Posted by: Marco | Julho 3, 2008

Nada robótico (Wall-E)

WALL-E    { 4estrelas.jpg }

Wall-E tinha tudo para dar errado: uma animação praticamente sem diálogos sobre um romance entre robôs num mundo pós-apocalíptico? Um enredo muito ousado e arriscado para um público menos seletivo que prefere escolher produções formulaicas do que interessantes premissas. Há também que se ressaltar o uso de atores que frusta muitos fãs e adoradores do gênero de animação. No entanto, o que pode-se tirar como conclusão é que Wall-E erra sim, mas seus acertos são fenomenais.

Primeiro, a sua história. É curioso ver como o discurso ecologicamente correto ganha ares de tragédia para uma produção que é justamente voltada para o público infantil. O que só justifica a importância de sua temática para  nossa sociedade de hoje. Até que ponto nós realmente vamos começar a dar valor ao que temos? Aquecimento global, alterações climáticas, todos esses tópicos que ouvimos diariamente já adquiriram valores de assuntos corriqueiros, comuns. Mas e quando elas se intensificarem? Será que nós só vamos reconhecer o que temos quando chegar nesse estágio de perda total?

Outro atributo que funciona a favor do filme é a direção de Andrew Stanton. É incrível como os olhos do robôzinho que dá nome ao filme possa ter os olhos tão humanos. Além de ser um personagem animado, o que já limita essas emoções que só o olhar humano imprime, ainda é a animação de um robô, o que limita ainda mais. O resultado que se tem, no entanto, é completamente o oposto. O robô é cheio de vida, ainda que seja um robô, ainda que seja uma animação. Cenas lindas e poéticas como a que ele descobre a poeira espacial, ou a ótima seqüência em que o casal principal dança no espaço só servem para comprovar a simpatia de um personagem mudo tão adorável (interessante notar como a sua mudez e ingenuidade lembra a de Dumbo, também com essas mesmas particularidades, embora que numa situação completamente diferente).

 Se já não fosse suficiente, ainda há o maravilhoso uso da trilha sonora. A criação de Thomas Newman destaca-se logo na apresentação dos créditos, passando pela ótima faixa que é reservada à paixão robótica do personagem principal. Simplesmente encantadora! As canções tema de Hello Dolly!, como a It Only Takes a Moment, também funcionam positivamente para o filme. Sem esquecer da maravilhosa La Vie En Rose cantada por Louis Armstrong que por si só já vale o ingresso do longa.

Ainda que tenha causado alguns incômodos com seus furos de roteiro - se a sociedade não conseguia nem ficar em pé, como ela se mantinha em longevidade? como se reproduzia? e como todos se dispuseram a ajudar Wall-E naquele clímax se nem sabiam o que estava acontecendo? - tem que se destacar a importância de Wall-E, tanto pelo sua qualidade cinematográfica, quanto pela sua temática urgente.

 

Posted by: Marco | Julho 1, 2008

Da série “Dialogue com o poster” II

Meu Deus! E dia 18 que parece não chegar nunca!

Posted by: Marco | Junho 29, 2008

Canção da semana: “Listen” de Dreamgirls

Listen to the song here in my heart
A melody I start but can’t complete
Listen to the sound from deep within
Its only beginning to find release

Ohh the time has come for my dreams to be heard
They will not be pushed aside and turned
Into your own, all ’cause you won’t listen

Listen
I am alone at a crossroads
I’m not at home in my own home
And I’ve tried and tried
To say whats on my mind
You should have known
Now I’m done believing you
You don’t know what I’m feeling
I’m more than what
You’ve made of me
I followed the voice, you gave to me
But now I’ve gotta find my own
You should have listened

There was someone here inside
Someone I thought had died
So long ago
Oh I’m screaming out
And my dreams will be heard
They will not be pushed Aside or turned
Into your own
All ’cause you won’t listen

