Oscar 2014: Analisando a categoria – Atriz Coadjuvante

Com a proximidade do Oscar, tomamos a dianteira para analisar individualmente as categorias que tem maior visibilidade para o grande público: cada uma das quatro categorias de atuação. Já fizemos isso em anos passados, e vamos continuar o trabalho esse ano também. Não vamos nos ater apenas aos cinco indicados, mas também quem foi esnobado, quem tem maiores chances de ganhar e quem é a opção alternativa para vencer a estatueta.

No entanto, decidimos levar a nossa discussão sobre as chances de vitória dos indicados ao próximo nível: decidimos quebrar todas as razões que levaram cada um dos atores a conseguir a sua indicação (e o quanto elas pesaram) e analisar se são motivos fortes o suficiente para garantir o Ouro. Como eles foram indicados? A quem eles devem agradecer pela indicação? O que passava na cabeça de cada um dos votantes, enquanto ele pensava em motivos para votar no ator X e não no ator Y? Nós do Anfitrião descobrimos.

Leia o nosso break down das indicadas na categoria de Atriz Coadjuvante. Comecemos daquela que tem menos chances, até aquela que é a nossa aposta para ganhar.

5º Lugar: Sally Hawkins (Blue Jasmine)

Sally se aproveitou do favoritismo de Cate Blanchett e finalmente garantiu a sua indicação (que já deveria ter acontecido). Sem ter sido lembrada por nenhuma associação de críticos, as únicas conquistas dessa temporada foram as indicações ao Independent Spirit e ao Globo de Ouro. E deve ficar nisso: ninguém entendeu quando Oprah, considerada a clara favorita no começo da temporada, ficou de fora por O Mordomo, enquanto a “desconhecida” Sally tomou o seu lugar. Aliás, um pouco triste que durante um bom tempo, 3 atrizes negras eram consideradas lockes nessa categoria (Oprah, Lupita Nyong’O e Octavia Spencer por Fruitvale Station – A Última Parada) mas só uma delas conseguiu transferir o hype em indicação…

4º Lugar: Julia Roberts (Álbum de Família)

Julia Roberts é a quarta indicada e mais uma a aumentar a lista de atores-protagonistas-que-são-indicados-como-coadjuvante-graças-a-campanhas-truqueiras-dos-estúdios… Não há a menor chances de vencer, até porque Álbum de Família não foi nem metade do sucesso que se esperava. Vejam essa indicação apenas como um reconhecimento ao comeback da atriz à lá Mickey Rourke em 2009, para citar em um exemplo mais recente. Uma pena que ela tenha tirado a chance de outros atores do próprio filme que são muito mais merecedores de uma lembrança aqui, como Margo Martindale, Julianne Nicholson e Juliette Lewis (minha favorita).

3º Lugar: June Squibb (Nebraska)

A partir daqui, a situação muda de figura e passamos a falar de chances mais palpáveis de vitória… June não ganhou muitos prêmios high profile (apenas algumas lembranças em associações de críticos, a mais importante em Boston), mas ela é uma personagem endearing em um filme que foi bem recebido pela Academia. O fato dela ter 84 anos e do estúdio ter aproveitado para capitalizar em cima disso pode ajudá-la, mas o quão possível isso pode ser? Peter O’Toole morreu sem ganhar um Oscar, Hal Holbrook (por Na Natureza Selvagem) também ficou a ver navios e ano passado Emmanuelle Riva ganhou de presente de aniversário de 86 anos uma derrota para a bombshell J-Law…

Não fosse suficiente, papéis cômicos (embora ganham reconhecimento aqui) não costumam vencer: Melissa McCarthy por Missão Madrinha de Casamento, Julie Walters por Billy Elliot, Virginia Madsen por Sideways e Kathy Bathes por As Confissões de Schmidt (inclusive, os últimos dois filmes também criações de Alexander Payne, vale a pena lembrar). Se nem Lauren Bacall venceu por O Espelho tem Duas Faces, mesmo sendo a favorita, acho pouco difícil que June consiga.

2º Lugar: Jennifer Lawrence (Trapaça)

A atual queridinha da América é a nossa aposta caso ocorra alguma surpresa na cerimônia. Como ela ganhou ano passado por O Lado Bom da Vida, estatisticamente suas chances de vencer esse ano diminuem bastante, já que é extremamente raro que atores consigam ganhar prêmios em anos consecutivos. Apenas cinco atores conseguiram esse feito em 86 anos de Oscar: Luise Rainer (36/37) Spencer Tracy (37/28), Katharine Hepburn (67/68), Jason Robards (76/77) e Tom Hanks (93/94). Se vencesse, J-Law também quebraria outro recorde: seria a atriz mais nova a ganhar sua segunda estatueta (o atual título é também de Luise Rainer, que ganhou com 28 anos). Mas venhamos e convenhamos, ela tem 23 anos. O quão prematuro seria uma segunda vitória?

