Retrospectiva: O lado ruim

Talvez eu realmente esteja me tornando aquele velho nostálgico que puxa assunto com os estranhos no busão lembrando como na minha época a gente dançava Hollaback Girl desinibidamente e hoje em dia lidamos com músicas de superação da Cátia Perez, mas a verdade é que pouca gente discorda de que 2013 foi realmente um saco. Indubitavelmente (/redação pedante de Enem) o ano do hype, venha lembrar com a gente os inúmeros eventos pelos quais incessantemente esperamos este ano, apenas para nos decepcionarmos amargamente.

Seth MacFarlane apresentando o Oscar

Fazia todo o sentido no papel. Um apresentador entendedor de cultura pop, dono do tão almejado público jovem que cada vez menos liga para o que está passando na TV e uma suposta dose de energia para um evento que, por algum motivo, acham que precisa ser reinventado. Claro que nunca foi uma surpresa que convidar o homem responsável por um bebê bebendo sêmen de cavalo em plena televisão aberta era brincar com fogo, e apesar das inúmeras críticas sobre o show sexista que ele conduziu, para mim o imperdoável foi o quão sem graça e longa foi a premiação como um todo. Se tem algo que não conseguimos perdoar de uma apresentação intencionalmente ofensiva é que nem engraçada ela seja.

O fracasso da ficção-científica

Seja com projetos estrelados por super celebridades (Oblivion, Depois da Terra, Elysium,) ou filmes de nicho (Pacific Rim), nenhum tema foi tão explorado por diferentes estúdios este ano. Como fã de sci-fi, no entanto, é triste lembrar que dificilmente teremos uma nova onda de filmes com um tema similar, principalmente os baseados em propriedades originais. Com a exceção de dois grandes exemplos já mencionados na lista do lado bom de 2013 (Gravidade e Em Chamas), o fracasso crítico e comercial de todos os outros mencionados provavelmente fará com que os estúdios deixem de apostar tanto dinheiro em qualquer coisa que tenha muitos robôs no meio. A menos que alguns deles sejam Transformers.

Os blockbusters continuam longos

É verdade, tivemos uma melhora neste aspecto com o refresco que foi a duração de filmes como Gravidade (91 minutos) e Família do Bagulho (110min), mas o que me fez bater nesta tecla mais uma vez foi um texto excelente do Jezebel dizendo que deveríamos entrar em O Hobbit: A Desolação de Smaug depois da metade porque não perderíamos nada de história e chegaríamos na parte boa. Novamente a dúvida retorna: Por que os estúdios fazem isso? Não é mais caro fazer um filme mais longo? Se o intuito de todos esses blockbusters é gerar o máximo de lucro possível, como colocar qualquer coisa no 3D mais porco só pra justificar um ingresso mais caro, não faz sentido fazer produtos mais rápidos que dariam espaço para mais sessões no mesmo dia?

O Cavaleiro Solitário, Homem de Ferro 3, O Hobbit e O Homem de Aço são alguns poucos exemplos dessa nova tendência de que um filme, para ser maior e melhor, tem que necessariamente ser mais longo. Só a cargo de curiosidade, esses quatro títulos somados dão 583 minutos de “diversão”, ou o equivalente a mais de 9 horas.

O atual cenário das franquias de super-heróis

O atual cinema de super-heróis possui três campos distintos. De um lado, a Fox desova todo ano ou um X-Men ou um Wolverine, criando uma timeline tão confusa que o próximo filme da franquia é aparentemente um prequel e sequência ao mesmo tempo. Provavelmente deve ser uma bosta também, se todos os outros forem indícios. Em outro lado, a Warner, desesperada que o seu maior super-herói encerrou sua aclamada trilogia ano passado, tenta de todos os modos emular o sucesso da Marvel querendo criar a sua própria versão dos Vingadores, a Liga da Justiça. Nunca fui muito contra a contratação do Ben Affleck como Batman, faz sentido querer substituir o Christian Bale por alguém que chamaria tanta atenção para a sua própria pessoa, e não pro fato do filme provavelmente ser uma bomba. Por último, a líder do mercado de super-heróis, Marvel, conseguiu o monopólio em uma estratégia que foi tão bem articulada quanto entediante. Até os posters dos seus filmes são iguais, meu Deus.

Com produtos genéricos e repetitivos, satisfatórios o bastante para não agredir o público, mas nunca originais, a Marvel é a síntese do whitewashing que tem acontecido no cinema, e infelizmente influente o bastante para ditar tendências de como um filme de super-herói deve ser para dar certo (como o fato de agora termos filmes solos para os vilões do Homem-Aranha. Obrigado, Marvel).

O (baixo) nível das animações

Não foi fácil ser um desenho este ano. Ou uma criança. Ou o responsável por levar uma criança para o cinema e ter que aturar Turbo, Aviões, Tá Chovendo Hambúrguer 2,  Epic, e o que eu basicamente imagino que seja o correspondente cinematográfico de ler um post no Buzzfeed ou compartilhar um gif do Como eu me sinto quando, Meu Malvado Favorito 2. Há alguns anos as animações eram a parte mais original e promissora de qualquer verão americano, em parte pelos consistentes trabalhos que a Pixar lançava ano após ano, por isso é uma pena ver que a crise da franquia e do spin-off também atingiram as produções infantis. O jeito é esperar por Bikes e suas continuações sapecas.

Minha Mãe é uma Peça e os humoristas de internet

Malditos sejam. Não bastava ter que fugir de vídeos do Porta dos Fundos em anúncios do youtube, agora você literalmente corre o risco de ver uma esquete inteira no meio dos trailers de uma sessão no Cinemark. Com a maior bilheteria do ano, Paulo Gustavo comprovou que falta de graça de uma piada propriamente dita não é problema algum se você estiver travestido e falar qualquer frase em uma voz esganiçada (sério, a frase “você tá gorda” é considerada um punchline no filme dele). O pior é reparar como passam-se os anos, mudam-se as caras, mas o humor nacional sempre será um produto que mistura falta de roteiro com uma “performance” baseada em gritos e algumas cameos de globais. E se a diferença entre um Marcelo Serrado em Crô e o Fábio Porchat em alguma das dezenas de bombas que ele estrelou nesse ano é que o segundo tem créditos como escritor, bem, isso só é um prospecto ainda mais triste sobre o que está por vir para o nosso cinema.

Bom 2014, pessoal, e não se esqueçam de conferir ainda esse ano o meu top 10 e o tradicional prêmio do Anfitrião =)

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3 comentários

  1. Eu ainda to tentando entender como alguém pode ir ao cinema pra assistir filme de comedia brasileira e pior ainda, como alguém acha graça nesse Paulo Gustavo? Horrível demais…

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