Top Melhores Filmes de Alfonso Cuarón

Hoje estreia em circuito nacional “Gravidade“, o mais novo filme de Alfonso Cuarón e provavelmente o filme mais esperado do ano. Desde 2011 Cuarón adiou a estreia do projeto para o ano seguinte devido a todos os tipos de dificuldade que passou durante a produção do filme. Pense em qualquer uma e ele provavelmente encontrou problemas.

(clique em Leia Mais e veja nossa seleção dos melhores filmes do diretor)

Pós-produção? O filme ficou 4 anos em processo de desenvolvimento devido ao preciocismo de Cuarón e sua equipe técnica em retratar com fidelidade a “atmosfera espacial” da história. Os envolvidos tiveram tantaa ambição e certeza de sua visão que tiveram de esperar alguns anos para que tivessem à disposição avanços tecnológicos apropriados para criarem a estética do filme (incluso na equipe o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, responsável por verdadeiros delírios visuais, como “Filhos da Esperança“, “O Novo Mundo“, “A Árvore da Vida” e “Desventuras em Série“).

Problemas de elenco? Também. Foram pensadas para o papel, mais notadamente, Angelina Jolie (que desistiu ainda no início) e Natalie Portman (que rejeitou o papel por causa da sua gravidez). Depois Cuarón procurou quase todas as atrizes em ativa em Hollywood: Rachel Weisz, Marion Cotillard, Carey Mulligan, Scarlett Johansson, Blake Lively, Sienna Miller… Por fim, o papel acabou nas mãos de Sandra Bullock. Um ícone desse blog desde o longínquo 2008.

Todas as candidatas foram mulheres de perfis diferentes, nacionalidades diferentes e idades diferentes, mas algo tinham em comum: eram mulheres. O que nos leva ao terceiro problema de produção: interferências do estúdio e mudanças no roteiro. Os executivos da Warner queriam que Cuarón transformasse a personagem de Sandra em um homem, sob o argumento de que “venderia melhor”. O diretor, no entanto, lutou para que a protagonista continuasse sendo uma mulher. Em uma coletiva na Comic-Con ele disse “sempre foi importante para nós que a personagem central fosse uma mulher, porque nós sentíamos que havia uma correlação vital, mas subestimada, dela como uma presença materna contra o pano de fundo da Mãe Terra”.

Com isso em mente, deve-se ressaltar que “Gravidade” é um dos pouquíssimos filmes exibidos esse ano em que a protagonista é uma mulher. Não é a mãe, não é esposa, não é namorada de ninguém, mas sim a verdadeira dona da história. Poucos filmes de ficção (excetuo aqui documentários e animações) ofereceram essa importância à imagem da mulher: “Blue Jasmine”, “Frances Ha”, “As Bem-Armadas” e “Mama” (com “O Abismo Prateado” e “Flores Raras”, à exemplo nacional). Como vocês talvez tenham percebido, a maioria desses filmes são menores e estreiam apenas em circuitos alternativos. O que chega a ser injusto, já que ao mesmo tempo que tivemos o verão americano dominados por homens e testosterona (“Círculo de Fogo”, “Homem de Ferro 3”, “Elysium”, “Guerra Mundial Z”, “O Homem de Aço”, “Wolverine Imortal”, “A Invocação do Mal”, “O Grande Gatsby” entre outros), o único grande lançamento feminino foi “As Bem Armadas”. E longe de ser um evento isolado, essa “tendência” ocorre há no mínimo 25 anos nos cinemas americanos, como bem analisou esse interessante artigo da Vulture.

Por isso, a expectativa em torno de “Gravidade” é tão grande. Para um filme que promete ser um marco revolucionário artístico como “Blade Runner”, “Gravidade” não decepcionou. Com invejáveis 96 pontos no Metacritic, 97 pontos no Rotten Tomatoes e com uma avaliação de A- no Cinemascore (veículo que mesura notas dadas pelo próprio público que acabou de assistir o filme nas salas), a produção terminou por conseguir gigantescos U$55,6 milhões na sua semana de debut, garantindo um novo recorde para uma estreia em Outubro (superou o antigo titular “Atividade Paranormal 3”, com U$ 52,6 milhões). Levando em consideração o Efeito Sandra Bullock (todos os filmes estrelados pela atriz costumam ficar semanas e mais semanas a mais em cartaz, o que os especialistas da Forbes se referem como The Very Long Legs Factor) é capaz que esse número aumente consideravelmente até sair de cartaz.

Há também o fator Sandra Bullock. E com isso, quero dizer que os filmes da Bullock, não importa quão grande sejam suas estreias de abertura, geralmente têm pernas muito longas.

