E se “As Panteras” ganhasse um reboot nos dias de hoje?

“As Panteras – Detonando” é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. Julgue o quanto quiser, mas aposto que até você deve ficar surpreso que já faz uma década desde que a Cameron Diaz usou uma espada para abrir uma champagne, inspirando velhas maravilhosas e sem senso do ridículo como a Brunette Fracaroli em Mulheres Ricas que acham que essa é a melhor maneira de conquistar o coração de um jovem moço.

Bom, como dez anos é uma eternidade para os padrões Hollywoodianos (não levou uns 15 dias entre o “Homem Aranha 3″ e o anúncio daquele reboot horrível que ninguém tinha pedido?), eu vira e mexe me pego pensando: quais três lindas meninas poderiam estrelar uma nova versão desse clássico, caso o mesmo fosse anunciado hoje em dia? É isso que vamos solucionar hoje.

Claro que antes de olharmos para o futuro (mesmo que fictício), precisamos relembrar o motivo do trio composto por Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu ter dado tão certo, além do óbvio (e muito verdadeiro) “cada uma tem uma cor de cabelo”.

O que cada uma trazia para a mesa:

Cameron Diaz: era a gostosa inicial que ganhava a empatia do público feminino por fingir que era dorky na adolescência e continuava bobona em espírito (algo que a Katherine Heigl tentou fazer naquela flopada carreira romântica, mas só acabou saindo como abrasiva e mal agradecida).  Era também a mais famosa do elenco (pelo menos internacionalmente) e a que mais usava do humor pra ser um alívio cômico na história, aliado a passos de dança inesquecíveis.

Drew Barrymore: essa daí trazia literalmente dinheiro para o filme trabalhando como produtora, mas sendo uma figura pública desde criança, Drew também trazia veracidade ao swagger de sua personagem, realmente nos convencendo de que ela era alguém que podia se virar muito bem sozinha (você tem que respeitar alguém que foi pra rehab com 12 anos, voltou e ainda deu certo na vida).

Lucy Liu: de longe a que mais deve ao filme o fato de ainda poder trabalhar hoje em dia e não estar com nenhuma fatura do Virtua pendente, Lucy Liu saiu da televisão direto para o estrelato, trazendo inteligência e foco para o papel de Alex, basicamente chamando mais a atenção na maioria das cenas do que as suas colegas de elenco (e ganhando um décimo do salário).

Agora que já acompanhamos o papel que cada uma preenchia no grupo, a melhor maneira de descobrir quem poderá entrar para esse novo elenco é analisar a oferta de atrizes que temos atualmente de acordo com os três tipos de mulheres que precisamos para nossas panteras.

As opções: Tatiana Maslany, Lizzy Caplan, Mila Kunis, Rooney Mara, Michelle Rodriguez e Rihanna.

Substituir Drew Barrymore em um papel que exige rebeldia e força física pode não parecer um grande desafio, afinal o máximo de agressividade que a gente associa a ela é o público que pagou para ver seu filme com Jimmy Fallon. No entanto, o grande trunfo de sua performance como Dylan era nos convencer de que por trás do exterior de mulher zangada existia alguém com um passado turbulento, mas que ainda conseguia ser feminina e atraente.

Por esses motivos, Michelle Rodriguez é a primeira a rodar da nossa lista. Por mais que ela convença no quesito físico, Michelle possui a graça e feminilidade de um mecânico de beira de estrada cheio de cordão preto de sujeira no pescoço. Todo o conceito das panteras gira em torno de lindas mulheres que mesmo em cima do salto lutam contra os criminosos, não de uma mulher competente que faz todo o trabalho enquanto veste uma calça xadrez e um tênis Rainha system extra amortecimento.

Por motivos similares, Rooney Mara também precisa ser cortada da lista. Como garota da tatuagem de dragão, Rooney Mara é high fashion, tem poucos amigos e convence como a motoqueira que é bruta porque não conhece o amor. O problema é que até esse ponto de sua carreira é praticamente impossível imaginá-la em um papel que dependa de charme e humor, ou até mesmo que ela tenha um rosto reconhecível se você esbarrasse com ela na rua.

