Top 05 Musas góticas

Elas pipocam nos cinemas e nas nossas TVs com seus coturnos, roupas pretas e maquiagens pesadas. As aparições estereotipadas de góticas no cinema nos ajudam a entender (um pouco) melhor o que faz uma pessoa que é fã de Nightwish e de lápis preto.

Para o nosso post de hoje, vamos fazer uso do nosso julgamento superficial e raso a respeito das góticas e selecionar as 05 maiores musas do gênero nos filmes. Muito obrigado, góticas do cinema! Agradecemos por nos ajudar a compreender e tornar a sua identidade ainda mais genérica e vaga.

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De antemão já posso dizer que alguns nomes óbvios como Elvira, a Rainha das Trevas está fora da lista. Seria uma vitória muito fácil e muito previsível. Fica aqui como menção especial.

Abrimos o post com alguém que não é um artista, mas um personagem. Lisbeth Salander é a protagonista da série de livros Millenium que foi adaptado para o cinema em duas versões, sueca (interpretada por Noomi Rapace) e americana (interpretada por Rooney Mara).

Apesar das duas interpretarem o mesmo papel, a personagem é bem diferente de um filme para o outro: no filme sueco, Lisbeth é agressiva, inconsequente e indiferente com os outros, enquanto que na versão americana, ela é mais insegura, reclusa e antisocial. Veja que até as tatuagens diferem de um filme pro outro, no primeiro é mais realista e dominante e na segunda um desenho mais chapado e simplista.

Dentro disso tudo, apenas um elemento se mantém entre as duas:

O péssimo gosto pra corte de cabelo. Sim, quem em sã consciência ia cortar o cabelo assim? Que espécie de meia franja é essa?

Que horror. E não dá nem para culpar dizendo “tive que cortar assim por causa do papel risos” porque dá uma olhada em como ela resolveu se vestir pro Oscar.

Que desastre, tá parecendo até a Björk se rebelando das amarras da sociedade.

Claro que a personagem é muito mais do que um punhado de cabelo e perucas arrojadas. Lisbeth Salander ganha espaço aqui na lista por representar uma nova geração de góticas posers/hipsters e por, principalmente, mudar o tradicional modelo da mulher badass nos filmes de ação/suspense. Afinal de contas, ela é a evolução direta de Trinity, é claro.

Tomara que ela não seja salva nos próximos filmes da série como toda mulher co-protagonista, porque aí vai ser um retrocesso frustrante.

Em sequência, temos a protagonista da série Underworld – Anjos da Noite. Na franquia, Kate Beckinsale interpreta uma vampira traficante da morte chamada Selene. Veja bem que não é Se-le-na, senão teríamos ficado com essa aqui:



Mas sim, essa Se-le-ne aqui debaixo:

Quase não tem diferença.

Kate não é necessariamente uma artista gótica off-camera, mas está presente na lista pelo tanto que contribuiu para a classe gótica. Primeiro, ela é uma assassina que luta contra lobisomens e vampiros, seus próprios semelhantes. Ou seja, é uma anti-heroína imersa em uma cultura dark. Só por isso aposto que na estreia do filme só deu cabeludo com camisetas pretas do The Cure, Tristania, além de Blink 182 pros enrustidos.

Aliás, já que estamos falando de roupas, olha só o figurino de Selene:

Tem tanto clichê aí que dá até pra contabilizar pontos por cada peça: uma roupa de couro, um sobretudo por cima, um coturno… Tudo isso sem contar o cabelo pintado de papel crepom preto. Mais batido não dá.

Outro elemento que Kate ajudou a tornar praticamente obrigatório nos filmes de ação: cenas de luta em câmera lenta. Afinal de contas, o filme foi lançado no longínquo 2003 e uma década já se passou depois disso. E vamos lá gente, em 2003 Helena Ranaldi levava umas raquetadas em Mulheres Apaixonadas, Hey Ya do Outkast era primeiro lugar na Billboard e Britney deu um selo na Madonna, enquanto Xtina era ignoradíssima. Já praticamente passou-se um século depois disso.

