Perdido e vazio (Insolação)

Uma propaganda ruim também vende. A dupla realizadora de “Insolação”, Daniela Thomas e Felipe Hirsch, parece saber muito bem disso, já que conseguiu levar sua entediante produção para exibição em uma mostra paralela no Festival de Veneza. O filme é extremamente pretensioso e perdido em seu argumento. Sob o pretexto de que os personagens estão perdidos em uma cidade vazia (note que em Brasília, onde foi rodado o filme, não há pessoas andando na calçada, motoristas nas ruas, carros estacionados em casa etc) é o roteiro que surge vazio por meio dos monólogos de Paulo José e o dispensável “clube do livro” numa lanchonete de esquina. Leonardo Medeiros consegue fazer milagre com seu papel e entrega mais uma grande atuação.

Ainda que preste um enorme desserviço a Brasília, retratando-a como uma cidade suja, deplorável, abandonada  (torço para que não seja pano para uma óbvia analogia política), talvez há de se relevar essa má representação por causa de alguns bons ângulos captados da geometria da cidade. No entanto, os personagens vociferam tantas frases de efeito (todas dispersas em sem nexo) que parecem sustentar a teoria de que o filme foi feito por encomenda para ser burocrático e “artístico”. Felizmente ninguém parece ter comprado:  imprensa, público, crítica etc.  Unanimidade existe por um motivo.

Insolação
idem, Brasil, 2010, drama, 105 min.
De Daniela Thomas e Felipe Hirsch. Com Paulo José, Simone Spoladore,
Leonardo Medeiros, Maria Luísa Mendonça e Leandra Leal.

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