Por mais que eu ame a Tatiana Maslany e a Lizzy Caplan, as duas são eliminadas dessa lista por motivos diferentes. A Tatiana faz um trabalho absurdo interpretando dezenas de personagens em Orphan Black (e eu tenho certeza de que se ela quisesse ela conseguiria interpretar as três panteras de uma vez), mas ainda não é reconhecida o bastante para poder fazer o salto televisão – blockbuster. Já a Lizzy, apesar de ter naturalmente essa aura mais rebelde e não conformista, peca pelo oposto da falta de graça das competidoras citadas anteriormente. Apesar de seu charme natural, a Lizzy tem também uma carga de sátira tão grande que é difícil imaginar que ela mesma acreditasse nos socos e chutes que teria que fingir no filme.

Temos então Rihanna contra Mila Kunis. Mas a Rihanna nem é atriz, você deve estar se perguntando. Bom, ela estava ano passado em Battleship, e não vamos esquecer que ela também aparece na sequência final de As Apimentadas: Tudo ou Nada. Em um filme tão pop como As Panteras, quão legal seria a presença de uma das maiores cantoras do mundo chutando bundas? Seria legal, mas não tanto quanto a Mila Kunis. Faz um tempo que a Mila tem aperfeiçoado a sua pessoa pública como alguém que não tem medo de falar o que pensa para defender alguém, ou que mesmo doente quebra as regras de uma entrevista pra poder se divertir um pouco.  Sim, coisas que a Rihanna também tem para si, mas você se lembra de algum momento em que viu a Rihanna rindo, sem ser fazendo pose ou como se estivesse de saco cheio do lugar? Mila Kunis consegue a façanha de ser a mulher que os homens querem ter ao seu lado, mas também a que as outras mulheres gostariam de ser, e por isso mesmo é a nossa primeira escalada.

As opções: Jennifer Lawrence, Isla Fisher, Anna Faris, Emma Stone, Shailene Woodley, Jane Levy e Kaley Cuoco.

Talvez essa seja a categoria onde é mais fácil reparar a tendência que Hollywood tomou desde os dez anos do último filme das Panteras de exigir suas novas estrelas cada vez mais jovens. Estamos vindo de um ano em que a Jennifer Lawrence ganhou um Oscar por interpretar uma viúva mesmo tendo 22 anos, pelo amor de deus. Já no primeiro As Panteras, Drew Barrymore era a mais jovem do elenco com 25 anos, e como novos tempos requerem novas regras, Anna Faris e Isla Fischer já perdem a cabeça nesse exato momento (e segurem os seus queixos ao descobrir que a Isla mesmo com essa carinha tem 37 anos).

No entanto é preciso lembrar que a nossa Pantera escalada precisa convencer como mulher guerreira com um pouco mais de credibilidade do que Wanessa Camargo no mundo dos games no clipe de Eu quero ser o seu amor.

wanessa

Então a it girl do momento Shailene Woodley e Jane Levy rodam por eu ainda ter que desviar das suas séries adolescentes horríveis em alguns canais da TV a cabo (e também porque a gente sabe que apesar da atuação incrível em A Morte do Demônio, Jane Levy ainda é mais reconhecível como uma Emma Stone dos pobres).

Kayley Cuoco até o momento tem na carreira como único ponto alto ter namorado o Henry Cavill, no que eu imagino ter sido uma macumba muito bem feita, e entrou aqui mais mesmo pra perder porque eu ficaria danado se depois de anos o reboot dos filmes fosse ter no elenco a estrela de uma das piores comédias no ar (toma essa, bazingueiros).

Temos então a disputa entre as já citadas Emma Stone e Jennifer Lawrence, rainhas de gifs do tumblr e de entrevistas auto depreciativas. Confesso que quando bolava o elenco das Panteras nas minhas mesas de bar eu já tinha a Emma dada como a mais certa nesse elenco. É inteligente, bonita, sabe rir de si mesma e cai como uma luva no charme que a Cameron trabalhava no primeiro filme (embora de uma maneira menos sexualizada). Mas o passar do tempo me levantou a seguinte dúvida: será que a Jennifer Lawrence não faz tudo isso e todo o resto necessário para ser uma Pantera de um jeito muito melhor?

