Top 10 tipos de casais que você conhece

12 de junho, dia dos namorados. Seria um belo dia para se encontrar com o(a) seu(sua) parceiro(a) e passar horas e mais horas juntos em algum programa romântico e oportunamente mais caro, mas graças a benevolência de algum esportista solteiro e solitário, o que resta para o dia de hoje é despejar críticas na rede social de sua preferência com hashtags como #vaitercopa ou #nãovaitercopa ou #vaitersim ou #nãomedigaoqueeunãopossofazer

Felizmente ainda existem alguns poucos seres românticos espalhados por aí que vêem o dia de hoje como a data mais especial do ano para celebrar seu amor. Parabéns, jovem desiludido! É graças ao seu falso poder de percepção e altos padrões de idealização utópica que a indústria do cinema ganha milhões produzindo e distribuindo rom-coms.

O gênero, que uma vez foi responsável por arrebanhar inúmeros espectadores para as salas de cinema, pode ter reduzido o seu impacto, mas ainda é capaz de gerar muita repercussão (ou vai me dizer que você passou incólume pelo fenômeno A culpa é das estrelas?).

Baseado nessa comemoração, tão especialmente planejada pelas indústrias de preservativos, nós do Anfitrião resolvemos colaborar com uma especial seleção. Em vez de cair nos tradicionais “10 melhores comédias românticas” ou “10 melhores casais em filmes” nós resolvemos levar tudo ao próximo nível.

Em vez disso, preferimos escolher 10 típicos perfis de casais que você com certeza conhece e olharmos como são representados no cinema. Sabe aqueles seus amigos que estão sempre acabando o namoro, mas uma semana depois já estão de volta? E aquele casal que sempre tem uma discussão pedante e eloquente sobre a percepção foucaultiana dos fenômenos culturais? Ou aquele casal que nunca se desgruda e faz tudo junto? Separamos os 10 mais clássicos perfis para fazer o seu dia. Leia e diga se conhece alguém que se encaixa em algum dessas categorias.

ATENÇÃO Como ficaria muito vago escolher aleatoriamente casais diante dos milhares e milhares de filmes românticos que existem por aí, nós definimos apenas um requisito: o casal em questão tem que ter feito ao menos dois filmes juntos. Desse jeito, fica mais fácil ter uma percepção melhor e mais completa do modus operandis do casal e de como ele atua em conjunto. Nem precisam ser um casal na vida real, apenas nos filmes.

Dito isso, podemos seguir para a lista.

Drew Barrymore & Adam Sandler: o casal de desajustados

Com tanta bomba estrelada por Adam Sandler chega a ser curioso que ele é o primeiro a aparecer aqui na lista, mas a verdade é que sua química com Drew Barrymore é simplesmente irresistível. Quer dizer, os dois conseguiram fazer um filme sobre uma desmemoriada se descobrindo esposa/mãe parecer encantador. Precisa de muito carisma pra conseguir contornar o desconforto que é se imaginar no lugar de Drew Barrymore acordando todo santo dia e se descobrindo mais velha, num lugar onde você não conhece, com um cara que você não conhece e descobrindo que tem um filho que você nunca vai se lembrar… Isso sem mencionar o fato de você estar casada com Adam Sandler.

Seja em Como se fosse a primeira vez ou em Afinados no amor, Drew e Adam fazem jus àquele perfil de amigos que ainda parece não ter entendido muito bem como funciona a vida. Tudo bem, ninguém ainda entendeu direito como funciona. Mas a questão é que se a vida fosse um jogo de tabuleiro, eles estariam atrás de você. Bem atrás. Do tipo, gasto-minha-vida-fazendo-torres-de-panquecas-e-colares-de-coco atrás de você. Apesar disso, nada é mais adorável e endearing do que um casal que está aprendendo a amadurecer, mas sem deixar de perder o seu charme amador e principiante. Ou vai dizer que você também não tem vontade de pintar umas estampas florais em paredes junto com a Drew Barrymore enquanto os dois cantam Beatles?

Meg Ryan & Tom Hanks: o casal de tapas e beijos

Meg Ryan foi a it-girl dos anos 90 e estrelou algumas das mais famosas comédias românticas da época: Harry e Sally – Feitos um para o outro, Cidade dos anjos… Mas nenhuma chegou perto da faísca que teve com Tom Hanks, com quem contracenou não só duas, mas três vezes: em Sintonia de amorMens@gem pra você e a screwball comedy Joe contra o vulcão. Tanta faísca claro que teria que ser traduzida em discussões.

Todo filme precisa de um pouco de conflito para dar desenvolvimento a trama e às vezes é necessário que o casal tenha algum desencontro, mas no caso de Mens@gem pra você esse recurso é levado um pouco a sério demais. Durante todo o longa, os dois fazem questão de mostrar que se detestam e odeiam, mas quando no final Meg Ryan descobre que é Tom Hanks o seu admirador secreto ela reage com “I wanted it to be you” quando eu esperava por algo mais dramático como uma síncope e ataques de machado.