Até as suas grandes sucessos, “A Proposta” (4.9x = $33/$163m), “Um Sonho Possível” (7.5x = $34m/$255m), e “As Bem Armadas” (4.ox = $39m/$159m), tiveram trajetórias absurdas mesmo com as suas grandes estreias. Então, se “Gravidade” tiver uma performance Bullockiana menor, nós estamos olhando para o multiplicador 3.5x fins-de-semana-até-o-total, que resulta cerca de U$ 195 milhões domésticos (apenas nos EUA) para o thriller que custou apenas U$80 milhões. Obviamente se apresentar uma performance Bullockiana maior, nós teremos algo entre U$223m a até (uh!) U$419m.

Claro que tratam-se apenas de especulações, mas quem imaginava que algo similar ocorreria com “Um Sonho Possível” em 2009, quando o filme surpreendeu o mercado inteiro ao ser o primeiro filme encabeçado unicamente por uma mulher a quebrar a barreira de U$200m domésticos?

Mas a carreira de Sandra Bullock não é o ponto deste post (talvez de um outro futuramente). O tema em questão aqui é a expectativa a cerca de “Gravidade” e dedicação ambiciosa que Cuarón teve ao cuidar do filme durante todo esse tempo.

Como homenagem a uma das maiores estreias do ano, realizamos esse top relembrando toda a filmografia do diretor. Do pior ao melhor, vamos começar nossa seleção dos melhores de Cuarón.

Em último lugar, ficamos com a adaptação contemporânea do romance de Charles Dickens, “Grandes Esperanças“. Embora seja um belo filme dirigido com uma fotografia espetacular (de novo, trabalho do sempre incrível Lubezki). Cuarón cria uma estética interessante, que chama a atenção pelo detalhe: a sempre presença da cor verde.

Mas que acaba se tornando uma muleta visual de tanto que é repetida. O encantamento diminui com o tempo, na segunda vez…

… Na terceira vez…

… Na quarta vez… E por aí vai.

Pra resumir, é um filme  bonito visualmente, mas pobre emocionalmente. Acompanhamos a trajetória dos personagens tão rapidamente que não conseguimos nos importar direito com os personagens e em vez de pensar “quais seriam os motivos que levam Gwyneth Paltrow a ter problemas para se relacionar?”, eu penso “mas será que só tem verde no armário dela?”.

Pelo amor de Deus, Cuarón. E se eu fosse daltônico? Já ouviu falar em cinema inclusivo?

Sem mencionar que esse foi o começo do declínio de Robert De Niro como ator. Logo depois desse filme, veio “Máfia no Divã“, “As Aventuras de Rocky e Bullwinkle“, “Entrando Numa Fria Maior Ainda” e “Showtime“. Ou seja, só ladeira abaixo.

Não que Gwyneth ou Ethan Hawke tenham feito muita coisa memorável depois disso… Ou antes também.

Nunca é tarde para devolver o Oscar, Gwyneth.

Em penúltimo lugar temos “Sólo con tu Pareja“, a estreia do Cuarón como diretor em 1991. O filme, apesar de ter como trama um publicitário mulherengo que acredita ter contraído AIDS, é uma comédia alto astral e bastante divertida (acredite se quiser). Os clichês sempre presentes no gênero aqui são usados como um recurso estilístico. Por exemplo, o casal de amigos do protagonista só conversa entre si usando ditados populares, discutem com expressões em latim e reconciliam com frases de efeito.

Uma tendência que Cristina Rocha tentou trazer para o Casos de Família no SBT, mas foi vetada.

Por ter uma história simples, Cuarón a divide em três atos e introduz cada um com cantos infantis (ou leis da física) pra tentar criar um universo mais campy e debochado.

cuaron01

Um humor que se beneficia de uma trama simplista pra dar um tom diferente ao filme. Uma estreia tímida, mas com muito potencial do diretor.

Talvez alguns se surpreendam, mas honestamente não vi graça em “E Sua Mãe Também“. É um filme bom, com uma história melhor desenvolvida que alguns de seus filmes anteriores, mas ainda assim é meio pobre.

O longa é um road movie “erótico” que sai do nada (as poucas experiências sexuais de Gael Garcia Bernal e Diego Luna) e termina em lugar nenhum (eles negam e abafam qualquer sentimento que exista entre eles dois). Não funciona como uma trama sobre o amadurecimento sexual juvenil, não funciona como romance gay, nem muito menos como experimento subversivo. Se não fosse por Gael desenvolvendo uma aura fetichista, eu diria que o filme é completamente desnecessário.

Aliás, completamente desnecessário não, porque este foi o primeiro grande papel de Maribel Verdú. Ela viria a chamar atenção novamente em “O Labirinto do Fauno” (de Del Toro) e mais recentemente em “A Branca de Neve“.