  

Se a franquia colocou “lutas em câmera lenta” no Manual de Filmes de Ação, ela também se aproveitou bastante da imagem da própria Kate Beckinsale. Imagina o que os produtores fizeram para os pervertidos que assistiam o filme só por causa da protagonista? Veja a diferença dela do primeiro filme…

Para o último:

Veja como ela carrega menos acessórios e como a roupa está mais justa. Daqui a pouco ela vai estar com uma roupa que até Nicole Bahls ficaria com vergonha ao desfilar por aí.

Underworld nem é o único filme do tipo que Kate fez. Tem também aquela bomba com Hugh Jackman, Van Helsing, em que ela luta contra (adivinha?) Conde Drácula e as vampiretes. Repararam na rixa quase pessoal contra vampiros? Daqui a pouco tá enfiando uma bala na testa de Stephenie Meyer.

Em sequência, temos aquela que é praticamente primeira dama das esquisitices, Helena Bonham Carter. Um título que não é muito difícil de perceber porque ela conquistou, né. Só dar uma olhada no marido.

A parceria entre ela e Burton rendeu diversos filmes: Planeta dos Macacos, Peixe Grande, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Alice no País das Maravilhas e muitos outros. E claro que quase todos eles foram responsáveis por torná-la nessa persona dark.

Em Sweeney Todd, ela faz uma confeiteira que usa como recheio de seus doces os cadáveres que seu amante (Johnny Depp) assassina em seu salão de fazer barba. Brutal? E se eu dissesse que ela faz tudo isso enquanto assassina algumas notas musicais também, já que o filme é um musical?

Em Noiva Cadáver, ela não aparece fisicamente, já que o filme é um desenho animado, mas Helena dá voz a uma noiva já morta que se casa com um humano (Johnny Depp de novo).

Em Sombras da Noite, ela interpreta uma psiquiatra alcoólatra que tem um caso de amor com um vampiro (adivinhem quem?) e drena o sangue dele para tentar roubar a sua imortalidade. Alguma dúvida de que a esquisitice do trio vai muito além do tema dark? Quer dizer, em quantos filmes Burton vai dirigir sua mulher se pegando com Depp?

Para a sorte dela, não é somente nesses papéis que ela pode demonstrar toda sua versatilidade gótica. Como esquecer de Bellatrix Lestrange, a bruxa braço direito do arquiinimigo de Harry Potter?

Hm… bem fácil de esquecer na verdade, já que o papel da coitada foi mais mutilado que Titanic na TV aberta, mas fazer o que, né? Pelo menos ela teve mais uma chance para exibir suas madeixas rebeldes.

Sua filmografia conta com muitos outros filmes bizarros e sombrios, como Frankenstein de Mary Shelley e O Discurso do Rei (vai dizer que esse filme não te assustou de tão ruim?). Mas não é só disso que torna Helena Bonham Carter merecedora do terceiro lugar em nossa lista. Um fator que também colaborou muito para a atriz alcançar esta posição foi:

Seu invejável senso estético, é claro. Veja como Helena sabe ser corajosa e ousada em suas escolhas fashions e foi para o tapete vermelho com um sapato de cada cor.

E aqui, em que ela presta uma homenagem aos figurinos de antigamente com esse corselet em uma roupa preto com preto, na tentativa de ser a irmã gêmea dumal de Salma Hayek?

Já nesse dia, ela tentou algo mais moderno com esse xadrez irlandês assimétrico e essa bolsa que parece ter sido brinde de uma das revistas da Capricho quando ser emo estava na moda.

E aqui… Bom, menor ideia do que ela tentou fazer.

Graças as suas irretocáveis aparições no tapete vermelho, filmes esquisitos e seu pioneirismo gótico, Helena Bonham Carter teria tudo pra ser uma forte concorrente ao título de Delícia Mais Gótica, mas termina em terceiro lugar de nossa lista.

Em segundo lugar, temos Winona Rider, dona do título de “adolescente gótica e relatable” após protagonizar alguma das melhores dramédias darks que o cinema americano nos ofereceu, como Beetlejuice, Edward, Mãos de TesouraHeathers.

