O melhor e o pior de filmes com uma premissa absurda

Existe um termo em inglês, High Concept, que é usado para descrever filmes com uma premissa tão única e intrigante que pode ser descrita em uma só frase, e geralmente se tornam o carro chefe usado para vender o filme (É o Ryan Reynolds enterrado num caixão o filme todo). Mais do que qualquer coisa, o interesse maior do público é saber como e se tal premissa será sustentada por duas horas de filme (e spoiler: nem sempre dá).

Inspirado pela recente estreia de Gravidade, que felizmente não entraria no lado negativo desta listagem, resolvemos listar para vocês, nossos leitores, alguns exemplos do que há de melhor e pior nesta prática tão antiga quanto o tempo de vender um filme baseado numa premissa absurda.

Lembrando que os filmes não estão em nenhuma ordem de preferência e não representam os melhores/piores filmes do gênero, só alguns exemplos que me foram vindo à mente durante a preparação da lista.

O Chamado (The Ring, 2002)

A premissa: Uma fita de vídeo amaldiçoadíssima que mata a quem assiste depois de sete dias.

Consegue sustentar? Sim.

Como? O Chamado tem uma premissa tão interessante que logo na primeira vez que você ouve algumas perguntas já surgem, como por exemplo “quem mata?”, “como?”, “por que”?, “e se fosse comigo?”, o que já cria um grau de identificação com a história que funciona ainda melhor pelo fato de ser um filme de terror. Outro ponto positivo é que já sabemos logo de cara que a nossa heroína tem sete dias de vida, o que faz com que assistamos o filme inteiro já com a sensação de que o clímax já foi estabelecido desde o início e que tudo o que acontece antes é uma preparação para ele. E antes que vocês apontem que o crédito é da versão original, já é 2013 e podemos mandar a real: o japonês é um saco.

Uma Noite de Crime (The Purge, 2013)

A premissa: E se anualmente, em apenas uma noite do ano, toda forma de crime fosse legal durante 12 horas?

Consegue sustentar? Não.

Por que? Uma Noite de Crime (cujo título nacional cabia muito bem como nome de documentário do Robert Downey Jr nos 90s) acerta em algumas coisas, mas nunca consegue expandir sua premissa para todas as implicações que logo de cara nos vem à mente. Essa noite de crime significa que empresas poderiam fazer transações fraudulentas, ou despejar toneladas de lixo na natureza? Os pobres todos morrem por não terem dinheiro para se protegerem? Nunca chegamos a saber, porque ficamos presos acompanhando uma família chata fazendo um revival de Os Estranhos da Liv Tyler (apesar de que colocar o pai da família como vendedor de segurança privada foi uma das poucas jogadas certeiras do filme).

Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993)

A premissa: Um homem descobre que ao acordar pela manhã está vivendo o mesmo dia, todos os dias.

Consegue sustentar? Mil vezes sim.

Como? Sendo um dos melhores roteiros americanos já escritos e a bíblia de qualquer high concept que queira ter um décimo da genialidade desse. Nunca um roteiro criou um universo tão específico e explorou todas as possibilidades criadas pela própria história que estão contando, que mesmo com uma forte pegada de comédia romântica trata de tudo aquilo que perdemos a chance de fazer por esquecermos que a vida é composta por cada um dos dias que vivemos, não por apenas um emaranhado de lembranças boas.

O Amor é Cego (Shallow Hal, 2001)

A premissa: Um homem superficial é hipnotizado e só consegue enxergar a beleza interior das pessoas

Consegue sustentar? Não.

Por que? Todas as gags envolvem o fato de que ele namora uma mulher gorda sem estar ciente disso. Ela quebra cadeiras, desafia as leis da física pulando em uma piscina e literalmente fazendo com que uma criança voe para uma árvore, além de uma das capas do filme ser essa aqui, ó:

O que no fim das contas, quando o filme termina com uma mensagem de que o importante é amar a pessoa não pelo que ela aparenta ser, mas sim pelo o que é por dentro, fica uma sensação de que é impossível cair nesse papo visto que passamos as duas horas anteriores fingindo rir do fato dela ser gorda, mas ter o físico da Gwyneth Paltrow.

Serpentes a bordo (Snakes on a Plane, 2006)

A premissa: I`VE HAD IT WITH THIS MOTHERFUCKING SNAKES ON THIS MOTHERFUCKING PLANE.

Consegue sustentar? Você quer dizer se eles conseguiram fazer um meme virar filme e dar certo? Não.

Por que? Serpentes a bordo é um dos casos mais atípicos de “sucesso”, e que foi um dos pioneiros na relação de redes sociais com projetos de nicho. Tudo começou quando alguém viu que um filme com um nome tão ridículo estava sendo feito, a piada foi passando e de repente o estúdio estava injetando mais dinheiro porque todo mundo só conseguia falar no filme em que o Samuel L. Jackson ia ter um bordão sobre matar cobras. Claro que quando o filme estreou a piada já estava gasta, a bilheteria decepcionou e o resultado final… bom, era uma bosta mesmo.

Náufrago (Cast Away, 2000)

A premissa: Tom Hanks é um náufrago em uma ilha e fala com uma bola de volêi.

Consegue sustentar? Todos nós sabemos que sim.

Como? O apuro técnico do Robert Zemicks e talento de preencher a tela doTom Hanks, basicamente. E eles fizeram a gente chorar com o que eu assumo ter sido o merchandising mais caro da história do cinema, pelo amor de deus.

Celular – Um Grito de Socorro (Cellular, 2004)


A premissa: Um Jovem atende uma ligação de uma mulher que foi sequestrada. Se a ligação cair, ela morre.

Consegue sustentar? Para a surpresa de todos, sim. \o/

Como? Deus, que filme ótimo. Todo o negócio de juntar os fios do telefone pra ligar para um número aleatório já é maravilhoso por si só, mas o maior acerto do filme é saber que por mais que eles tenham que desenvolver essa premissa, o filme é a premissa e vai testá-la de todas as formas possíveis, como com celular descarregando, áreas sem sinal e etc. Também é bom ver que por mais absurda que a história seja, o filme consegue nos fazer crer que naquele contexto, com o Chris Evans atendendo o seu celular, tudo aconteceria exatamente daquele jeito.

Mar Aberto (Open Water, 2004)

A premissa: O barco de turismo largou dois mergulhadores para trás e eles vão ficar sozinhos no mar.

Consegue sustentar? Não.

Por que? Olhando em retrospecto, o que eu achava que podia sair disso? O filme na época era descrito como um exercício de tensão, ou A Bruxa de Blair na água, mas vamos falar a verdade? Por mais tenso que seja se imaginar nessa situação, é uma hora e meia de gente na água pra nenhuma recompensa no fim. Se você imaginar a premissa por alguns instantes é capaz de chegar a resultados bem mais assustadores/criativos por conta própria, sem precisar ficar checando o relógio de cinco em cinco minutos.

E você, tem alguma premissa absurda que adora? Odeia? Entendi tudo errado e não consegue escapar de O Amor é Cego até hoje quando passa na sessão da tarde? Manda bala na caixinha de comentários aqui em baixo.

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