Bom, vejamos assim. Pelo menos o filme-com-Gael do Cuarón é melhor que o filme-com-Gael do Iñárritu. E pra quem gosta de ficar comparando “os três amigos mexicanos” (Cuarón, Iñárritu e Del Toro), isso já é alguma coisa.

A Princesinha” foi a primeira estreia no mercado Hollywoodiano. E que belo começo pra Cuarón! Se o que falta em “Grandes Esperanças” é emoção e encantamento, é exatamente o que este filme tem de sobra. Também adaptado de uma obra literária (baseado no romance de Frances Hodgson Burnett), o filme é um charme. Se fosse descrever ele, seria algo mais ou menos assim…

Uma pena que o filme tenha passado longe do apelo de qualquer uma das duas meninas prodígios daí de cima e acabou perdendo destaque dentro da própria filmografia de Cuarón, mesmo sendo um de seus melhores longas.

“A Princesinha” merece pontos extras também por gerar buzz anos mais tarde, com direito a um “onde ela está agora?”, fofocando sobre a atriz Liesel hoje em dia e como ficou milionária graças a diversos processos que ganhou na justiça.

Uma pena que, agora que ficou endinheirada, a chance dela seguir o caminho de qualquer sub-celebridade que não arranja mais trabalho (ou seja, mostrar suas curvas em notinhas no Ego) são praticamente nulas.

O terceiro filme da franquia Harry Potter é considerado por muitos, inclusive por vários fãs, como o melhor capítulo da série no cinema. Pessoalmente, é também o meu filme favorito e muito se deve à visão única de Cuaron em fugir um pouco do protocolo e pragmatismo dos diretores britânicos.

Alguns fãs criticam a decisão de Cuarón em colocar o trio protagonista com roupas normais em vez de uniformes da escola. Mas que de outra forma os personagens poderiam melhor expressar a sua individualidade? São pequenas liberdades formais feito essa que acabam dando ao filme de Cuarón um ar mais informal e, ao mesmo tempo, autoral.

Ele prefere dedicar vários minutos da projeção a Harry e sua gravata desajeitada voando nas costas de Bicuço, em vez de seguir à risca páginas e mais páginas como Chris Columbus fez nas suas chatas e desinspiradas traduções dos livros (porque é exatamente isso que são as duas primeiras partes da série, traduções corretas dos livros).

O diretor ainda foi além e acrescentou alguns elementos ao universo dos bruxos, como as cabeças falantes do Nôitibus Andante, com aprovação da própria J . K. Rowling, que afirmou “gostaria de ter pensado nisso antes”.

É, Rowling. Temos certeza que você está sofrendo por isso, enquanto se debulha em lágrimas na sua fortuna estimada em míseros U$ 12 bilhões.

Não deveria ser surpresa que “Filhos da Esperança” é mesmo o melhor filme já feito por Cuarón. Absolutamente tudo apresentado é impecável. A trama é cativante e envolvente, a fotografia é magnífica (de novo, Lubezki), as atuações são emocionantes e a direção é simplesmente incrível: a sequência sem cortes em que ele acompanha Clive Owen dentro de um prédio em guerra civil até sair no meio da rua escoltando uma adolescente é, sem nenhum exagero, uma das melhores e mais importantes cenas da história do cinema.

Aliás, a ausência de “Filhos da Esperança” no Oscar e em outras premiações em 2006 (ganhou apenas uma indicação em Roteiro) será visto como um grande erro no futuro. As pessoas vão olhar para trás e achar um absurdo como o filme passou sem mérito nenhum, da mesma forma como as pessoas fazem hoje com filmes do Kubrick (no prêmio pessoal do blog, no entanto, o filme foi vitorioso em 5 categorias: filme, direção, roteiro adaptado, cena e fotografia).

A verdade é que faltam adjetivos para descrever um filme como “Filhos da Esperança”. É um daqueles exemplos de filme que você não descreve, você assiste. E se maravilha.

E você? Empolgado com “Gravidade”? Ou discorda de alguma opinião do post? Comente abaixo!

Anúncios

3 comentários

  1. Não guardo o nome deles, tem um ou outro que sei quem é e sei alguns (poucos) nomes de produções deles, mas é sempre engraçado quando tem filmes que você adora e daí descobre que é de um mesmo diretor.

  2. Adorei o esquema de A Princesinha.

    O único filme do Cuarón que assisti foi o do Harry Potter, e na época eu já tinha achado o filme ótimo sem nem saber que era um diretor diferente dos dois anteriores.

  3. Children of Men é um daqueles filmes que não está longe de ser o reality show que você pode obter com o novo estilo de vida para muitas gerações, pessoalmente o trabalho de Clive Owen parece muito importante, não tinha visto outro filme que vai gostar de mim, até que ele começou a série The Knick que participa, que assim como a personalidade do ator, é muito enigmática e tem o toque perfeito de suspense para atrair.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s