Retrospectiva 2013: O lado bom

Foi difícil criar uma retrospectiva para um ano como 2013. Muitas decepções, bons filmes acumulados majoritariamente no segundo semestre (muitos dos quais só poderemos conferir ano que vem) e uma sensação forte de que não aconteceu muita coisa interessante nestes últimos doze meses, visto que como o Anfitrião é um blog de cinema não teríamos nem como tentar introduzir Miley Cyrus na listagem.

Apesar dos pesares, resolvemos dividir a retrospectiva em dois posts, o de hoje cobrindo o que aconteceu de bom durante esse ano e o segundo, sobre os momentos que preferiríamos esquecer, sendo postado no fim desta semana. Vamos ver o que entrou no lado bom da lista.

O Globo de Ouro mostrando como se faz uma boa premiação

Às vezes é fácil esquecer que algo memorável aconteceu logo no primeiro mês do ano, mas o Globo de Ouro fez um bom trabalho para se manter na nossa mente. Desde o fim do ano passado, 2013 pareceu promissor nas premiações que reservava em relação à escolha de seus apresentadores, e embora muita gente estivesse mais empolgada para ver o que o Seth MacFarlane faria no comando da maior premiação do mundo (e spoiler: ganhou um espaço na nossa lista de piores momentos), foram Tina Fey e Amy Poehler que nos mostraram que o que realmente faz uma premiação ser mais do que um ritual de gente rica se entregando ouro é um roteiro engraçado, bem atuado, e que faz jus aos meses de planejamento e recursos que eles possuem, tanto é que demorou pouco para que as duas fossem convidadas a repetir a dobradinha ano que vem. Vamos ver como você se sairá no próximo Oscar, Ellen DeGeneres.

O remake de Evil Dead finalmente estreando e, surpresa, sendo ótimo

Pouca gente acreditava no sucesso do remake de uma das estreias mais memoráveis de um cineasta de horror. Mais do que isso, pouca gente aceitava a ideia de o próprio Sam Raimi encorajar um caça-níquel que pouco tinha a ver com o original e existia apenas para lucrar em cima da franquia. O resultado, um filme brutal, realmente assustador e que respeita a sua fonte original ao mesmo tempo em que entende que não pode recriá-la agradou a muita gente, e é melhor quando encarado como uma continuação naquele universo do que um remake em si. Em um ano em que o gênero de terror teve mais filmes alcançando sucesso comercial do que nunca, mas que viu incontáveis histórias de casas mal assombradas, foi um alívio ver uma produção violentamente divertida como há muito não se via no cinema americano.

Truque de Mestre, o hit surpresa do ano

Eu sempre me pergunto quando uma bomba a la Speed Racer estreia e, obviamente, fracassa: ninguém em nenhum momento viu que esse trem descarrilhado não ia dar certo de jeito nenhum? Comigo aconteceu exatamente o oposto depois que por algum motivo resolvi assistir Truque de Mestre num domingo tedioso: porque o seu sucesso mundial é uma surpresa tão grande? A pergunta na verdade é um tanto quanto fácil de responder, visto que o filme não é baseado em nenhuma propriedade já conhecida pelo público e realmente estreou no meio de grandes blockbusters como Homem de Ferro 3.O que Truque de Mestre tinha a seu favor, no entanto, era um elenco infinito de a-listers (Michael Caine, Morgan Freeman, Woody Harrelson, Jesse Eisenberg, Mark Ruffalo), uma premissa bem definida e interessante (mágicos roubando bancos), e, mesmo com um roteiro que faz o que pode para disfarçar grandes buracos, é um puta de um filme divertido. E isso é algo que, em 2013, não foi oferecido aos baldes.

Filmes mais socialmente conscientes

Uma das boas tendências do ano, provavelmente um reflexo da América pós-crise econômica, foi a constante presença de tramas lidando com justiça social, mesmo em blockbusters de verão. O já citado Truque de Mestre questionava a desigualdade social e fazia uma espécie de Robin Hood dos nossos tempos, Elysium era basicamente uma tese sobre comunismo (embora o filme seja um retrocesso da estreia de seu diretor Neill Bloomkamp, Distrito 9), enquanto que Jogos Vorazes mudou o foco dos fãs adolescentes: de um lobo gostoso versus um vampiro gostoso, temos uma discussão sobre um regime ditatorial de governo em uma realidade distópica. Acho que todos ganhamos com isso.

Gravidade e Em Chamas mostrando que mulheres também fazem dinheiro

Dois dos maiores sucessos do ano, Gravidade (crítica aqui) e Em Chamas possuem mais semelhanças do que o fato de ambos serem estrelados por atrizes vencedoras do Oscar. Juntos, eles mostram duas áreas convergentes do cinema entre filmes milionários de grandes estúdios que primaram por uma produção dedicada, inteligente, e que mostra que a fronteira do que se espera de um filme sério de arte e de um fenômeno adolescente não precisa ser marcada tão forte no chão, visto que público e crítica estiveram positivamente presentes nos dois indiscutivelmente maiores sucessos das inúmeras tentativas de se fazer ficção-científica neste ano.

Teremos mais Harry Potter no cinema

Sempre imaginávamos que algum dia algo seria feito sobre essa franquia rica demais para se deixar ir embora, mas a grande pergunta sempre foi: em quanto tempo? Bem rápido no fim das contas, mas você consegue dizer que não ficou com mil perguntas sobre o projeto? Eu tinha um sonho de ver um Harry Potter US com cheerleaders e tal, então saber que esta adaptação de Animais fantásticos e onde habitam terá cenas em Nova York já me deixou empolgado o bastante.

O retorno de bons filmes jovens

Mais cedo este ano, quando postamos 3 críticas para Bling Ring – A Gangue de Hollywood, o Marco se questionou se este seria o representante de filme teen da década de 2010 como Meninas Malvadas foi o dos anos 2000. Embora não tenhamos chegado a um consenso sobre isso (e outro spoiler: espere mais sobre filmes teens em breve), 2013 não decepcionou na oferta de bons filmes jovens como não se via há um bom tempo. Esqueça o engodo de As Vantagens de Ser Invisível. O Verão da minha vida (crítica aqui) e The Spectacular Now trouxeram histórias de coming of age que, embora não tenham capturado o zeitgeist do que é ser adolescente nos dias de hoje como Bling Ring fez tão bem, mostram que poucas coisas conseguem nos atingir tão bem quanto a nostalgia de se ver mais jovem, mais burro e menos cínico na tela de um cinema.

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