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Melhor Atriz: três tópicos para discussão

Em poucas horas, saberemos os indicados desse ano ao Oscar e durante semanas cinéfilos por toda parte vão lamentar quem foi esnobado, quais atores foram esquecidos, quais filmes merecem ganhar e todas as outras discussões típicas entre aqueles que acompanham a premiação durante anos e anos.

Esse ano, em vez de fazer uma lista previsível e reproduzir os mesmos nomes que você pode encontrar em qualquer lugar na internet, vou fazer uma análise mais aprofundada da categoria que mais me interessa: a de Melhor Atriz. Isso mesmo, nada de Beneditc Cumberbatch ou Michael Keaton por aqui. Já discutimos o papel da mulher no cinema aqui no blog várias vezes e hoje não é diferente.

Vou comentar sobre as prováveis indicadas e também levantar importantes tópicos que acho que merecem ser discutidos.

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Rooney Mara escalada como índia (e outras contratações racistas)

Essa semana Warner Bros divulgou a contratação de Rooney Mara, indicada ao Oscar pela sua atuação como Lisbeth Salander em Os Homens que Não Amavam as Mulheres, para o novo filme do Peter Pan que o estúdio está produzindo. Em vez de adaptar novamente a mesma história que já foi contada inúmeras vezes (o desenho animado em 1953, a versão live action em 2003, e a biografia romantizada do autor em 2004), o estúdio planeja contar uma versão diferente: mudar o foco de Wendy e seus irmãos e contar como Peter Pan surgiu. Ambientado na 2ª Guerra Mundial, o filme planeja contar a história de um órfão chamado Peter e como ele foi sequestrado e levado até a Terra do Nunca, onde deveria proteger o lugar e enfrentar o pirata Barba Negra.

Parece interessante, certo? Entretanto, o que realmente chamou a atenção das pessoas foi o papel para o qual Rooney foi escalada: o da índia Tiger Lily (na adaptação em português, Tigrinha). Rooney Mara como índia? Mas como assim?

Já antecipando uma provável onda de reprovações, o estúdio surgiu com esse anúncio abaixo:

“The world being created is multi-racial/international – and a very different character than previously imagined.

The studio took on an exhaustive search in finding the right girl to play Lily looking at other actresses such as Lupita Nyonog’o and Blue is the Warmest Color thesp Adele Exarchopoulos before going out to Mara for the role”

Multi-racial? Mas quem está mesmo no elenco? Hugh Jackman (um homem branco), Garret Hedlund (um homem branco) e Rooney Mara (uma mulher branca). Realmente, uma explosão de diversidade. Alguém deveria dizer aos executivos da Warner que não basta você dizer “Bem, nós consideramos Lupita e Adele também” como justificativa que automaticamente torna o filme livre de rotulações racistas. Ainda mais quando você ignora os poucos papéis étnicos e os oferece a uma maioria branca.

O mais frustrante é que contratações como essa são muito mais frequentes e pouco discutidas, enquanto que casos como o de Michael B Jordan viram verdadeiras polêmicas. O ator, contratado para interpretar o Johnny Storm (vulgo Tocha Humana) na nova franquia do Quarteto Fantástico, sofreu um terrível backlash dos fãs: “Ele não é negro nos quadrinhos”, “Ele é irmão da Sue, isso significa que ela será negra também?”, “Eles vão alterar a história da série para justificar a escolha?”. Para todas essas reclamações: vocês sabem que pessoas com super-poderes não existem, certo?

Rooney Mara escalada como índia

Há tão poucos papéis com identidades étnicas e raciais diversificadas (principalmente no cinema mainstream) que a tendência da indústria cinematográfica deveria ser mais inclusiva a fim de expandir a quantidade desses personagens. O movimento deveria ser como o dos produtores de Quarteto Fantástico, não como os de Peter Pan. Não faz muito tempo, o Victor escreveu aqui no Anfitrião o texto “Cinco carreiras de atrizes que Lupita Nyong’O não deveria seguir” alertando sobre a falta de papéis para atrizes negras na Hollywood atual. E em duas semanas vemos uma branca contratada para interpretar uma nativa. O retrato não parece ter mudado nem um pouco…

Infelizmente, como em todos os setores da nossa sociedade, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Pra exemplificar, fomos atrás dos casos mais recentes de polêmicas envolvendo contratações de atores brancos para representar personagens étnicos.

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