3 críticas de Bling Ring para 3 tipos de espectadores

Eu não tenho palavras para dizer o quanto eu saí aliviado da sessão de The Bling Ring. Após Somewhere, que eu posso afirmar que foi uma das maiores perdas de tempo que eu tenho na minha memória recente, meu medo era que a senhorita Coppola pegasse uma história interessantíssima (baseada no maravilhoso artigo da Vanity Fair) e fizesse uma borefest de deixar esses filmes sérios do Spielberg com inveja. Não aconteceu, e o filme tá mais pra Meninas Malvadas do que para aqueles porres de adolescente andando de skate ao som de música clássica do Gus Van Sant.

Dito isso, parte de mim ficou um pouco descontente com o resultado final e não sabia apontar exatamente onde estava o problema, ou o que estava faltando, até que eu entendi que The Bling Ring é um filme que pode decepcionar e agradar diferentes tipos de pessoas dependendo de suas expectativas, muito provavelmente te deixando com as duas sensações ao mesmo tempo. Seguem três críticas de The Bling Ring para três tipos de público.

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Provavelmente o filme anterior da Coppola que mais se assemelha a este e mais pode dar uma base do que esperar de The Bling Ring é Maria Antonieta. Gostou das roupas, do luxo das festas e da trilha sonora atual (que assim como em Maria Antonieta não se encaixa na cronologia dos eventos apresentados em The Bling Ring) ? Se a resposta foi “sim”, então vá em frente, pois está tudo ali de novo, assim como o apreço por cenas bem orquestradas que nos dão um entendimento da ação sem a necessidade de cortes ou diferentes ângulos, até porque se ela abrisse mão desses recursos não teria absolutamente nada que pudesse caracterizar o filme como esse produto de cinema alternativo.

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O que me deixou confuso sobre o filme foi o posicionamento que ele toma. Sim, sempre ouvimos a história de que “fulano apresenta seus personagens sem julgá-los”, etc., mas a verdade é que qualquer coisa filmada padece de um ponto de vista sobre o tema, e o de Bling Ring não é fácil de identificar. Se por um lado é um alívio ver que a Coppola não tece uma crítica direta ao estilo de vida retratado no filme, visto que ela própria cresceu em uma família rica e está tirando dinheiro e atenção em cima do tema, por outro ela não abraça tão nitidamente a cultura na qual está inserida defendendo seus personagens ou as celebridades, deixando a dúvida: se esse caso aconteceu recentemente e foi tão noticiado, qual o propósito desse filme?

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Meu deus, como eu sinto falta de Pretty Wild. Estreou em 2010 e durou só nove episódios, mas conselho amigo: só vá assistir Bling Ring depois de ter conferido essa maravilha de reality. Basicamente todas as cenas envolvendo a família das personagens da Emma Watson (que dá vida à Nicki Moore, adaptação da Alexis Neiers) e da Taissa Farmiga são encenações palavra por palavra de momentos do programa, e apreciar a imitação do jeito clueless e sofrido de falar da Alexis Neiers feito pela Emma dá uma graça a mais ao filme.

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Ao mesmo tempo, o que é o trunfo também me pareceu como o calcanhar de aquiles do projeto. Logo nos créditos o filme avisa que é baseado em fatos reais, mas nunca deixa claro de que também é baseado, e basicamente adaptado de um reality show já existente, e isso tem alguns problemas. Primeiro porque todas as cenas mais engraçadas do filme todo foram piadas já ditas na própria série, sem mudança alguma, e segundo que o próprio fato de uma pessoa como a Alexis, respondendo a processo e tudo poder encabeçar um reality show e ter espaço na TV justamente por ter roubado pessoas que também tiveram espaço na mídia por motivos questionáveis (Paris Hilton, Audrina Patridge) revela muito mais sobre a nossa própria cultura do que qualquer filme que a Sofia pudesse fazer, e isso é algo que no fim das contas acaba ricocheteando e prejudicando a imagem final de The Bling Ring.

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Podem ir sem medo. Mesmo eu realmente achando que a diversão é potencializada se você fizer uma maratona de Pretty Wild antes pra pegar as referências, The Bling Ring é aquele tipo de filme que provavelmente veremos muitas outras vezes quando chegar no Netflix, talvez como uma versão menor do já citado Meninas Malvadas e As Patricinhas de Beverly Hills. Os bordões são ótimos (é impossível não soltar um “I wanna rob” ou “Let’s go shopping” na próxima vez que você visitar aquele conhecido insuportável que esconde os chocolates atrás da gaveta de presunto na geladeira), a trilha sonora não tenta inventar muito e só entrega grandes hits enquanto os personagens desfilam em slow motion (o que era exatamente o que eu esperava) e as roupas são tão maravilhosas que só de ver o casaco da Louis Vuitton que a Katie Chang usa no cartaz fica difícil não entender a motivação desses jovens e não torcer pra um possível final feliz para eles.

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Falando sobre as motivações, outro ponto alto do filme é realmente nos colocar no olho do furacão sobre o quanto essas pessoas são bombardeadas pelo “estilo de vida que todos querem”, nos questionando se nós agiríamos muito diferentemente na posição deles. Aqui, fuçar entre as roupas de uma celebridade como quem garimpa uma sessão em desconto na Riachuelo é quase tão catártico quanto meter uma bala na cabeça de um zumbi. Ou talvez jogar um frappuccino na cabeça dele.

E aí, em qual dos três tipos você se encaixa mais?

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7 comentários

  1. Eu acho que não me encaixo em nenhum dos três (chato), eu fui assistir completamente mal informado, já tinha visto o trailer, o que não me instigou em nada. Fui mais para ser surpreendido, por um grande lixo (‘Somewhere’, saí com 20 minutos de filme e fui ver Amor e Outras Drogas hahaha) ou por algo bom, o que aconteceu. Ri e gostei das atuações. Gostei do modo como foi abordado, mais uma vez, o fracasso do American Dream, e como aconteceu em ‘Chicago’, o desejo insano pela fama através de um crime. See you!

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