Top 10 de 2013: a escolha dos redatores

Com poucos dias para o fim de 2013 e já tendo revisto os pontos altos e baixos do cinema, é hora de selecionar os melhores filmes lançados esse ano. Cada um dos redatores do blog escolheu os seus dez melhores filmes, mas dentro de critérios diferentes. Eu preferi me ater aos filmes que estrearam apenas em circuito comercial (e alguns exemplares de festivais), enquanto que Victor considerou qualquer filme exibido nos cinemas esse ano, abrindo a escolha para filmes que ainda não estrearam no Brasil.

Aliás, é preciso lembrar que muitos filmes que chamaram atenção da crítica esse ano, como 12 Anos de Escravidão (12 Years as a Slave), Trapaça (American Hustle), Ela (Her) e Walt nos Bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), ficaram de fora das nossas listas, já que não conseguimos assistir a nenhum deles, o que só evidencia a problemática questão da distribuição de filmes da época do Oscar (tanto lá de fora, que atrasam o lançamento pro filme ficar fresco na cabeça dos votantes, quanto aqui, que atrasam ainda mais pra aproveitar a propaganda de “indicado a X Oscars” e exibem um atrás do outro, num amontoado frenético).

Com gostos tão diferentes, aproveitamos pra discutir e descrever melhor as nossas escolhas. Clique e veja os nossos Top 10 de 2013.

Top 10 por Marco

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Apesar de nenhum filme ter me empolgado pra valer esse ano (ao contrário de A Pele que Habito, Cisne Negro, Persépolis e Sangue Negro nos anos anteriores), foi um bom ano para mulheres no cinema. Os meus cinco filmes preferidos do ano são todos protagonizados por mulheres em histórias suas e apenas suas: uma mãe protegendo seu filho (Instinto Materno), uma disputa entre uma órfã e sua madrasta (Branca de Neve), uma esposa no leito de morte (Amor), uma homenagem a uma irmã desaparecida (Elena) e a luta de sobrevivência de uma astronauta (Gravidade). Isso sem mencionar Margaret Mee e a Flor da Lua, um documentário sobre uma botânica ilustradora, e Frances Ha, uma comédia sobre uma jovem no início de sua vida profissional. Nunca tivemos tantos filmes (e tantos filmes bons) com mulheres protagonistas.

Temos também 4 filmes brasileiros no Top 10, um avanço em relação a ano passado (com 3 filmes entre os 10 melhores). Petra Costa, em especial, conseguiu produzir algo diferente de tudo que já vi. Elena é um filme de personagens com conflitos psicológicos muito desenvolvidos para ser rotulado como um “documentário”, mas também é um filme de arquivo que se mescla com as barreiras de um filme “fictício”. Um filme inédito em sua forma. Nada mal para uma estreante.

Outros diretores estreantes, Hilton Lacerda (Tatuagem) e Daniel Aragão (Boa Sorte, Meu Amor), também surpreenderam com seus contos de amor. Mas mais do que histórias românticas de um casal, ambos os filmes abordam os vários sentidos de amor: amor pela sua arte, amor pela sua identidade, amor pela sua família e amor pela sua origem. Amor também pelo Nordeste. O cinema nacional deve muito.

Temos também o retorno de dois diretores autorais, Michael Haneke (Amor) e Noah Baumbach (Frances Ha). Os dois cineastas são acostumados a tratar de assuntos melancólicos e deprimentes, mas cada um ao seu modo. De um lado, Haneke foi cru e cruel ao abordar o deterioramento de uma vida (e de uma relação) sem nenhum pudor, enquanto que, do outro, Baumbach decidiu mostrar as crises financeiras de uma jovem com muita leveza e carisma. Enquanto um é um drama pesado e emocionante, o outro é uma comédia leve. Os opostos de um mesmo cinema.

Representando o cinema “estrangeiro”, Pablo Berger surpreendeu com uma interessante adaptação espanhola de Branca de Neve, Jeong Byeong-gil chamou atenção com o melhor filme de ação em muitos anos (o sul coreano Confissão de Assassinato) e Calin Peter Netzer provou que a marca do cinema da Romênia é sua intensidade e realidade (e a protagonista do filme, Luminita Georghiu, conseguiu estrelar a tríade do cinema romeno: 4 Meses 3 Semanas e 2 Dias, A Morte do Sr. Lazarescu e, agora, Instinto Materno).

