Cinco parcerias que já cansaram

Quando o seu trabalho envolve lidar com os maiores egos da indústria ou ser obrigado a receber ordens de alguém que pode muito bem dar um tiro atrás da sua cabeça para conseguir uma performance mais assustada (como o William Friedkin fazia com a Ellen Burstyn em O Exorcista), é normal que quando uma parceria entre ator e diretor dê certo e uma amizade surja, ela se repita inúmeras vezes.

No entanto, é realmente proveitoso investir nessa relação monogâmica quando se há tanto para viver no mundo do cinema? Usando nossa escala Depp-Burton de exaustão em colaborações (e que, portanto, estão fora da competição sendo hors-concours), nós do Anfitrião selecionamos cinco parcerias que já deram o que tinham que dar e com que novas pessoas os talentos envolvidos poderiam se relacionar.

Começar a lista acusando uma parceria tão frutífera de já ter chegado ao ponto de exaustão pode parecer um tanto quanto absurdo, ainda mais pelas indicações conseguidas por Jennifer Lawrence em seus dois trabalhos com O. Russel, incluindo uma vitória por O Lado Bom da Vida. Contudo, podemos ser honestos e afirmar que mesmo a Jennifer sendo a nossa melhor amiga e diva do povo, nenhum dos dois filmes são tão bons assim e nem as suas indicações (quanto menos a sua vitória) são completamente justificadas? Ela nem ao menos era a protagonista da história de O Lado Bom da Vida, e hoje em dia as únicas opções que temos de vê-la na tela são nos filmes da franquia Jogos Vorazes ou nas parcerias com o David O. Russel.

Com quem gostaríamos de vê-los: Visto que ela nunca estrelou algo deliberadamente cômico, talvez um papel protagonizando um filme do Woody Allen seria um refresco para a carreira da J-Law. E levando em conta que tudo o que ele toca vira Oscar de atuação, talvez uma parceria entre o O. Russel e Naomi Watts resultasse em uma vitória para ela que já passou da hora de acontecer.

Vou te fazer uma pergunta e gostaria que me respondesse sinceramente. Você já viu algum filme do Steven Soderbergh e gostou? Quando eu digo gostar, eu quero dizer se empolgar mesmo, e não achar decente ou passável. Eu sei que a minha resposta é negativa e o que me irrita em sua parceria com o Channing Tatum é que, apesar do super hit Magic Mike (que todo mundo viu pelos strips mas teve que suportar uma trama chatíssima que se achava a segunda vinda de Boogie Nights), Channing é uma das maiores promessas de leading man trabalhando hoje em dia, e cada Haywire e Terapia de Risco que ele estrela é uma perda de tempo por se entregar a um filme que não é nem um entretenimento popular nem um indie inteligente e aclamado por crítica.

Com quem gostaríamos de vê-los: O Steven já conseguiu um Oscar pra Julia Roberts por Erin Brockovich, então por que não aumentar a aposta e tentar fazer um drama inspirador com Blake Lively? Quanto ao Channing, como terror é um dos gêneros menos explorados em sua carreira, talvez o Sam Raimi pudesse criar algo na linha de Arrasta-me Pro Inferno pra ele estrelar. Isso se o Raimi algum dia cansar de vender a alma pra grandes estúdios fazendo reinvenções de Alice. Melhor esperar sentado.

Já faz mais de 10 anos que essa parceria começou e o seu Oscar ainda não veio, DiCaprio, então talvez seja uma boa ideia investir em algo novo? Até mesmo quando trabalha fora da sua parceria com o Scorsese, DiCaprio ainda parece preso no molde de “personagem charmoso a princípio, porém atormentado”, seja em A Origem ou O Grande Gatsby.  Isso porque também o vemos assim em Ilha do Medo e O Lobo de Wall Street. Já deu.

Com quem gostaríamos de vê-los: Ainda na liga de A-listers que já pegaram mais elencos de Victoria’s Secret do que Amy Adams já foi indicada a Oscars sem ter merecido, um bom exemplo é o trabalho do George Clooney em Os Descendentes. É difícil dissociar o astro do personagem quando se atinge um nível tão alto de fama, mas Clooney estava vulnerável, sem exageros e podíamos acreditar que ele era uma pessoa real. Como o Alexander Payne também já foi responsável por uma das indicações ao Oscar do Jack Nicholson em um papel que ele interpretava um senho comum, talvez ele seja a pessoa certa pro DiCaprio. Para o Scorsese, que tal uma mulher para variar? O estilo criminoso-safo que ele tanto mantém em seus filmes poderia ser emulado com muito charme pela Mila Kunis.

