Oscar 2014: Analisando a categoria: Ator Coadjuvante

Com a proximidade do Oscar, tomamos a dianteira para analisar individualmente as categorias que tem maior visibilidade para o grande público: cada uma das quatro categorias de atuação. Já fizemos isso em anos passados, e vamos continuar o trabalho esse ano também. Não vamos nos ater apenas aos cinco indicados, mas também quem foi esnobado, quem tem maiores chances de ganhar e quem é a opção alternativa para vencer a estatueta.

Prever o vencedor em uma categoria de atuação no Oscar tem tanto de ciência e análise de dados das edições passadas como um pressentimento intuitivo sobre qual ator está naquele momento certo com o papel certo que acabará lhe rendendo a estatueta na noite da premiação. Contudo, em uma categoria relativamente abandonada devido a incrível competição por uma vaga na disputa de melhor ator (e por eventuais fraudes de indicação, como Nebraska tentando fingir que Bruce Dern, e não o Will Forte era o personagem principal), este é um daqueles anos em que não importa se você prefere confiar na seriedade dos números ou na emoção da aposta, independentemente do escopo pelo qual você decidida olhar provavelmente verá a cara do nosso primeiro lugar, e lá na frente.

5º Lugar: Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)

Eu tento, mas honestamente não consigo entender o que pode ter levado a Academia a cair de amores pelo Jonah Hill. Eu considerar a sua imagem de “fiz a minha fama em filmes com longas piadas sobre pênis” uma das mais insuportáveis do showbiz pode ser um fator pessoal, mas se o critério em questão for o seu trabalho apresentado em O Lobo de Wall Street, sua atuação pode ser considerada (na melhor das hipóteses) competente.

Sendo o único dos cinco candidatos aqui que não foi indicado ao Globo de Ouro desse ano, muita gente cogitava que a vaga “é uma honra só ser indicado” acabaria ficando como reconhecimento do trabalho de Daniel Bruhl por Rush (ou até mesmo uma lembrança póstuma ao respeitado James Galdofini por À Procura do Amor)Mesmo associado a um grande diretor e com próteses para mudar sua aparência, a indicação do Jonah Hill parece mais uma piada de mau gosto do universo de que agora vivemos em um mundo onde ele e Naomi Watts possuem o mesmo número de indicações do que algo com uma chance real de resultar em vitória. Pelo menos por enquanto.

4º Lugar: Bradley Cooper (Trapaça)

Assim como o já citado Jonah Hill, Bradley Cooper é mais um candidato que estourou no cinema em produções cômicas e não esperou a meia idade para dar o giro de galã que decide se focar em produções sérias. Historicamente, o Oscar de melhor ator coadjuvante é concedido a atores mais experientes (tanto na filmografia, quanto na própria idade da pessoa), funcionando como uma recompensa por carreiras que ainda não foram premiadas. Dos treze vencedores desde o ano 2000, nove tinham mais de quarenta anos, e isso contando com o Oscar póstumo dado ao Heath Ledger pelo O Cavaleiro das Trevas. Um dos pertencentes do grupo dos mais jovens é o colega de elenco do Cooper em Trapaça, Christian Bale, também vitorioso por um filme do David O. Russel (O Vencedor).

Apesar de o fato parecer um indicativo favorável ao Cooper, vale lembrar que o Bale venceu por uma performance onde tinha perdido peso drasticamente (um dos golpes baixos para ser reconhecido pela Academia). Mesmo destinado a um dia ganhar o Oscar, o máximo de alteração física que o Bradley fez por Trapaça foi ficar horas no salão com permanente pra ganhar os cachinhos, então essa vitória fica pra um trabalho futuro mesmo.