Listen
I am alone at a crossroads
I’m not at home in my own home
And I’ve tried and tried
To say whats on my mind
You should have known
Now I’m done believing you
You don’t know what I’m feeling
I’m more than what
You’ve made of me
I followed the voice, you gave to me
But now I’ve gotta find my own
You should have listened

I don’t know where I belong
But I’ll be moving on
If you don’t, if you won’t

Listen to the song here in my heart
A melody I start, but I will complete

Now I am done believing you
You don’t know not what I am feeling
I’m more than what you’ve made of me
I followed the voice you think you gave to me

But now I got to find my own - my own

Posted by: Marco | Junho 25, 2008

4 filmes para os 100 anos da imigração japonesa

À essa altura, todos já devem saber sobre os 100 anos da imigração japonesa. E para comemorar essa data, resolvi escolher quatro filmes japoneses que possuem uma certa importância no cinema mundial. Como essa ainda é uma lista pequena e sempre é bom reservar espaços para surpresas e filmes mais desconhecidos (ainda que ótmos), não se desesperem com a ausência de alguns longas. Não são necessariamente os melhores e nem todos são tão essenciais para o mundo cinematográfico, mas são longas que merecem a sua devida atenção.

4- Hana-bi - Fogos de Artifício (1997), de Takeshi Kitano
Nishi é um policial (interpretado por Takeshi Kitano que também dirige a fita) descobre que sua mulher possui uma doença terminal. Momentos depois, ele vê o sofrimento de seu parceiro e amigo ao ter que usar cadeira de rodas após ser baleado em uma emboscada. Emocionado com esses acontecimentos, Nishi decide sair da polícia e refletir sobre a sua vida.

Esse belíssimo filme de Kitano ainda é desconhecido do público, mesmo tendo ganhado vários prêmios internacionais, como o Leão de Ouro no Festival de Veneza. No entato, isos é explicável, Hana-bi - Fogos de Artifício não é para todos: o filme possui uma narrativa um pouco lenta e faz uso de poucos diálogos. Mas o que se vê é impressionante. A metáfora utilizada pela produção, como os fogos de artifício representarem uma beleza fulgaz, finita, é um dos seus maiores atributos, assim como a fotografia que prima justamente por não querer criar um espetáculo visual. Em Hana-bi a vida é assim mesmo, cruel, depressiva e sem adornos.

3- Ring - O Chamado (1998), de Hideo Nakata
Após ter um parente morto de forma misteriosa, a repórter Reiko decide investigar a razão do seu assassinato. Ao pesquisar e perguntar para os amigos da falecida, ela ouve histórias sobre um estranho vídeo que, após ser assistido, mata a pessoa em apenas sete minutos. Reiko então decide ir atrás da fita e descobrir mais sobre esse mistério.

O filme em si não é o melhor feito do gênero, e chega até mesmo a ser inferior a sua refilmagem norte-americana em vários pontos. Mas esse é o justamente o motivo dele estar nessa lista. Ring - O Chamado foi praticamente o responsável por revolucionar o gênero de suspense e terror do cinema mundial. Após o sucesso de seu respectivo longa americano, praticamente todas as fitas resolveram apostar em histórias sobrenaturais e oriundas dos países orientais. Ring pode até não ser bom, mas com certeza é um marco para o cinema.

2- Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa
No Japão feudal do século XVI, o samurai Kambei aceita proteger uma aldeia constantemente saqueada por bandidos. Contando com a ajuda de outros seis samurais aposentados, Kambei e o grupo treina os moradores para se defenderem em futuros ataques.

A presença dessa produção na lista não deve ser surpresa para ninguém. Kurosawa, além de ser um ícone do cinema japonês, criou esse longa que é possivelmente um dos melhores da história. As lindas tomadas, as maravilhosas seqüências de ação: tudo ocorre como se as três horas de duração passassem voando. Simplesmente, uma obra-prima!

