Cena do dia: perseguição de carro em “Mad Max”

Esse final de semana tivemos a estreia mundial de Mad Max – A estrada da fúria, uma das maiores e mais esperadas produções do verão americano estrelando Tom Hardy e Charlize Theron. Como já era de se esperar, o filme causou grande repercussão, mas por outros motivos além da repaginada da franquia, desacordada há exatamente três décadas. Textos alertando sobre o “excesso (sic) de mulheres no elenco e em posições de destaque” pipocaram pela internet afora, como por exemplo o blog Return of Kings, para “homens héteros e masculinos” que argumentam que “o papel da mulher deve se resumir a fertilidade e beleza e do homem o de habilidade, intelecto e caráter”, entre outras bobagens que nem vamos dar ao trabalho de traduzir.

Eles escreveram essa bomba aqui basicamente dizendo que, embora não tenham visto, o filme é um ultraje por relegar o papel de homem a uma posição secundária e que “os espectadores homens se sentirão insultados e trapaceados ao ver um pedaço da cultura americana sendo arruinada e reescrita diante de seus próprios olhos”. Bom, argumentar que a cultura americana não é preocupação do diretor australiano George Miller, responsável por dirigir e roteirizar todos os três primeiros filmes e também a nova versão, seria uma perda de tempo, certo? (Mas para quem gosta, o A.V. Club escreveu um post resposta para essas críticas que funciona como a versão internética de um tapa na cara).

Então, para o post de hoje, resolvemos voltar algumas décadas e verificar como é esse herói Mad Max. Esse post é para aqueles que pouco se lembram… ou desconhecem totalmente, caso você estava confundindo Mad Max com Blade Runner até alguns dias atrás.

(Nem preciso falar que daqui em diante é só spoiler, né?)

Se você é um daqueles que quer assistir todos os longas da série antes de conferir nos cinemas, aqui vai nossa primeira dica: não faça isso. Você não só consegue entender perfeitamente o filme sem ter visto nenhum dos capítulos anteriores, como vai poder aproveitar mais horas da sua vida, porque os filmes são todos bem ruins, pra falar a verdade. É melhor você só assistir esse clipe da Tina Turner e considerar seu trabalho feito. Até colorir as páginas daqueles livros seria tempo melhor gasto, acredite.

“Mas Marco, então o que acontece?”. O primeiro filme se passa num futuro não muito distante, em que a violência urbana fica mais frequente no cotidiano da população (ou seja, hoje). No segundo, o mundo é resultado de crescentes guerras civis e disputas de petróleo entre poderosas nações (ou seja, amanhã). No terceiro, 15 anos depois, a situação se agrava e Max tenta sobreviver em um mundo pós apocalíptico. Tudo parece na verdade uma desculpa para vermos os três estágios de um estudante de Humanas:

Escolhemos aqui uma cena da primeira produção justamente por ser aquela que dá o tom do destino trágico do personagem e do por que ele se torna “mad”. Após testemunhar seu parceiro de trabalho ser vítima de uma gangue de motoqueiros, o policial abandona sua profissão e viaja com sua esposa e seu filho. No entanto, os dois são vítimas da mesma gangue e Max promete vingança. Nessa cena, ele persegue o líder do grupo, Toecutter.

Mad Max sempre foi uma série conhecida pelas grandes perseguições de automóveis. Essa sequência, apesar de ser um dos maiores momentos do primeiro filme, já mostra o quão o filme envelheceu mal. Quer dizer, olha esse último frame de Toecutter. Isso é Mad Max ou aquele vilão de Uma cilada para Roger Rabbit?

Isso porque, antes disso, ele foi baleado e atropelado por outros dois motoqueiros da gangue.

mad_max-01    mad_max-2

Esse é o grande herói que os espectadores estão sentindo falta? Francamente, ele deve ser um dos heróis mais incompetentes de todos os tempos. Até Sidney Prescott dava umas surras gostosas no Ghostface em praticamente todo novo capítulo de Pânico, mas nem isso Max consegue fazer.

E o diretor ainda quer que acreditemos que, após isso tudo, ele conseguiu voltar para o seu carro e perseguir o Toecutter, até ficar no encalço do vilão. Até onde eu saiba, você precisa de ter os dois pés para conseguir dirigir.

     

Desse jeito, ele está mais para um brinquedo maltratado do Sid do que um James Bond das ruas…

Nada contra Mel Gibson, mas não entendi o saudosismo que os espectadores tanto reclamaram. Se for pra exigir a volta de um “lobo solitário” que acaba atuando como um peão na mão de autoridades maiores, acho que é mais negócio seguir com Charlize Theron de vez e simplesmente excluir o Max da jogada. Não concorda?

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