Crítica: “Operação Big Hero”

Primeira incursão nas histórias da Marvel, depois de ser comprada em 2009, Operação Big Hero é o mais novo lançamento da Disney depois do enorme sucesso com Frozen. Veja a opinião do blog sobre a produção.

Quando se fala Disney é impossível não lembrar dos clássicos e idolatrados A Pequena Sereia, A Bela e a Fera, AladdinO Rei Leão. Mas mesmos os mais “jovens” Mulan e Tarzan também provaram que o estúdio ainda conseguia lançar épicos bem sucedidos.

Porém, quando chegou os anos 2000, o estúdio pareceu ter perdido a mão e revezava um sucesso com um fracasso: A Nova Onda do ImperadorAtlantis, Lilo & Stitch e O Planeta do Tesouro, Irmão Urso e Nem Que a Vaca Tussa… Depois de tantas decepções, a Disney anunciou que não iria mais produzir animações 2D e que o futuro era dos desenhos computadorizados. Fãs de animação ficaram desolados com a decisão.

Demorou um tempo (quase uma década), mas eventualmente o estúdio conseguiu perceber que o motivo dos desastres não era por conta do traço, mas da história. O sucesso de A Princesa e o Sapo, única animação tradicional lançada nesse meio tempo, provou a teoria e Disney finalmente conseguiu voltar à velha forma.

Depois de quebrar vários recordes com Frozen (atualmente, o filme é o quinto na lista de produções de maior bilheteria mundial e a única animação do top 10), todos esperavam que o filme não errasse mais. Infelizmente, não é o que se pode dizer de Operação Big Hero.

Robô humano e humano robô

Adaptado da desconhecida série da Marvel, Operação Big Hero conta a história do garoto prodígio Hiro Hamada que perde seu irmão, um inteligente aluno de robótica, em um incêndio na universidade que estudava. O garoto descobre a última invenção do irmão, o robô-enfermeiro Baymax, e se envolve em uma trama policial, investigando recentes roubos e outros casos policiais que, de alguma forma, tem uma ligação.

Apesar de contar com boas dublagens, o filme peca mesmo em seu desenvolvimento sem elegância alguma. A trama é muito truncada e segue de um ponto a outro sem sutileza. Primeiro Hiro precisa descobrir isso. Agora, Hiro precisa lidar com tal informação. Depois, Hiro tem de perceber aquilo… A história não flui naturalmente e o espectador se sente assistindo um rápido condensado de vários volumes de uma história em quadrinhos, espremidos em menos de 1h30.

Isso sem mencionar a obviedade de algumas twists na história (que a plateia mais atenta vai ter previsto muito tempo antes do filme revelar) e a atenção que o filme dá para a equipe de super heróis (com direito a sequência de treinamento) que é completamente irrelevante para a trama principal.

Operação Big HeroQuanto a estética, o desenho inicialmente parece ser mais inclusivo, já que praticamente todos os personagens mais importantes para a história são minoriais sociais nos EUA. Hiro, seu irmão e GoGo Tomago são orientais, enquanto que Wasabi é negro e Honey Lemon hispânica. Mas o mesmo espaço que a produção abre para diversidade, ela mesma tenta fechar: se não fosse pelo nome, alguém diria que Hiro é oriental? Os traços dos personagens asiáticos se aproximam mais de um caucasiano qualquer do que de um oriental, a despeito de como ocorre com Mulan, por exemplo. Claro que podem recorrer à fictícia cidade Francistóquio, misto de São Francisco com Tóquio, para justificar a miscigenação, mas daí a intenção de diversidade inclusiva, é entendida mais como um golpe de marketing para agradar o mercado internacional (Frozen é o filme mais assistido de todos os tempos no Japão), do que uma medida social.

E a crítica aos personagens não se resume à aparência visual. Hiro teria um futuro promissor como um anti-herói que aprende sua lição (perfil já visitado em outros filmes da casa, como Kuzco de A Nova Onda do Imperador, e Ralph de Detona Ralph, por exemplo), mas seu desenvolvimento na trama é extremamente forçado. A forma com que suas emoções e reações são abordadas no filme transforma o protagonista em um ser mais robótico e menos humano que o próprio robô da história, Baymax. Esse sim, o maior ponto positivo do filme.

Aliás, chega a ser curioso como toda peça promocional do filme se aproveita da figura do Baymax e do time de super-heróis, desnecessários à trama. Toda essa atenção desmedida leva a crer que o filme foi feito com a única intenção de vender bonecos. “Precisamos de um filme sobre super-heróis”, deve ter sido o que a equipe ouviu dos diretores durante a produção de Operação Big Hero.

Se continuar assim, não vai demorar muito para o estúdio voltar a culpar os traços do desenho ou o desinteresse do público e esquecer, mais uma vez, que tão importante quanto a forma é o conteúdo.

Operação Big Hero 
Big Hero 6, EUA, 2014, animação, 113 min.
De Don Hall e Chris Williams. Com Ryan Potter, Scott Adsit e Jamie Chung.

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