Investigando: A Brit Marling faz só o mesmo filme?

A primeira vez que vi um filme da Brit Marling foi no Festival do Rio de 2011, e o filme em questão era  A Outra Terra. Era impossível assistir ao filme e não sentir uma aura Jennifer Lawrence de garota bonita que estoura em seu primeiro filme e começa uma carreira em estúdios maiores. Não aconteceu, e não só ela continuou em produções pequenas como fez questão de manter o seu papel triplo como roteirista, atriz e produtora.

Agora já com o seu terceiro filme sendo disponibilizado em downloads e em catálogos nos vôos de avião após uma trajetória de pouquíssima bilheteria nos Estados Unidos (mesmo com um elenco bem mais famoso do que de costume), já podemos considerar Marling como alguém recém saída do time de novatas de Sundance na tentativa de uma carreira com credenciais indies bastante respeitáveis, mas que lança a seguinte pergunta: será que esse potencial é realmente justificado ou ela está apenas fazendo o mesmo filme todas as vezes?

Não é incomum nem condenável que um cineasta tenha uma marca própria como algum tipo de assinatura. A da Sofia Coppola é colocar a protagonista com a cabeça no vidro do carro e fingir que isso é arte. É tudo em troca de uma identificação visual que faça com que o seu produto de nicho seja reconhecível para os seus fãs ainda mais seletos. No entanto, assistir a The East facilmente se tornava um exercício de descobrir se ela estava emulando um dos seus dois filmes anteriores, ou qual deles.

Para descobrirmos a resposta para esse iminente dilema, nossa investigação será dividida em categorias que levam em conta os elementos que todos os seus três filmes (A Outra Terra, Sound of My Voice e The East) possuem em comum (ou não), e veremos se os resultados comprovam que em diversos momentos os filmes apresentam as mesmas características ou se nada passa de uma suspeita falha. Atenção: embora eu tenha evitado ao máximo contar mais do que os trailers entregam, cuidado com pequenos spoilers abaixo.

Veredicto: Não, Brit Marling não está fazendo o mesmo filme vez após vez. Apesar dela inegavelmente ter usado elementos similares em todos os seus filmes, The East aponta para uma direção um pouco maior e mais bem resolvida do que seus trabalhos anteriores. Pode não ter o high concept de seus outros dois filmes (afinal, você prefere ver um filme com uma outra terra rolando ou um thriller ecológico?), mas com certeza é o seu trabalho de atuação com maior alcance dos três por podermos acompanhar a evolução de sua personagem ao longo de diversas situações feitas para testar suas crenças, no que a princípio é mais uma história de infiltrada que se afeiçoa aos inimigos, mas que desconstrói esse clichê mais para o fim do filme.

Se seus filmes parecem similares é porque é notável a preocupação que ela tem ao abordar temas que nunca deixam de lado as implicações humanas de suas histórias, o que talvez seja o seu maior problema no momento em que prioriza isso à construção de um roteiro mais bem trabalhado em relação a plot e reviravoltas. Mas é fácil passar por cima de tais problemas quando pensamos no frescor que é ter uma garota inteligente, bonita e ambiciosa que decidiu não abrir mão (até o momento) do poder de controle que possui sobre quais projetos quer desenvolver e como quer que seus papéis femininos sejam representados (fica a recomendação aqui para que pesquisem suas algumas de suas entrevistas, ela tem muitos bons pontos sobre a oferta de papéis para mulheres no cinema). Que venham seus próximos filmes.

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1 comentário

  1. Brit Marling me conquistou desde o momento que vi “A Outra Terra” (creio que foi o título que escolhi para abrir o ano de 2012). Os dois filmes seguintes que ela realizou e que são citados nesta postagem realmente apresentam alguns pontos em comum, mas são obras bem diferentes entre si e igualmente ótimas. Fico feliz por Brit ter despontado já em início de carreira, pois ela é um tipo de artista que anda em falta no cinema americano contemporâneo. Vale frisar que ela também esteve como coadjuvante de “Sem Proteção” e “A Negociação” e em ambos ela também manda muito bem.

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