E é por isso que Jennifer Lawrence se junta à Mila Kunis e é a nossa segunda escalada do elenco. E para quem acha que é irreal até em sonho a ideia de que ela toparia um filme das Panteras depois ter ganhado Oscar, é só lembrar que ela tem um filme do X-Men saindo ano que vem, então o critério não tá tão alto. E não é como se os papéis pós-Oscars fossem conhecidos pela sua sofisticação.

E a última seleção do trio:

As opções: Selena Gomez, Rinko Kikuchi, Zoe Saldana, Alice Braga, Kerry Washington e Freida Pinto.

Infelizmente não deve ser novidade para ninguém a falta de oferta de papéis estrelados por garotas de cor nos Estados Unidos. Kerry Washington é a primeira negra a estrelar um drama de TV aberta em 40 anos, o que é um dado tão assustador quanto decepcionante. O primeiro As Panteras já tinha uma outra raça representada no grupo pela presença da Lucy Liu, o que é legal de pensar que isso veio de um filme de estúdio grande enquanto séries de vanguarda não fazem ideia do que é ter uma negra no elenco (sim, eu estou falando de Girls). O único problema da Kerry, apesar de eu amá-la de todas as formas possíveis, é que seus 36 anos a colocariam um pouco distante das outras colegas de elenco, destoando da uniformidade do grupo.

Zoe Saldana é uma das primeiras mulheres negras a vir à cabeça quando se pensa em cinema de ação e grandes franquias, e por isso mesmo é decepcionante pensar que um papel que poderia fazer muito mais por outra caísse nas mãos de alguém que, vamos combinar, é um pouco sem graça.

Eu gostaria muito que a Freida Pinto tivesse uma alma, porque em matéria de beleza ela seria um complemento incrível para as outras duas, mas dá pra confiar em uma mulher que era a única atriz feminina em um filme onde disputava espaço com macacos de CGI e mesmo assim ninguém nem se lembra da presença dela?

Rinko Kikuchi mostrou recentemente que pode combater homens de igual para igual em Círculo de Fogo (a menos que esses homens lutem com palavras rebuscadas em uma bela pronúncia em inglês, mas nada que um bolsão da Wizard não resolva). O que pesa contra a Rinko, no entanto, é a falta de novidade que seria preencher a vaga da menina de cor com uma asiática mais uma vez, por mais injusto que isso seja (não odeiem o jogador, odeiem o jogo).

E chegamos então à batalha das latinas. De um lado Selena Gomez, na flor da idade puxando o limite o quão longe se pode chegar no show business mesmo tendo um talento mediano em tudo o que faz, apenas por ter sido a menina mais bonita a já ter saído dos estúdios Disney. Do outro, nossa representante nacional Alice Braga, que está provavelmente a uns dois filmes de pedir arrego no cenário internacional e vir vender Avon no Brasil como atriz de Hollywood, mas que mesmo assim continua sendo a brasileira mais bem sucedida no cinema internacional em muito tempo.

Selena Gomez tem o trunfo de só namorar um homem que seja mais famoso do que o anterior, e você tem que dar crédito a alguém tão dedicada a sua própria carreira que se sujeita a fazer uma escadinha de namorados insuportáveis só pra ver se ganha de rebarba um pouco de simpatia das barrigudas fãs de Demi Lovato.  Por outro lado, quão delicioso seria Alicinha Braga, que despontou para o sucesso com um cabelo chorando por um corte em Cidade de Deus, pegar o papel de uma das três anjas depois da afronta de termos Rodrigo Santoro passando pelo filme sem dar nenhuma palavra?

Por motivos de dívida histórica, Alice Braga é a vencedora desta terceira categoria e se junta a Jennifer Lawrence e Mila Kunis para a nova formação de As Panteras.

Tem outra formação ou acha que nenhuma das mencionadas são merecedoras do título? Tem saudades do tempo que Kelly Rowland achou uma boa estrear nas telonas? Divida com a gente nos comentários =)

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