Fim da fantasia (Batman – O Cavaleiro das Trevas)

BATMAN – O CAVALEIRO DAS TREVAS    { 5estrelas.jpg }

Em minha resenha sobre Batman Begins, eu havia dito que “Gotham não é simplesmente Gotham. Ela surge como uma cidade ilusória, que é vítima do mesmo mal que corrói as metrópoles atuais: a violência urbana.” Essa mesma frase poderia ser usada para descrever boa parte do mote de Batman – O Cavaleiro das Trevas, só que com maior intensidade e realismo (observe que os fantasiosos trilhos do metrô que pairavam no céu deram lugar para estruturas e edifícios muito mais reais). Esse é apenas um dos diversos pontos positivos da produção que, felizmente, consegue superar todos os outros filmes do super-herói.

Depois de algum tempo servindo como um justiceiro mascarado, Batman surge como um ícone da cidade de Gotham City, impondo medo e gerando problemas com os chefes da Máfia que decidem apelar para os devaneios e planos de um inusitado homem coberto de maquiagem de palhaço, o Coringa. A partir daí, segue uma épica jornada entre o antagonista e o (anti) herói.

É em cima disso que boa parte do argumento do longa reside. Será Batman um verdadeiro super-herói? Essa justiça que ele impõe anonimamente é a solução dos problemas? É necessário que haja alguém que esteja acima do poder e da lei para acabar com essa impunidade (o que nos rapidamente remete ao polêmico endeusamento do Capitão Nascimento de Tropa de Elite)? Um discurso interessante que parece ganhar maior importância devido a urgência do seu propósito: terá o mundo se perdido de vez?

Em um dia enfrentamos o choque de uma criança ser jogada do carro e ser arrastada por quarteirões, jovens que são cruelmente entregues para morrer nas mãos de traficantes de equipes rivais, família inteira que é queimada viva dentro de um carro, entre outras inúmeras e preocupantes situações que assolam o mundo todo. São acontecimentos como esse que o filme tenta trazer e é por meio do personagem de Harvey Dent que nós encontramos vazão e um fio de esperança. E é também por meio dele que nós podemos perceber o quão suscetível a erros, o quão corruptíveis nós podemos ser. São dilemas morais que emergem em uma mídia de entretenimento, provando que nós podemos (e devemos) ser o tipo de sociedade que queremos viver (como ocorre naquela intensa seqüência entre dois diferentes navios e dois diferentes controles).

Outra grande sensação de perda que o filme traz e a respeito do grande ator Heath Ledger. O promissor ator que teve uma surpreendente e infeliz morte no começo do ano, apresenta mais uma grande performance como o vilão Coringa. A demência do personagem surge na medida certa, deixando o completamente insano e terrivelmente real. Algo como um simbolismo de um terror sádico que parece não acabar (o Batman não pode matá-lo, assim como ele também não o mata) e que promete nos aflingir sempre que puder. Vale a pena destacar também os pequenos tiques que só enriquecem a atuação de Ledger, como a língua que vive passeando entre os seus lábios, provando o incômodo que as suas cicatrizes causam, e o pequeno barulho que faz com os lábios antes de falar, algo que a dilaceração causou no seu modo de falar.

Mesmo que tente abordar diferentes assuntos e temáticas (como a invasão de privacidade que Lucius Fox, papel de Morgan Freeman, ensaia em um momento do filme), Batman – O Cavaleiro das Trevas impressiona por surgir como um eficaz produto de massa mergulhado numa escura e sombria Gotham City. Dessa vez não tão fantasiosa, mas completamente real.

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6 comentários

  1. O filme é fantástico.. daqueles que com certeza deve dar vergonha ao Joel Schumacher pelas adaptações anteriores…rs
    Não somente o Jack Nicholson fica no chinelo coma atuaçõa brilhante do Heath Ledger como Joker! mas também o Aaron eckhart manda o ‘duas-caras’ do Tommy Lee Jones no “Batman Eternamente” pra PQP..rs… enquanto um era um grande palhaço bobalhão atirando pra todo lado, o Harvey Dent do Aaron é perfeito!
    filmaço!
    Já to com saudades de comentar aqui, marco..mas que bom que tu me achou no orkut, vamos sempre manter contato..
    abraços!!!

  2. Realmente não há muito o que acrescentar. “The Dark Knight” é tudo isso e um pouco mais, um filme que marcará para sempre esse subgênero que nem sempre foi valorizado pela crítica.

    Ah, “Batman Begins” ficou atrás em minha lista de “Em Busca da Terra do Nunca”, “O Jardineiro Fiel”, “Menina de Ouro”, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” e “O Aviador” – provavelmente substituíria esse último por ele hoje. Abs!

  3. Para mim, o melhor do gênero de super-heróis e uma adição fantástica ao cinema. O filme é sublime, forte e ousado. Além disso, Ledger está extraordinário.

    5 estrelas.

    Ciao!

  4. o filme e muito bom ledger da um banho no curinga de jack nicholson nao que o dele seja ruim e muito bom so que ledger e explendido aaron eckhart fas um otimo papel como duas caras digno de oscar pena que nao vai ser indicado pois ledger vai no seu lugar mas nao podemos deixar de ressaltar o diretor nolan que e um otimo diretor desde amnesia o roteiro tambem e muito bom a trila sonora digna de oscar e morgam freeman que deixa todo mundo de boca aberta pena que nao vai ser muito lembrado

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