados, as cores fortes e marcantes, as atuações cartunescas: tudo é idêntico ao desenho. Então, ele perde por criatividade? Pelo contrário, esse é justamente o maior ponto positivo do filme.

Não há espaço para leis físicas para os equipamentos dos carros utilizados pelos corredores. Porquê relevar as expressões e reações exageradas dos personagens se essa era justamente uma das maiores características do anime? Em tempos cuja preocupação com a realidade reina em todas as produções, é um alívio ver um longa que dispensa explicações lógicas ou esse compromisso com o verdadeiro. As corridas, que poderiam muito bem ser copiadas de vários longas de corridas de carros, é ousada e nunca cai na mesmice. Os irmãos Wachowski, responsáveis pela trilogia Matrix, decidem apostar mais uma vez no diferente e acertam novamente.

As repetitivas edições transitórias cansam um pouco? Sim, mas os acertos são tão variados que é uma injustiça ressaltar somente isso. Inclusive, injustiça acaba sendo a palavra-chave do filme. Uma pena que o longa tenha sido massacrado pela crítica. Há tantos aspectos positivos que foram subestimados: a maravilhosa atuação da sempre boa Christina Ricci, a perfeita escalação de Mathew Foxx, os momentos memoráveis (como a emocionante confissão da mãe de Speed para seu filho, o discurso capitalista do executivo Royalton e a frenética torcida da multidão para o protagonista), entre muitos outros.

O que nos leva à conclusão para se ter uma boa adaptação. O ponto de vista dos realizadores é importante, mas de nada adianta se não há uma conexão com a obra original. Nesse caso, Speed Racer e seus amigos podem ficar bem satisfeitos. A produção psicodélica dos irmãos Wachowski é envolvente desde seu primeiro minuto, até o refrão de “here he comes, here comes Speed Racer”.

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10 comentários

  1. Fiquei surpreso com sua crítica, mas já li algumas opiniões afirmando que esse filme é mesmo excelente – apesar do fracasso óbvio de bilheteria. Enfim, muito mais ansioso agora para ver…

  2. Bem, já estava esperando esse filme desde o ano passado, e agora com a leitura da sua crítica a vontade aumentou, vou pro cinema agora =D

  3. // Achei muito injusto esse fracasso de bilheteria. Esperava mais e o próprio filme merece mais também…

    // Estou esperando pela sua resenha do Speed Racer, Wally. Pelo menos você gostou. Deu 3 estrelas!

    // E aí? Já foi para o cinema Luana? Depois me fala o que você achou.

    // Que bom, João Paulo! Pensei que fosse o único que tivesse adorado também! Eu espero que o filme ganhe maior reconhecimento futuramente.

    // Estou esperando pela sua resenha, viu Wallace?

    // Pois é, Weiner. Eu já tinha lido a sua resenha. Depois dela e de alguns outros comentários, eu entrei na sala esperando por pouco, mas acabei me surpreendendo!

  4. Adorei o filme, é muito colorido? é. é muito futurista? é. Mas o filme em sua essência é simplesmente maravilhoso, muito emocionante. Nota 1000.

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