Jogo de Carta: As Queridinhas da América

A essa altura todos já viram a entrevista em que, quando perguntada sobre a entrada de Jennifer Lawrence ao seleto grupo de Queridinhas da América, Julia Roberts responde “ela não parece ser cool demais…?”.

Nós não vamos debater a legitimidade do processo de seleção, até porque há candidatas que tinham um grande potencial e tropeçaram feio diante das expectativas (sim, estamos olhando para você Katherine Heigl). Além disso, nós não estamos nos anos 90 e os padrões daquela época para se tornar uma queridinha parecem ter se alterado (só comparar as mais novas aspirantes, Jennifer Lawrence, Emma Stone e Mila Kunis, com algumas titulares dos anos 90, como Meg Ryan e Sandra Bullock e reparar que, conforme as gerações passam, a tendência é que as representantes sejam mais e mais sharpies, edgies, enfim, ousadas).

Enfim, o que realmente prendeu nossa atenção é a primeira pergunta que Julia faz:

Exatamente. Você certamente já ouviu essa expressão várias vezes e ligada a muitas outras mulheres. Se realmente existisse um clube das Queridinhas da América (e não vamos eliminar a possibilidade de não existir, porque seriam muitos corações partidos pros cinéfilos de plantão), quantos membros ele teria?

Então tomamos a liberdade de, não só selecionar os maiores nomes comumente referidos a Queridinhas da América (indo desde os anos 30 até 2013), como também fazer um jogo de cartas (uma espécie de Super Trunfo) pra você poder esfregar na cara de seus amiguinhos a tese de que sua atriz favorita “vale mais”, como todo saudável jogo de cartas.

Queridinhas da América

Quanto aos critérios e classificações, nós nos baseamos seguindo esse protocolo:

1) Onde Surgiu? O filme que a atriz participou que mais chamou atenção do público e crítica especializada (preferencialmente um em que a personagem tenha tido um interesse romântico relevante na história, mesmo que esse não seja o gênero do filme). Por exemplo, Reese Witherspoon já tinha chamado atenção em Eleição e Pleasantville, mas só consideramos como destaque sua atuação em Legalmente Loira. As avaliações seguem a partir da qualidade do filme e recepção do público e se o filme ainda tem um lugar especial na filmografia da atriz.

2) Exemplos de “queridismo”? Maiores veículos de sucesso das atrizes. Como o título de “queridinha” é quase que indiretamente associado com o gênero comédia romântica (e por isso a presença de quase todas rom-com queens), demos prioridades para filmes com elementos românticos, mesmo que não seja um romance em um primeiro nível. As notas levam também em consideração os filmes não mencionados (Por exemplo, Julia Roberts tem uma certa reputação em construir sua carreira em filmes do gênero, então por isso ela tem esse item gabaritado).

3) Patrimônio? Qual é o diferencial da atriz? O que a separa de tantas outras para conseguir ascender a essa seleta lista? Em alguns casos é um elemento físico (como um sorriso), um talento específico (saber cantar), mas pode ser também sua atitude (ter um humor autodepreciativo) ou, em casos extremos, o seu legado (como ela é lembrada pelo público, qual a primeira coisa que surge à cabeça quando se lembram dela e por aí vai). Como são qualidades imensuráveis, a distribuição de pontos é subjetiva, mas segue um padrão: se for algo que tem um valor mais longevo e duradouro seu ponto é maior. O penteado “Rachel” foi votado como o mais influente de todos os tempos e isso favorece pra que Jennifer Aniston tenha muitos pontos nesse quesito.

4) Auge profissional? Teve sua carreira carimbada por alguma associação de críticos? Prestigiada por alguma famosa premiação? Ganhou rios e rios de dinheiro produzindo e estrelando o filme X? Qualquer coisa que seja referente ao maior ponto de sua carreira entra aqui. Quanto maior e mais conhecido o prêmio (e maior o número de indicações), maior é a pontuação. A diferença de categoria principal para coadjuvante também é importante (e um dos motivos pelo qual Jennifer Lawrence, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por O lado bom da vida tem uma nota maior que Anne Hathaway, que ganhou Atriz Coadjuvante por Les Miserables).

Alguns nomes cogitados acabaram ficando de fora devido a diversos fatores. Kate Hudson estrelou Como Perder um Homem em 10 Dias e Um Amor de Tesouro, mas são muito poucos os exemplares para ela ser alçada a essa categoria. Caso semelhante o de Renee Zelwegger (Bridget Jones e Abaixo o Amor), porém com o agravante de não ser carismática e ter sido sugada em uma espiral de flopagem a tal ponto de não ser absolutamente ninguém hoje. Outras que quase sobreviveram ao corte foram Amy Adams de Encantada (faltou maior apelo popular e comercial), Rachel McAdams de Diário de uma Paixão (faltou vontade de se vender ao público) e Lindsay Lohan de Meninas Malvadas (faltou bom senso).

Gostaria falar sobre cada uma individualmente, então talvez estenda esse post em 15 partes (um post para cada selecionada), mas depende do retorno. Então se gostou da ideia, faça sua voz ser ouvida!

PS- Uma pequena nota antes de encerrar o post. Talvez você já tenha percebido, mas é curioso como, de todas as 15 selecionadas, nenhuma seja negra? A única a preencher uma certa cota de diversidade é Jennifer Lopez e isso só porque estamos considerando ser latino como uma etnia.

Mais do que serem brancas, quase metade da lista é composta por mulheres loiras (Meg Ryan, Drew Barrymore, Cameron Diaz, Reese Witherspoon, Katherine Heigl, Amanda Seyfried e Jennifer Lawrence). E isso porque outras três ficaram de fora (Kate, Renee e Rachel). Imagina como ficaria o retrato geral se todas tivessem entrado?

O site Jezebel já havia comentado o que o título de “America’s sweetheart” traz implicitamente, mas não deixa de ser triste reparar como todas possuem praticamente o mesmo visual. Halle Berry, Vivica A. Fox, Aisha Tyler, Thandie Newton, Angela Bassett… Embora sejam populares, nenhuma foi descrita pela mídia (ou abraçada pelo público) como uma queridinha, já que em vez de protagonizarem histórias, elas geralmente ocupam uma posição coadjuvante de “melhor amiga negra” (Viola Davis em Noites de Tormenta, Jennifer Hudson em Sex and the City, Jada Pinket Smith em As Mulheres, etc). Aliás, quantas comédias românticas estrelando uma atriz negra você consegue lembrar?

Vamos torcer para que esse cenário mude e consigamos ver atrizes talentosas como Kerry Washington, Paula Patton ou um novo nome como a próxima girl-next-door. Nossa vizinhança precisa disso.

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5 comentários

  1. Sempre tive a impressão que depois de um tempo uma atriz que se torna Queridinha da América acaba meio que sendo deixada de lado, já outras atrizes que são mais Badass como Angelina Jolie entre outras, sempre permanecem na mídia por décadas. Porque será isso?

  2. Fábio, eu acho que é uma mistura entre a vontade de achar uma it girl nova só pra pimpar uma menina mais fresca e também o fato de que pra ser uma queridinha você tem que ser jovem e bonita. Se eles se livram duma Angelina não ia ter mais nenhuma mulher branca pra estrelar filme de ação, e isso é inadmissível pra eles, hahaha

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