Caindo em tentação (Pecados Inocentes)

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Para contar essa história real sobre um relacionamento, com direito a toques de tragédia grega, sobre uma mãe divorciada e a sua cumplicidade com seu filho homossexual, parecia que não havia um diretor melhor que Tom Kalin, parte importante do cinema gay pelo seu famoso trabalho O Colapso do Desejo – longa que dissecava o comportamento da sociedade homofóbica ao inocentar dois assassinos gays pela justificativa de sua homossexualidade representar um desvio patológico. Julianne Moore também parecia outra escalação ideal para viver a socialite e atriz Barbara Baekeland, numa forma de tentar recuperar sua carreira em declínio. Entretanto, o que vemos ao término de Pecados Inocentes é uma sensação de que muito poderia ser feito, mas pouco o foi.

Há um certo clima de pretensão que persiste durante todo o filme, seja nas conversas em festas de gala ou em discussões domésticas, tudo soa falso demais, irreal demais, exagerado demais. Até mesmo a atuação de Moore, por exemplo, cai no caricato e no forçado. A imagem que o filme tenta vender, logo se desgasta. A narração introspectiva, os acontecimentos que surgem rápido e de forma inesperada, as conversas verborrágicas: tudo grita “filme de arte”, irritando tanto o espectador, que decide não aceitar o desenvolvimento da história, mesmo que aquilo tenha ocorrido de fato.

Uma pena, pois logo em poucos minutos de duração, podemos perceber as perturbadas personalidades de filho e mãe, mas o roteiro não parece se dedicar muito em explicar o que gerou o personagem a tomar certas atitudes, como a obsessão pela coleira do cachorro morto (cuja justificativa acaba sendo simbólica demais) ou o incesto causado por alguns personagens do filme. Não há uma análise para o surgimento desses eventos. Eles simplesmente acontecem, como se fossem inúmeros casos de impulsividade aleatória.

Uma história tão rica de comportamentos interessantes que poderiam gerar diversas análises psicológicas acabam ganhando um contorno muito superficial nas mãos de Kalin e Howard Rodman, roteirista do filme. Uma infelicidade que um projeto que prometia tanto, até para seu realizador e protagonista, tenha um resultado tão decepcionante.

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6 comentários

  1. Sabe que eu até gostei desse filme? Que dizer, nunca fico muito satisfeito com essas ‘fitas de arte’ que ao final têm pouco a dizer, mas no caso de “Pecados Inocentes” há alguns aspectos que o diferencia dos demais. Além da bela produção técnica, Julianne está muito bem. Abraço!

  2. Assim, declinio ela não está … está variando de papel … fazer drama direto ofusca … é bom fazer aventura … mesmo que seja a prega de odete …

    Mas esse filme tem realmente um tema polemico e é extremamente dificil descer … até compreendo a sua nota baixa
    abraços

  3. Poderiam não..ele pode trazer diversas analise dentro do campo psicologico…esse filme eh show para os estudantes que pretendem seguir a linha em terapias de casal, principalmente estudar essa doentia relação mãe-filho, essa simbioticca estrutura psicotica , a dinamica do incesto, familas abusivas, enfim segue-se divergentes e rica questoes a serem discutidas na qual a sociedade adora “camuflar” sempre quando se diz em questoes de perversidade, na qual existe sim nos dias de hoje, ta ai eh é a realidade.
    Filme mto bom.

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