Pelo jeito, ainda preciso aprender direito quando começa a fase do ódio e quando começa a fase do amor, mas no caso de Meg e Tom as duas definitivamente andam juntas.

Julia Roberts & Richard Gere: o casal que tem medo de compromisso

Você já conhece a regra “não beijo meus clientes: é intimidade demais” (e provavelmente já procurou ver algum sentido nessa frase depois de muitas e muitas reflexões). Isso faz tanto sentido quanto os joguinhos de interesse que você já presenciou entre seus amigos. Demorar para responder, furar encontros de última hora, aparecer repentinamente… Tudo estratégia para fugir de um compromisso sério.

Julia Roberts teve dificuldades em aceitar o amor na sua vida (dentre outras coisas, o bom senso fashion por exemplo… Até hoje pode-se ouvir o choro por comissão de uma vendedora de boutique da Rodeo Drive), mas nada que um Richard Gere não faça mudar de ideia. Aliás, o ator foi dedicado o suficiente a ponto de insistir não só em um, mas dois filmes. Isso que eu chamo de não deixar o amor escapar.

Só pedimos para saber quando uma “perseguição” saudável pode virar obsessão. Afinal, estamos falando de um charme de Noiva em Fuga, não de Mark Wahlberg encarceirando Reese Witherspoon e família em Medo. Há uma grande diferença.

 Elizabeth Taylor & Richard Burton: o casal iôiô

Um dos casais mais ícones de Hollywood, Elizabeth Taylor e Richard Burton estrelaram nada menos do que 10 filmes juntos. O filme que representou o começo do affair entre os dois atores foi Cleópatra (o que deve ser o único elemento atrativo de todo o filme, que foi um enorme fracasso na época: até Elizabeth Taylor detesta).

A vida afetiva e pessoal do casal foi tão perseguida e noticiada pelo público e imprensa da época que não dá para não levarmos em consideração aqui a intimidade entre os dois. Afinal de contas, Liz Taylor se casou 8 vezes. E duas delas com o mesmo homem, Richard Burton (que foi mais humilde ao se casar apenas 4 vezes).

Em alguns dos filmes, eles até podem ter final feliz, mas a verdade é que não há uma produção que melhor represente os dois que Quem tem medo de Virginia Woolf, em que o casal vive em pé de guerra. Para quem vive soltando farpas talvez a melhor solução seja mesmo se distanciar… Para logo voltar de novo e reviver os bons momentos que tiveram juntos.

Mas isso só até se relembrarem porque se separaram e voltar cada um para o seu canto. Vai entender.

Kerry Washington & Jamie Foxx: o casal que está ali pelo outro

Muito antes de proteger a Casa Branca por meio de ações escusas e declarações manipuladoras, Kerry Washington já domava almas rebeldes há muito tempo. Em Ray, Jamie Foxx é apaixonado pela sua esposa, Kerry, que tem que lidar não só com álcool e drogas, mas também com a traição de seu marido. Kerry acompanha o parceiro e não o abandona mesmo quando outros já o deixaram para trás.

A hora para retribuir o cuidado é em Django Livre quando, após conseguir a sua própria liberdade, o ex-escravo Django promete vingança a todos aqueles que humilharam sua esposa Broomhilda, ainda mantida como escrava pelos senhores brancos.

Jamie e Kerry sempre estiveram ali pelo outro, mesmo quando o mais compreensível fosse que os dois se afastassem. Às vezes a vida surge com umas reviravoltas que o mais sensato seria o casal dizer adeus, mas o respeito entre eles é tão forte que continuam juntos e ajudam um ao outro.

Sandra Bullock & Keanu Reeves: o casal que vive à distância

E quanto àqueles seus amigos que estão em um relacionamento, mas vivem em cidades/estados/países diferentes? Quer melhor representação do que em A casa do lago?

A diferença é que Sandra e Keanu decidiram levar a questão de separação a um nível teórico muito mais abstrato e intangível. Em vez de estarem separados fisicamente, eles estão separados cronologicamente. Keanu vive em 2004 e Sandra vive em 2006 e, de alguma forma metafísica, eles conseguem se corresponder via cartas por uma caixa de correio.

Ok, vamos abrir abertura para uma licença poética em vez de tentar racionalizar o inexplicável. Sei que pode parecer estranho um casal que se comunica por cartas em pleno anos 2000, mas vamos entender isso como um meio de expressão natural.

Sandra é muito sofisticada para fazer sexting, mas todo o resto de um relacionamento à distância surge no longa: imaginações sobre o que o outro parceiro está fazendo, fazer de conta que ele está no mesmo cômodo que você, aproveitar ao máximo os poucos momentos que têm juntos… Uma pena que o filme seja tão subestimado.