Mas em vez de usar isso como um dos elementos para definir sua imagem cinematográfica, Winona decidiu fazer uns filmes estranhos que ninguém entendeu o porquê. Deus até mandou um sinal de “desiste disso, fia. volta pro que cê era antes” fazendo-a perder o Oscar pra Anna Paquin infanta, mas ela insistiu e claro que a carreira acabou indo parar no lixo.

Vamos explicar.

Winona tentou diversificar sua carreira e entrou em pequenas fases de diferentes gêneros narrativos. Primeiro, foi a etapa de romances de época, como A Época da Inocência, A Casa dos Espíritos e  Adoráveis Mulheres. Depois alguns romances mais urbanos, como Colcha de Retalho, Boys e Outono em Nova York. E logo em seguida, apostou em comédias escrachadas, como Zoolander e A Herança de Mr Deeds.

Apesar de ainda testar algumas coisas sombrias aqui e ali (Drácula de Bram Stoker, As Bruxas de Salem e Dominação), a verdade é que Winona não se destacava nos seus próprios filmes. Em Garota, Interrompida, por exemplo, foi completamente subestimada pela crítica especializada que deu preferência para a atuação de Angelina Jolie. Com isso, Winona passou despercebida, enquanto Jolie acabou ganhando Oscar de Atriz Coadjuvante. Isso me diz que Winona talvez tenha sido #TeamAniston alguns anos depois…

Com os boatos de roubo e a cobertura da mídia sobre o caso no tribunal, a sua fama de cleptomaníaca arruinou sua carreira e, de uma grande promessa, Winona acabou virando uma has been.

Atualmente, ela ainda participa de filmes sombrios e misteriosos (os mais famosos, sua participação em Cisne Negro e Frankenweenie), mas o fato de só conseguir papéis pequenos e de ter perdido o seu apelo, Winona termina em segunda posição e perde, por pouco, o título de Musa Gótica.

Como vencedora da lista e detentora do título, temos ninguém mais ninguém menos que Christina Ricci, a primeira dama-mirim do mundo inferior.

Christina já roubava as atenções de todas as menininhas darks com suas atuações em Gasparzinho, Minha Mãe é uma Sereia e A Família Addams.

Destaque para a Vandinha brasileira acabando com toda a magia da personagem ao trocar a Maria Chiquinha por um Chanel.

Quando ficou mais velha, Christina Ricci se manteve fiel às suas raízes e continuou fazendo filmes com a sua aura gótica. Em A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, ela interpreta uma bruxa do bem que impede um assassino sem cabeça de decepar mais vítimas. Em Depois da Vida, ela fez uma morta que andava pelada no necrotério do Liam Neeson. Até mesmo em Penélope, uma comédia romântica ingênua, ela continua interpretando uma personagem dark.

Mesmo quando ela deixa de fazer filmes supostamente “góticos”, ela continua com o seu tipo sombrio e misterioso, como em Monster – Desejo Assassino e com um estranho humor negro, como em O Oposto do Sexo.

Já em exemplares diretos do gênero, temos o terror Amaldiçoados, o pior filme já feito na história da humanidade. Nele, Christina Ricci e seu irmão Jesse Eisenberg são atacados por um lobisomem e passam o filme inteiro tentando desfazer a maldição. Eles descobrem que o único jeito para se salvarem é matando aquele que os infectou e… OH, será que esse é o Joshua Jackson, o personagem suspeito com quem Christina Ricci flerta o tempo inteiro e o público não conhece nada a respeito? Sério, o filme é simplesmente imbecil.

 

E se isso não fosse o bastante, o slogan do cartaz ainda virou refrão de música da Kelly Clarkson. Quer dizer, o fundo do poço já não era o suficiente? Precisava afundar ainda mais?

Por ser leal a sua branding gótica, nem que isso custe sua integridade artística fazendo uma bomba atrás da outra, Christina Ricci é a vitoriosa e eleita como a maior musa gótica.

Concorda? Discorda? Tem alguma sugestão de post para nós? Diga nos comentários!

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6 comentários

  1. Creio que meu comentário não será muito relevante, mas pelo que deu a entender, seu conhecimento sobre a subcultura gótica e principalmente sobre cinema é um tanto quanto escasso.

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