Mas o título de Melhor Filme do ano vai mesmo para Alfonso Cuarón e Gravidade. Cuarón já havia sido selecionado pelo blog como melhor Filme/Diretor em 2006 com Filhos da Esperança, e agora ele repete o feito. Gravidade não é um filme sobre sobrevivência, mas um filme sobre vida. Logo no início, Sandra Bullock precisa cortar o cordão umbilical e se perder no mundo, para só depois se encontrar. Embora ela tente voltar ao útero muitas outras vezes depois (e dormir calmamente em posição fetal), ela deve acordar e enfrentar mais obstáculos. Tudo isso para renascer no final do filme e sair, com muita dificuldade, da barriga da mãe para dar seus primeiros passos em território desconhecido. Um filme com um roteiro simples, mas com tantas delicadezas que algum desavisado pode achar que é apenas um filme-desastre. Felizmente, Cuarón tem a sensibilidade de perceber e contornar isso tudo naquele que é, unanimamente, o melhor filme de 2013.

Top 10 Victor

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É bem curioso que Gravidade seja o único filme que eu e o Marco temos em comum nas nossas listas, mas não surpreendente. Tendo sido o motivo mais justificado para sair de casa e pagar o absurdo que é uma entrada de cinema hoje em dia, o espetáculo que fez com que as pessoas corressem para o cinema para ver Star Wars, os dinossauros de Jurassic Park e o mundo de Pandora em Avatar é o mesmo motivo pelo qual Gravidade foi um sucesso tão grande e mereceu terminar o ano como o filme de 2013: a promessa de ver algo novo na tela grande. E é pra isso que o cinema existe em primeiro lugar.

O único outro filme de espetáculo presente em minha lista, Jogos Vorazes: Em Chamas, entrou por evoluir de um filme já bom para um produto emocionante, bem realizado e que, se não derrapar em seus capítulos finais, pode muito bem entrar pra história do cinema como a melhor saga teen baseada em livros de sucesso. E falem o que quiser, mas pra mim a Jennifer Lawrence atuou mais neste do que em O Lado Bom da Vida, pelo qual ela ganhou o Oscar.

O cinema teen, por sinal, foi muito bem servido com a Sofia Coppola se soltando do horror que foi Um Lugar Qualquer e fazendo um filme divertido que infelizmente retrata muito bem a juventude deste começo de milênio (e ainda tendo os maravilhosos bordões You’re stressing me out e I wanna rob).

The Spectacular Now, retratando outro tipo de juventude, conseguiu sobreviver ao hype de “filme que o John Hughes teria dirigido”, desenvolvendo personagens relacionáveis em um contexto que mesmo que refletindo a vida de muitos adolescentes, não foi diluído para agradar a geração tumblr (coisa que As Vantagens de ser Invisível fez odiosamente, com mais frase de efeito de superação do que balada da Katy Perry). Embora The Spectacular Now seja um pouco mais sombrio e realista do que as suas fontes de inspiração, é ainda uma prova de que não é preciso reinventar a roda para fazer um filme honesto e tocante.

Drinking Buddies e The World’s End não são estrelados por adolescentes, mas você não saberia disso só por ouvir as suas histórias. Embora ambos lidem com o tema do alcoolismo (apesar de em Drinking Buddies isso não ser explicitamente um problema), os dois filmes também exploram a dificuldade que é ter que crescer, e até que ponto podemos viver como se em algum momento não tivéssemos que ter responsabilidade sobre algo. E The World’s End faz isso com uma invasão de robôs no meio, aliás.

Por fim, o horror veio de diversas formas no fim da lista. De forma literal em A Morte do Demônio e Resolution, ambos sendo exemplos do mais inventivo horror que o mainstream e o indie tiveram a oferecer este ano (e Resolution pode ser o filme mais obscuro desta lista, mas mostra uma das maiores promessas do ano ao unir terror, ficção-científica e uma declaração de amor e ódio ao fato de se escrever uma narrativa. Vale a assistida). De forma real,  veio na história verídica sobre heroísmo transportada para a tela pelo talentosíssimo Paul Greengrass, em Capitão Philips, e no documentário angustiante, revoltante e terrivelmente assustador que é Blackfish, fechando o meu top com uma sensação de que 2013 foi um ano para se sentir jovem e ter medo. Mais um dia na vida, basicamente.

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