Estudo de gênero: Mulheres hitchcockianas

hitch1

Por muitos e muitos anos, Alfred Hitchcock conquistou a sua popularidade sempre prezando pela forma de seus filmes, em vez de se preocupar com o conteúdo de suas histórias. No entanto, é possível observar como um de seu tipo favorito de personagem – aquele que exerce uma influência vinda do além-vida – é de costume uma mulher (como Rebecca em A Mulher Inesquecível, Carlotta e Madeleine em Um Corpo que Cai, ou a Sra. Bates em Psicose).

Estejam elas dentro ou fora do túmulo, nada disto foi o suficiente para salvar o diretor que sempre foi alvo de crítica das teóricas feministas de cinema (que ainda engatinhava nos anos 50). Chamado de misógino e também feminista, a verdade é que os filmes do cineasta sempre deram margem para ambos os lados dessa discussão, rendendo vários e vários estudos sobres os seus filmes.

 hitch2

Em um deles, no livro-resenha “Os Pássaros”, Camille Paglia faz uma importante observação quanto ao elenco feminino da produção de mesmo nome dirigida por Hitchcock: embora seja uma adaptação literária, as três personagens femininas mais relevantes da história não estão na obra original de Daphne du Maurier. São elas Melanie Daniels, Lydia Brenner e Annie Hayworth (interpretadas respectivamente por Tippi Hedren, Jessica Tandy e Suzanne Pleschette).

Essa divisão de Camille deixou evidente três categorias de figuras femininas mais recorrentes na filmografia do diretor:

  • a heroína fálica (a protagonista com atitudes e dominância masculina);
  • a matrona controladora (a personagem que projeta uma trajetória Edipiana para o personagem principal);
  • a vítima enganada (a coadjuvante que percorre um calvário de vitimização, dada a sua condição feminina).

Aproveitando a febre hitchcockiana que invadiu os cinemas, inauguro essa nova sessão no blog com um estudo detalhado das personagens femininas nos principais filmes que dirigiu depois de se instalar no cinema americano.

banner-genero2

Em uma pequena série que começo hoje no blog, toda quinta-feira postarei aqui observações e pensamentos de autores (das mais diferentes áreas do conhecimento, como filosofia, psicanálise, semiologia, além de, é claro, estudiosos do cinema) sobre as personagens que contemplem cada uma destas categorias descritas, de modo a traçar um panorama completo dentro do cinema hitchcockiano, desde 1945 com Interlúdio, passando por 1954 com Janela Indiscreta, até 1963 com Os Pássaros, resgatando as diferenças e semelhanças da representação feminina no cinema clássico, no cinema de transição e no cinema moderno.

O vídeo abaixo, editado por mim, faz um apanhado geral e ilustra melhor os arquétipos em questão.

Quinta-feira que vem, começo essa série com Interlúdio, protagonizado por Ingrid Bergman, uma das minhas atrizes favoritas.

Anúncios

3 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s