Globo de Ouro: O que muda na corrida para o Oscar

Ninguém leva o Globo de Ouro muito a sério, e nem deveria. Uma premiação que se não fosse pela entrega de estatuetas teria o mesmo conceito do finado almoço com os artistas, apresentado por Faa Morena, não é exatamente a maior autoridade em quem deveria ou não ser premiado como melhores do ano.

Contudo, é preciso lembrar que, apesar dos Globos terem uma tendência a indicar/premiar grandes estrelas para garantir que a audiência de quem quer ver o “cara que faz o homem de ferro kkk, mó figura” no conforto do lar, o prêmio ainda sim tem o poder de colocar um laço de presente em vitórias já esperadas para o Oscar, ou também de dificultar o caminho daqueles que ainda não estão estabelecidos na competição. Vamos ver juntos o que muda na corrida do Oscar baseado nas vitórias (e derrotas) da noite passada.

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A situação apertou para 12 Anos de Escravidão

A maioria das previsões tinham American Hustle (Trapaça, na tradução lokinha brasileira) como o maior competidor para tirar o Oscar de melhor filme do drama de escravidão, e, embora os dois não estivessem competindo diretamente em filme ontem à noite, já que aparentemente Trapaça é uma comédia, definitivamente foi essa a sensação que ficou até o fim da noite.

Lupita perdeu o Globo, mas leva o nosso voto de Mais-Bem-Vestida da temporada.

Jennifer Lawrence e Amy Adams já tinham ganhado prêmios por suas atuações no filme, enquanto Lupita Nyong’o e Chiwetel Ejiofor tiveram o seu trabalho injustamente esnobado. Foi por isso que, quando o prêmio de melhor drama finalmente veio, a sensação de que “premiaremos o filme sério sobre um dos momentos mais horrendos da história, mas não os seus atores” soou… bem, vamos ser honestos, meio racista (aliado ao fato de que aparentemente a Kerry Washington nunca será reconhecida, mesmo em um papel expressivo em uma das séries mais populares do momento).

Não acho que 12 Anos de Escravidão tenha perdido muito da vantagem na corrida pelo Oscar mês que vem, visto que não ter ganhado prêmios de atuação ou direção não impediu Argo de sair vitorioso ano passado, e também tem o fato de que a Academia adora se sentir importante de dar prêmios a um filme que mostra o sofrimento de negros, mas não de reconhecê-los em qualquer outra situação. Entretanto, nesse momento, uma vitória surpresa de American Hustle não parece mais tão impossível assim.

Matthew McConaughey tomando a dianteira

A divisão do Globo de Ouro entre o que é comédia e o que é drama não faz sentido, e foi o que fez a piada do Di Caprio, em seu discurso de vitória, tão eficiente ao afirmar que foi um prazer disputar com os outros quatro “comediantes”. No entanto, algo que também não faz tanto sentido para muitos dos que acompanham a corrida desde o início e a sua vitória em cima de um dos competidores mais persistentes da temporada: Bruce Dern.

Geralmente a divisão entre drama e comédia sempre aponta para os dois possíveis vencedores dos Oscar de atuações e filmes, mas se formos colocar o McConaughey contra o Di Caprio não há dúvidas de que o prêmio já é do primeiro, em uma categoria em que muitos apontavam uma possível vitória do Chiwetel. Resta saber se a academia, majoritariamente mais velha, pende pro lado de Robert Redford e Bruce Dern, dois atores de longa data que nunca ganharam um Oscar por atuação, ou se abraçam de vez a história do garanhão que dá uma guinada na carreira e se acha em filmes sérios, história que eles também adoram. Eu aposto mais na segunda.

Her mostra que está vivo e pode surpreender

Se nas categorias de atuação e filme os Globos são sacanas na divisão para poderem convidar mais estrelas para a festa, no roteiro eles sabem que quem está em casa não reconhece a cara de roteiristas e jogam cinco filmes, drama ou comédia, roteiro original ou adaptado tudo no mesmo balaio.

É notável, então, a vitória de Her (Ela), em cima de filmes de calibre muito mais alto, como Trapaça e 12 Anos de Escravidão, o que significa, segundo os votantes, que os melhores filmes de comédia e drama não possuem o melhor roteiro da noite. Her não ganhou em nenhuma outra categoria, mas essa vitória chave certamente mostra promessa de fazer um possível rebuliço na lista de indicados ao Oscar, e talvez a força do filme até faça com que o Spike Jonze ganhe um espaço na lista de diretores e chute algum dos já estabelecidos.

A consagração dos já vencedores

sandraxcateCate Blanchett, Jared Leto e Alfonso Cuarón têm sido honrados em todas as premiações por onde tem passado, e com trabalhos expansivos em projetos bem recebidos, não tem quem tire as estatuetas de suas mãos. Desculpa, Marco, mas quem sabe o Cuarón não chama a Sandrinha para um filme novo e ela tenha chances num dos próximos anos.

E assim passamos bem brevemente pelo Globo de Ouro, um prêmio em que, na pior das hipóteses, as celebridades entornam umas cachaças de graça durante três horas e nós temos agradáveis discursos de velhas que já chegaram bêbadas tipo a Jacqueline Bisset. Achou que o seu favorito foi injustiçado? Ainda não superou o quanto a Lupita Nyong’o ficou deslumbrante na capa vermelha? Divida sua opinião conosco e não se esqueça de ver nossos comentários sobre os indicados ao Oscar nesta quinta (16).

 

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