Analisando o trailer: “Frozen”

Ontem a Disney divulgou o trailer do novo filme “Frozen“, que no Brasil ganhou o absolutamente necessário subtítulo “Uma Aventura Congelante”. No entanto, muito pior que um subtítulo cafona é um filme inteiro cafona. E o trailer da animação me decepcionou bastante ao confirmar que isso:

De fato não tem nada a ver com isso:

No mínimo deprimente que a Disney parece não ter mais confiança com as suas próprias habilidades e prefira apostar em uma comédia descompromissada em vez de uma história épica como essa tinha potencial para ser (potencial porque é vagamente inspirada em “A Rainha da Neve” de Hans Christian Andersen). Se você ainda não assistiu o trailer, aqui o link para ver, enquanto faço algumas observações.

Começamos o trailer com esse plano geral do castelo/reino de Arendelle.

Deveria ser algo grande e majestoso, mas a sensação de ser tão parecido com o universo de “Enrolados” tira um pouco do impacto dos traços.

Apesar de que, devo admitir:

Isso sim é bem bacana.

O trailer segue com algumas curtas sequências introduzindo os personagens e um pouco mais do lugar em que vivem. Acompanhando as notícias de produção do filme, eles comentam sobre a viagem da equipe para lugares gélidos como Canadá e Noruega a fim de buscar inspirações. Mas existe um lugar mais reminescente de um “reino de gelo” do que a própria Rússia? Precisa ir mesmo pro Canadá? Era promoção do Peixe Urbano?

A Disney pode bancar a ingênua, despistar os espectadores com algumas pistas aqui, um figurante com um sotaque ali…

Mas esse Duque não me engana. Com certeza é uma clara referência ao Yuri Lotman, teórico de estudos da semiótica da cultura da Escola de Tártu-Moscou. Obrigado por espalhar conhecimento, Disney! Sabia que você deixaria essa rivalidade trivial contra a Rússia pra trás. Gorbachev agradece.

Em seguida, somos apresentados ao Kristoff, personagem dublado por Jonathan Groff (que fez alguns episódios de Glee, como o sub-vilão Jesse).

Ok, o personagem está bem desenhado, não tenho críticas. O meu único pesar é quanto a mania recente que o estúdio tem de antropomorfizar demais os animais. Por exemplo, por quê teimar em animar os cavalos (ou renas) como se fossem tão humanos como os donos?

  

Soa muito repetitivo diante do cavalo de “Enrolados” que, por sua vez, já recordava bastante o Buck de “Nem Que a Vaca Tussa” (e acho que ninguém deveria se inspirar em “Nem Que a Vaca Tussa”). Esses de “Frozen” não têm o charme e ainda perdem as gags cômicas. Ou seja, bastante inúteis.

Em compensação, quem é bastante recorrente no vídeo é o homem da neve Olaf (dublado por Josh Gad). A criatura surge em diversos momentos, fazendo várias “piadas” ao fato de seu corpo ser facilmente desmembrável e ao fato de ser… bem, de neve.

As tiradas não têm graça alguma, já que ele parece ter sido pré-fabricado apenas pra ter o seu próprio brinquedo ou um parque temático na Disneylândia. Aliás, terrível essa tendência de criar um alívio cômico que não é cômico. Durante todo o tempo que vi Olaf em ação, o meu sentimento foi de:

Exatamente.

Sem mencionar a qualidade dos diálogos, com alguns vícios de linguagem como “really” e “seriously”, ou algumas frases-de-efeito que simplesmente não fazem o menor sentido.

-Hã?

Com esse nível do texto, não duvido que o filme vai vir recheado de trocadilhos, como “be cool”, “allow me to break the ice”, “cool party” e trechos assim.

Por fim, temos a Anna (dublada por Kristen Bell, a Veronica Mars) e sua irmã Elsa (Idina Menzel, também de “Glee”). Curioso como o vídeo parece esconder Elsa, não é? Olhando apenas pelo trailer, parece que a história é mais uma comédia romântica entre Anna e os “príncipes” do que uma relação entre irmãs. Uma pena que a Disney tenha que depender dessas estratégias pra vender o tipo de filme que o público quer ver mesmo não sendo o desenho que de fato é.

Bom, mas talvez eu esteja amargurado demais. Afinal de contas, ainda nem vi o filme. Essa é apenas a minha primeira impressão ao trailer, a uma “visão” maior da animação, mas não consigo esconder a minha decepção por muito dos traços e artes iniciais terem sido abandonados a troco de uma animação que remete tanto à “Enrolados”.

“Ah, mas a Pixar fez isso durante quase toda a sua filmografia e ninguém reclamou”. Mas isso porque os protagonistas eram sempre diferentes entre si: peixes, brinquedos, insetos, carros, robôs… Apenas poucos realmente foram protagonizados por humanos (e mesmo assim levou um bom tempo pra tanto).

Uma pena que depois da crise criativa anunciada em 2004, a Disney só tenha conseguido acertar nas suas produções com “Bolt” em 2008, “A Princesa e o Sapo” em 2009 e “Detona Ralph” em 2012 (com os dois primeiros sendo apenas bons filmes). Vejamos como vai se sair “Frozen”.

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3 comentários

  1. E as músicas? kkkkkk Porque o Jonathan Groff e a Idina Menzel (Elphaba e Rachel Berry mãe) não foram escalados a toa. A questão das músicas na verdade me agrada, porque Enrolados tem ótimas músicas, mas eu prefiro assistir Frozen achando que vai ser um lixo, como foi com Detona Ralph, porque vai que me surpreende? Ou não rs.

  2. Sim, o fato de ser um musical também tava me animando, mas é aquela velha história: espero por um musical digno da Era de Ouro da Disney, mas daí vem uma comédia chinfrim… O único que eu realmente gostei foi A Princesa e o Sapo, mas nem é pra tanto assim.

    PS- Detona Ralph eu amei! E o pior é que também fui assistir esperando que fosse ser ruim, rs. Tomara que me surpreenda assim com Frozen

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