Hermila Guedes & João Miguel: o casal de uma noite só

Quem não conhece alguém desse perfil? Você está lá na balada e de repente se encontra novamente com aquele seu antigo ficante. Você já o conhece, tem carinho por ele, sabe que é uma boa companhia… Porque não?

Com Hermila e João também é assim. Os dois ficam de paquera tanto em O céu de Suely quanto em Era uma vez eu, Verônica, mas não significa que são só eles. O casal também têm outros parceiros e outros interesses existenciais e profissionais fora o tradicional encontrar-o-amor-de-sua-vida. Eles se gostam e aproveitam o tempo que têm juntos, mas sabem que existe vida fora o típico amor hollywoodiano (e não seria o mesmo para o cinema nacional?).

Kate Winslet & Leonardo DiCaprio: o casal que não tem futuro

Acho que você já estava esperando por Kate e Leo a essa altura, certo? Claro que eles não iriam passar despercebidos aqui na lista. Afinal de contas, se tem alguém que é representação do casal platônico que não foi feito para dar certo são os dois.

Todos nós sabemos como terminou Titanic e como o mundo sofreu até hoje, revelando as suas camadas machistas e gordofóbicas ao culpar Kate pela morte do Leonardo DiCaprio ao não dividir espaço na porta (se vocês tivessem visto o filme religiosamente em todo 12/06 que nem eu, saberiam que eles tentam dividir, mas desistem depois que a porta vira).

E além do mais, nós ainda tivemos a oportunidade de ver como os dois funcionariam como casal em Foi apenas um sonho caso ambos tivessem sobrevivido ao acidente e, olha só, eles não funcionariam. Os dois cresceram com amargura e rancor, enquanto culpava um ao outro pela sua própria infelicidade.

Longe de mim julgar a paixão alheia, mas é um pouco difícil exigir amor eterno de um casal que se conheceu durante circunstâncias extraordinárias e ficou junto durante menos de uma semana… Quantas vezes casos assim resultou em relacionamentos longos e duradouros? Melhor ter a lembrança dos bons momentos que viveram juntos e guardar como uma linda memória, pra recorrer sempre que precisar de um pouco de calor humano.

Julie Delpy & Ethan Hawke: o casal verborrágico

Talvez o melhor retrato da construção de um casal em toda a história do cinema. Não somente pela divisão e evolução do relacionamento em três níveis (o que não foi nenhuma novidade, afinal Truffaut já tinha feito parecido ao retratar sua vida por meio do alter ego Antoine Doinel em Os IncompreendidosBeijos RoubadosDomicílio Conjugal e Amor em Fuga), mas também pelas atuações e química de Julie Delpy e Ethan Hawke.

Assim como Antoine e Christine, que têm discussões intelectuais e filosóficas enquanto se preparam para dormir, Jesse e Celine também refletem sobre diversos assuntos, como detalhes pessoais como as fases de um relacionamento ou suas aparências, até temas mais profundos como o papel da propaganda e a atuação do Estado na sociedade… O que vemos durante todos os três filmes da série é um casal que não só conversa, mas também escuta. E além disso: pensa sobre o que o outro falou e pondera o seu ponto de vista.

Um casal que gosta de refletir e ampliar os seus horizontes e que, veja só, se mantem juntos durante anos e anos. Segura essa, jovens pedantes de Dawson’s Creek!

Goldie Hawn & Kurt Russell: o casal feito um para o outro

E por fim, aquele perfil que todo mundo “romanceia”: o casal que vive feliz para sempre. Confesso que inicialmente os dois roubaram a vaga de Kate Hudson e Matthew McCounaghey (que representariam o casal que não se desgruda), mas muito mais significativo é o perfil da mãe de Kate, Goldie Hawn.

Goldie e Kurt Russell se conheceram durante as gravações de Armas e amores, mas os dois só engataram um romance durante a produção de Um salto para a felicidade (dirigido por Garry Marshall, de Uma linda mulher e O diário da princesa). O que chega até ser engraçado, já que no filme a loira sofre de amnésia e é sequestrada, mantida refém por Kurt Russell que a engana dizendo que são casados. Ele forja fotos, fingindo uma vida que ela nunca teve, manipula seus filhos a apoiar a mentira, obriga Goldie a realizar todas as tarefas domésticas e a trata como uma serviçal (palavras do personagens, não minhas). E o que acontece quando ela finalmente recupera as suas memórias? O que qualquer pessoa sensata faria, é claro. Abandonar toda sua vida para continuar com ele.

Olha, nós até encorajamos a busca pelo amor verdadeiro, mas tenha um pouco mais de amor próprio Goldie Hawn. Por favor.

Identificou algum amigo seu? Não se viu representado por nenhum desses casais? Pensou em alguns que não foram nem citados pelo texto? Deixe sua opinião abaixo na caixa de comentários.

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