O 3º ato da vida (A Família Savage)

A FAMÍLIA SAVAGE    { 2estrelas.jpg }

Depois de muitas semanas de espera, A Família Savage finalmente estreiou esse final de semana em Brasília (o filme chegou às bilheterias cariocas e paulistas na última sexta de março), o que só me faz imaginar  a demora que será para chegar em outros estados menos afortunados. E após ver o filme é fácil perceber o porquê dele possuir um público-alvo tão limitado.

Nem todos vão gostar de A Família Savage. O longa trata de um tema polêmico? Não. Usa e abusa de cenas explícitas de sexo e violência? Com certeza, não. O que pode afastar a audiência é justamente a sua abordagem depressiva e a sua relação com a dramaturgia, algo que ambos protagonistas vivenciam profundamente (a irmã Wendy é graduada em belas artes, enquanto que o irmão é professor de filosofia). Isso não implica em pontos negativos. Muito pelo contrário, o roteiro cheio de referências a teatrólogos como Eugene O’Neill e estilos teatrais, como o Teatro do Absurdo, é rico e um prato cheio para aqueles que vivem e estudam essa relação com a arte.

O que pode pesar, no entanto, é essa melancolia que dá o tom ao filme. Embora seja classificado como uma comédia, risos são as últimas coisas que o espectador sentirá enquanto assiste ao filme. A própria trama da produção, a iminente morte do pai dos protagonistas, não auxilia nessa tarefa em encontrar uma vertente mais otimista, mais positiva quanto ao rumo da história. Ver a discussão entre os irmãos no carro enquanto o pai desliga o aparelho auditivo, ou quando ele se frusta ao perceber que precisa de ajuda para responder questões como “em que cidade você está agora?”: cenas como essas são freqüentes e só servem para confirmar a triste realidade da situação.

E talvez seja isso o que mais me incomodou em A Família Savage. Se os próprios produtores e cineasta não conseguem tratar o assunto com mais tranqüilidade e otimismo, então de nada adianta a montagem de trailers “engraçadinhos” ou cartazes com os personagens rindo. Os atores podem até estar em boas atuações, mas interpretação nenhuma consegue esconder a tristeza em enterrar um membro da família. Nem a interpretação da Laura Linney.

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7 comentários

  1. é bom ler algo negativo sobre esse filme… pois ´so li até agora criticas boas ou áquels em cima do muro, hehehe… mesmo assim tenho expectativa de que venha pra cá e que eu o assista… estoua sioso mais pela atuação do Philip Symour que pode errar em algumas escolhas de filems, mas sempre atua mutio bem…
    abraços, Marco!!!

  2. Estou curiosa para ver esse filme, apesar das muitas opiniões divergentes que li e ouvi. Mas filme triste sempre é bom a gente esperar estar num momento bem relaxado da vida, né?
    Você tocou em um ponto interessante no seu post. O que é esse calendário de estréias por aqui, né? Coisa maluca…

  3. Eu achei um esplêndido pequeno filme. Não acho que seja obra-prima, longe disso, mas é um belo filme, que oferece uma visão simples, graciosa e comovente sobre as disfunções familiares, que anda sendo muito bem explorada no cinema ultimamente. Belas performances e um belo roteiro são os destaques.

    4 estrelas.

    Ciao!

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