J-Law atualmente tem ganhado detratores e muitas críticas que levantam sempre o mesmo ponto, “ela sempre interpreta papéis que são velhos demais”. Embora Trapaça tenha ganhado muita força, isso tem se tornado bastante recorrente e ficou ainda mais forte depois que ela ganhou o Globo de Ouro (e o fato dela ter sua própria franquia milionária, embora tenha ajudado a torná-la na estrela que é, faz com que muitos votantes pensem “ela já tem demais, não precisa disso”). Pode acontecer, mas não é nossa aposta principal.

1º Lugar: Lupita Nyong’O (12 Anos de Escravidão)

A estreante Lupita é a nossa previsão oficial. A atriz tem aproveitado cada oportunidade que caiu em seu colo e acabou virando o maior fenômeno dessa temporada de prêmios: editoriais em revistas, participações em round tables, entrevistas com apresentadores de talk-show. Lupita fez de tudo e está em uma campanha forte pelo filme que é o favorito a ganhar na categoria principal (e produções que ganham em Melhor Filme geralmente conquistam também alguma das categorias de atuação e é aqui que 12 Anos de Escravidão tem mais chances).

Ao contrário do que acontece com os homens, a categoria feminina é a mais favorável para aqueles que estão começando sua carreira. A categoria de coadjuvantes é ainda mais favorável (só lembrar como Jennifer Hudson ganhou por Dreamgirls em 2007, enquanto as novatas Gabourey Sidibe e Carey Mulligan ficaram de mãos abanando em 2010), soma-se a isso o fato de esta ter se tornado a categoria costumeira para premiar uma atriz negra (Octavia Spencer por Histórias Cruzadas em 2012, Mo’Nique por Precious em 2010 e a própria Jennifer Hudson) e o que temos é a receita para Lupita se sagrar a vencedora. Fica aqui também o nosso desejo de que ela continue a ganhar mais papéis depois disso (mas esse é um assunto para outro post).

Nossa previsão: Lupita Nyong’O (12 Anos de Escravidão)

Também pode dar: Jennifer Lawrence (Trapaça)

Quem foi esnobado: Oprah Winfrey (O Mordomo)

E você? Concorda com nossa análise? Não deixe de acompanhar os próximos textos que virão a seguir aqui no blog.

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5 comentários

  1. Pra mim a J-Law foi muito bem, mas não teve tanto tempo pra desenvolver o papel, mas isso não é peso, né (sdds Fantine 20 minutinhos). A Lupita tá ótima, mas não achei lá a oitava maravilha do mundo. Se a Pretty Woman ganhasse eu não ficaria surpreso, ela está ótima.

  2. Marco, sensacional a postagem! Não tenho mais paciência para comentar os indicados ao Oscar, pois é um trabalho que demanda muito tempo. Dito isso, amei a análise, especialmente os gráficos impagáveis.

    A cada dia que passa, penso que “12 Anos de Escravidão” não chegará forte no dia 2 de março. Vendo todas as categorias para as quais ele foi indicado, ele só apresenta força em duas ou três. Daí chego à conclusão: será que o Oscar este ano vai fatiar o bolo do mesmo jeito que na última edição em que “Argo” levou apenas três estatuetas? Sigo com “Gravidade” em Melhor Filme e “12 Anos” deve se contentar com as estatuetas para Lupita Nyong’O e, vá lá, Melhor Roteiro Adaptado.

    No mais, vou discordar somente sobre Julia Roberts ser inferior em comparação com as suas colegas de elenco e também com o discurso de que o Oscar da J-Law foi prematuro por causa da idade, pois ela fez um trabalho muito bom em “O Lado Bom da Vida” e acredito que essa chuva de críticas virtuais é motivada somente pelo fato dela estar colhendo (merecidamente) os frutos do seu talento.

    1. Não disse que Julia Roberts tava inferior às colegas de elenco. Eu disse que ela não é coadjuvante e as outras são e por isso ela “roubou” as chances das outras de serem indicadas (apesar de que eu realmente fiquei surpreso com a atuação da Juliette Lewis).

      E também não disse que o Oscar de J-Law foi prematuro (apesar de que realmente nao torcia para ela ganhar), mas sim que uma segunda vitória agora seria prematuro.

      De resto, eu concordo que “12 Anos” tem perdido fôlego e até torço que Gravidade ganhe mesmo. Cuarón merece!

      1. Ah, mas a análise me passou a impressão de que a Julia estava ocupando o cargo de suas colegas de elenco por ser inferior e não por definitivamente ser a protagonista de “Álbum de Família” ao lado de Meryl Streep. Anyway, my mistake.

        E não sei se uma segunda estatueta para a J-Law seria prematuro, pois gosto muito do trabalho dela em “Trapaça” (filme do qual desgosto demais). Acredito que ela foi a única ali que pegou o tom de um roteiro que não foi levado apropriadamente para a tela por David O. Russell, um efeito que recentemente atingiu a Cameron Diaz naquele terrível “O Conselheiro do Crime”.

        No mais, continuo votando em “Gravidade” nos bolões. Espero que a minha previsão se concretize!

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