Analisando a Bilheteria: Top 10 Mundial e Americano em 2013

Pode parecer que cada ano que passa as ofertas no cinema ficam cada vez menos inspiradas e interessantes para fazer com que nós, cinéfilos paupérrimos que priorizamos ver os lançamentos nas emocionantes sessões desconto de quartas-feiras, optemos por ficar em casa ao invés de gastar o nosso suado dinheiro (sim, Wolverine – O Imortal, eu estou olhando para você).

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Por isso mesmo que é até meio difícil acreditar, mas 2013, com as vindouras estreias de Em Chamas e a sequência de O Hobbit tem uma chance sólida de entrar para a história americana como o ano com a maior bilheteria doméstica de todos os tempos. O ano ainda não acabou, mas que tal vermos quem está no top 10 até agora e o que eles têm em comum?

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Só um lembrete: esses filmes de modo algum representam os mais lucrativos do ano, visto que você gastar 200 milhões pra fazer um Homem de Aço e ter uma bilheteria doméstica de 290 milhões não corresponde ao mesmo lucro de A Bruxa de Blair que custou uma coxinha e um guaracamp e arrecadou centenas de milhares de vezes o preço de seu orçamento.

Lembrete 2: Apesar desse ano possivelmente entrar como a maior bilheteria conjunta da história, é necessário lembrar o papel da inflação nesses números e o preço dos ingressos cada vez mais altos (conte também os inúmeros filmes disponíveis em 3D, IMAX, etc.), o que significa que enquanto o dinheiro foi maior, o número de pessoas realmente comparecendo aos filmes não é um motivo de tanta comemoração.

Dados os lembretes, segue abaixo o top 10 doméstico de arrecadação dos filmes, apenas em solo americano:

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O que podemos analisar desses números, logo de cara, é a ausência de filmes baseados em conteúdo original, sendo apenas Os Croods e As Bem-Armadas (sério, o naipe esse nome em português) os únicos projetos não baseados em livros, HQs, propriedades pop antigas ou continuações. Ok, todo ano é a mesma coisa, Hollywood está em crise criativa, já ouvimos essa história, mas é sempre alarmante olhar para um quadro expondo cruamente esses dados na nossa cara. E o que mais me incomoda não é nem o fato da presença das sequências em si, mas a quantidade de filme chato que dá dinheiro a ponto de a cada dois anos termos uma continuação dele -sim, Wolverine – O Imortal, eu continuo olhando para você, mas também olho para a continuação de Meu Malvado Favorito sendo a maior animação neste ano (aí, coxinhas que adoram a coisa mais sem carisma a ser criada na história do cinema que são esses Minions).

Em favor de Hollywood, nunca tantos filmes baseados em ideias originais, mesmo que ruins, tiveram uma chance de ver a luz do dia (ou o escuro do cinema) como neste ano.  A ficção-científica, de longe o gênero a ser mais explorado e investido em 2013, viu produtos caros estrearem apenas para caírem um atrás do outro ao longo dos meses. Oblivion vai terminar a sua corrida com 90 milhões de dólares a partir de um orçamento de 120, Depois da Terra teve o merecido resultado final de 60 milhões de dólares saindo de um orçamento ainda mais caro, de 130 e Elysium, o mais interessante dos três, não conseguiu repetir o sucesso de Distrito 9 e até agora só arrecadou 60 milhões, também com um orçamento maior de 100 milhões de dólares.

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Mas se nem esses filmes milionários encabeçados por alguns dos maiores astros (Cruise, Smith, Damon), conseguiram resultados satisfatórios, como salvar Hollywood em relação aos projetos originais? A resposta é simples: dê ao público o que ele quer. Sim, podemos argumentar que o motivo dos três filmes não ter dado o resultado desejado é que, basicamente, nenhum deles parece ser muito bom (e os críticos concordam). Mas As Bem-Armadas também não parece uma obra-prima e tá lá em cima no décimo lugar, certo?

Exato, nem sempre o que público quer é somente um filme bom. Dê uma olhada no quadro e me diga qual outro filme foi estrelado (não vale coadjuvantes) por pelo menos uma dupla de mulheres. O mais próximo que chegamos é Oz – Grande e Poderoso, e mesmo assim esse filme não só é estrelado pelo James Franco como também estreou lá atrás em março, bem antes do verão americano começar.  Após meses sendo renegado nas opções cinematográficas, o público não resistiu à chance de ver Melissa McCarthy e Sandra Bullock (duas das atrizes mais bancáveis em termos de bilheteria) e correu pro cinema pra ver, pela primeira vez em meses, elas sendo representadas na tela. E era isso que o público queria naquele momento.

Embora muitos dos filmes já citados como decepções em bilheteria doméstica conseguiram salvar um pouco do estrago com a arrecadação mundial, os filmes mais bem sucedidos em solo americano seguiram o mesmo caminho internacionalmente e a lista, com exceção de dois filmes, ficou com basicamente os mesmos filmes em posições diferentes. Veja abaixo a bilheteria mundial de cada um deles, seguido pelo quanto cada um arrecadou domesticamente e internacionalmente.

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Vamos aos números. Homem de Ferro 3 é o filme de maior bilheteria do ano em qualquer lugar, e provavelmente terminará o ano com esse título. Os Croods sobe algumas posições em relação ao quadro doméstico, mostrando que animações tendem a ser mais bem recebidas ao redor do mundo do que outros gêneros, não importando se são parte de uma franquia já estabelecida ou a tentativa de criação de uma nova.

A grande surpresa aqui é a troca de As Bem-Armadas pela presença de Círculo de Fogo (que você pode ler a crítica aqui). Apesar do filme estrelado por Sandra Bullock ainda não ter estreado em muitos dos mercados globais, o que obviamente altera sua posição na bilheteria, é difícil imaginar que sua recepção pudesse ser tão forte a ponto de conseguir uma posição no top, mais pelo motivo de comédias geralmente serem mais difícil de vender globalmente do que um grande filme de ação.

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Círculo de Fogo, uma das várias empreitadas de ficção-científica originais do ano, pode ter decepcionado em solo americano, mas o apelo asiático de monstros, um elenco internacional e o fato da ação do filme se passar por lá mesmo prova o argumento cada vez mais forte que nem todos os filmes hoje em dia dependem de uma aceitação em seu próprio país para conseguirem fazer dinheiro e talvez até bancar uma sequência (basta olhar a disparidade entre a arrecadação americana e a mundial, de 25% da bilheteria total contra 75%).

O que perdemos com a ausência de As Bem-Armadas (sério, ainda não superei esse nome) é que na lista mundial do jeito que está, nenhum dos filmes é estrelado por uma mulher (e a gente bate nessa tecla de gênero porque é o mais fácil de retratação de igualdade que a gente pode chegar, imagina se fôssemos procurar filmes com negros, gays, etc.). Esse painel certamente irá mudar assim que Em Chamas estrear, o maior candidato do ano a grande blockbuster de 2013, mas ainda assim, e dados provam, nunca foi tão difícil ser uma mulher em Hollywood. Ou ser qualquer outra coisa que não venha de uma marca pré-aprovada.

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5 comentários

  1. Adorei que Depois da Terra foi o maior flop do ano. #smithhate E faltou falar de Lone Ranger, que só fez 1/3 da sua bilheteria domesticamente e por pouco não conseguiu atingir pelo menos o preço de custo. #depphate

  2. Bilheteria feita de blockbuster entre animação e ação… Ai vem o Oscar e agente só vê drama ganhar.
    Dois extremos que se tocam até hoje não sei onde nem porque.

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