Eu sei que o que Deus uniu em matrimônio, blogueiros insatisfeitos não podem separar, mas nós temos um problema nesse casamento. Embora a Kate Beckinsale provavelmente não esteja em posições de recusar trabalho, o remake sem graça de O Vingador do Futuro provou que o nepotismo exercido por seu esposo tem ido longe demais. Apesar do papel de biscate enganosa se encaixar na imagem que nos acostumamos ter da Kate, a extensão do seu papel, que na pele de Sharon Stone durava um terço do filme, e aqui vai até os créditos finais (muito provavelmente ela deve revelar estar viva nos pós-créditos), revela que o Wiseman claramente não sabe nem fingir uma imparcialidade. Ao menos na série Underworld ela era a única presença feminina, e aqui a gente precisa ter uma nota mental que pra diferenciar a Kate da Jessica Biel é só lembrar que uma tem constantemente uma cara de estar puta enquanto a outra de sonsa. É hora de abrir um pouco essa relação e procurar fora do casamento.

Com quem gostaríamos de vê-los: Olha, o Len Wiseman eu não gostaria de ver com ninguém que eu queira bem, então talvez Lena Dunham? E a Kate, bom, ela se encaixa bem em papéis de ação, mas que tal algo que lhe desse liberdade pra atuar como um personagem imoral que eu sei que ela faria bem? Talvez uma comédia baixo nível do Paul Feig.

Eu sei que eu falei que Johnny Depp não apareceria com Tim Burton nessa lista por serem a epítome de desgaste entre colaboradores, mas não é a minha culpa que todas as suas parcerias sejam péssimas. Pra quem não se lembra, Verbinski é o diretor dos três primeiros filmes da série Piratas do Caribe, e acreditem, Johnny Depp chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator sob a sua direção. Mas ganancioso como é, apesar de literalmente já viver em um castelo, Depp quis garantir uma segunda franquia com o Verbinski, torrou dinheiro da Disney adaptando uma série da qual ninguém se lembrava e soltaram a maior bomba do ano passado, O Cavaleiro Solitário (isso porque o elenco ainda fez cosplay de Arnaldo Jabor e disseram que o fracasso do filme foi um “complô da mídia”). Pra dupla que já me fez sofrer com Piratas do Caribe 3 numa sala de cinema, só posso dizer que karma is a bitch, e ficam aqui na minha lista como a parceria que mais cansou.

Com quem gostaríamos de vê-los: Antes de prender a sua carreira a trabalhos em franquias, Verbinski despontou como um diretor inventivo em filmes como Um Ratinho Encrenqueiro e a adaptação americana de O Chamado. Talvez uma volta às origens, em um filme menor de fantasia estrelando Joseph Gordon Levitt. Quanto ao Johnny Depp, eu não sei se gostaria de vê-lo em filmes por um bom tempo. Talvez um talk show infamemente intitulado Deep com Depp, onde ele avalie fotos do pequeno bebê North West seguido de chá de ervas com Terrence Mallick e Gwyneth Paltrow? Eu conseguiria perdoá-lo de qualquer bomba lançada nos últimos 10 anos depois disso. Bom, talvez se deixássemos A Fantástica Fábrica de Chocolate de lado.

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4 comentários

  1. Não tinha como haver outro medidor, a não ser talvez a Helena Bonham Carter/Burton/Depp. Só que aí um ponto na escala equivaleria a aniquilação completa.

    Adorei a proposta do texto e os comentários espirituosos, como o que Marco destacou aí em cima. Eu só discordo quando ao David O’Russel, que não deveria ficar com mais ninguém e nunca mais fazer filmes e morrer no ostracismo. Melhor! Continua sua parceira com o Bradley Insuportável Cooper e carrega ele pro ostracismo contigo. Love, F.

    Mas pelo Oscar de Naomi, que ela faça um filme com ele.

  2. HAHAHAAH, que postagem adorável!!!!

    sim, também estou completamente saturada de deep (mais um pouco e começo amargurar até edward maos de tesoura) curti a ideia do talk show que poderia ser incrementado com um boneco de papagaio assistente e um bloco de culianaria onde ele provasse pedaços de bolo embaixo da mesa… wait.

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