3º Lugar: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)

Desde o anúncio feito pelo próprio Fassbender de que a decepção ao ser esnobado pela Academia por Shame fez com que ele não fizesse campanha nenhuma pelo seu trabalho em 12 Anos de Escravidão, sua presença entre os cinco indicados nesta categoria não era algo muito esperado por mim. Por isso que a sua eventual indicação me faz questionar um pouquinho se rolou algum tipo de trégua ou massagem no ego por parte dos votantes. Não que o seu trabalho em tela não justifique, visto que ele conseguiu fazer com o que seu personagem, que é basicamente o demônio encarnado, tivesse dimensões além do esperado para um dono sádico de escravos. Mas apesar do Fassbender ser um ator talentoso, o show no filme é da Lupita e do Chiwetel, e assim como em seu próprio filme ele fica aqui em terceiro na probabilidade de ganhar um Oscar.

Historicamente, o Oscar adora um vilão e não tem problema algum em premiá-lo: nessa categoria, tivemos Javier Bardem por Anton Chigurh, Ledger como o icônico Coringa e Christoph Waltz como Coronel nazista Hans Landa (sem contar na categoria principal, como Daniel Day Lewis por Sangue Negro, Forest Whitaker por O Último Rei da Escócia e Anthony Hopkins por O Silêncio dos Inocentes). O problema é que nem sempre essas indicações geram vitórias e esse parece ser o cenário mais próximo do caso de Fassbender: mais provável que ele faça cia a Jackie Earle Haley em Pecados Íntimos ou Stanley Tuccy em Um Olhar do Paraíso… Não deve subir ao palco.

2º Lugar: Barkhad Abdi (Capitão Phillips)


Se um dos nossos critérios de análise são os números dos Oscars passados, o Barkhad é um dos poucos indicados que tem uma vantagem na corrida. Embora o Oscar de Ator Coadjuvante tenha o histórico de premiar atores experientes, quando esta tradição é quebrada e o premiado é um estreante (e deixemos claro aqui que a estreia em questão é em filmes americanos), a tendência é que o recompensado seja um ator de outra nacionalidade, como Benicio Del Toro (Traffic em 2000),  Javier Bardem (Onde os Fracos Não Tem Vez, 2007) e Christoph Waltz (Bastardos Inglórios em 2009).

Ainda a seu favor, ele vem fresco de uma vitória no BAFTA e sua performance contra Tom Hanks em Capitão Phillips é o tipo de estreia cinematográfica que define (e assombra) um ator até então completamente desconhecido do público, do mesmo jeito que a Gabourey Sidibe precisa lutar contra o fato de ter estourado (e ser reconhecida) como a Preciosa. É o único com chances reais de surrupiar o prêmio do Jared Leto, e por isso fica em segundo lugar nas nossas apostas.

1º Lugar: Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

Sejamos honestos: se por algum motivo você fosse apostar todo o seu dinheiro e pudesse escolher uma categoria do Oscar para arriscar (não faça isso), essa provavelmente seria a sua primeira opção. Todo ano possui aquele ator que, após um grande “sacrifício” estético (como a Anne Hathaway raspar a cabeça para Os Miseráveis), chega com tanta força e com tantos prêmios embaixo do braço na noite do Oscar que sua vitória poderia ser prevista meses antes até de saírem os indicados. Além da já mencionada “trindade do sofrimento” no gráfico, ele está bem no papel, nos lembrando mais da época em que ele passeava por projetos de diretores consagrados do que o ataque ao mundo com a criação do 30 Seconds to Mars.

Ajuda também o fato de que ele colheu basicamente todos os prêmios da temporada (com exceção do BAFTA do Barkhad, ao qual não foi nem indicado) e faz questão de aparecer em todos os eventos mostrando o quão grato está pelo reconhecimento recebido. É verdade que o último vencedor do Oscar nesta categoria sem ao menos ter sido indicado ao BAFTA foi Morgan Freeman em 2004 por Menina de Ouro, mas isso não muda o fato de que o Leto é um dos vencedores mais certos do Oscar 2014, e vamos só torcer para que essa vitória não seja fonte de inspiração para novos CDs.

Nossa previsão: Jared Leto (Clube de Compras Dallas)

Também pode dar: Barkhad Abdi (Capitão Phillips)

Quem foi esnobado: Daniel Bruhl (Rush)

Você também acredita na vitória de Leto ou acha que vai dar zebra? Discordou de algo? Diga nos comentários.

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