1 - A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Myazaki
Durante uma viagem de mudança, a menina Chihiro e seus pais erram o caminho e acabam parando num misterioso túnel. Curiosos, eles entram e decidem entrar num restaurante do outro lado. O que a pobre Chihiro não esperava é que seus pais, após comer as refeições do lugar, viraram grandes porcos. Esse é apenas o início de um mundo de surpresas e novidades que a menina conhecerá, lidando com espectros, magia, ratos e dragões.

Para muitos, A Viagem de Chihiro certamente não ocuparia esta posição, mas certamente a produção representa muito para o cinema japonês. Além de ser a primeira animação a ganhar o Urso de Ouro em Berim, e a primeira animação estrangeira a ganhar o Oscar de Animação, Chihiro representa a consolidação de um gênero: o anime. O que muitos viam com olhares preconceituosos, como apenas uma fase passageira, acabou se desfazendo após assistir essa fábula. Como uma Alice no Japão Feudal, A Viagem de Chihiro representa a maturidade de uma criança, um mágico ritual de passagem. Um ritual que só poderia ganhar vidas nas mãos do talentosíssimo Hayao Myazaki do também famoso e popular Princesa Mononoke. O gênero de animação ganhou credibilidade e deixou de ser apenas um programa infantil, levando Chihiro a um status de “filme cult”.

Posted by: Marco | Junho 22, 2008

Novas regras do Oscar

Ano vai, ano vem, todos criticam o Oscar por alguma vitória injusta, alguma indicação subestimada, ou esquecimento imperdoável. Porém sempre continuamos assistindo essa premiação que, gostando ou não, é a mais importante do cinema mundial.

Esse ano, foram criadas duas novas regras que prometem estabelecer mais “justiça” para as próxima edições. A primeira delas é referente a categoria de Melhor Canção. O feito conseguido por A Bela e a Fera em 1992, O Rei Leão em 1995, Dreamgirls - Em Busca de um Sonho em 2007 e Encantada em 2008 não será mais repetido futuramente. Como devem se lembrar, os filmes citados conseguiram três das cinco indicações, deixando outras excelentes músicas de fora. Agora, os votantes agora decidiram que um filme não pode receber mais do que duas indicações. Isto é, os produtores podem fazer campanhas e submeter o número de canções que quiserem, mas apenas duas poderão entrar.

A outra regra é a respeito da categoria Filme Estrangeiro. Essa é uma das categorias mais polêmicas da Academia pelo fato dos membros esnobarem títulos ousados e famosos em detrimento de outros com tema mais agradável, mais comercial. Por exemplo, o famoso vencedor de Cannes 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias ganhou elogios e mais elogios durante todo o seu percurso, mas acabou sendo excluido da lista dos nove finalistas da categoria.

Isso agora promete mudar! Se na Fase 1, eram votados nove filmes para depois serem indicados os cinco tradicionais, agora os votantes poderão escolher apenas seis. Depois que esses seis filmes forem votados, um comitê executivo selecionará três filmes que tiveram boa recepção entre a crítica, festivais, etc. É uma boa mudança para o Oscar, mas ainda sim isso não é uma segurança para os produtores dos determinados filmes: pode ser que ocorra o mesmo que Volver sofreu (listado entre os nove finalistas, mas esnobado na hora das indicações).

O que vocês acharam?

Times have changed
Our kids are getting worse
They won’t obey their parents
They just want to fart and curse!

Should we blame the government?
Or blame society?
Or should we blame the images on TV?

NO!
Blame Canada! Blame Canada!
With all their beady little eyes and flapping heads so full of lies!
Blame Canada! Blame Canada!
We need to form a full assault!
It’s Canada’s fault!

Don’t blame me for my son, Stan.
He saw the darn cartoon and now he’s off to join the Klan.
And my boy, Eric, once had my picture on his shelf.
But now when I see him he tells me to fuck myself.

WELL…
Blame Canada! Blame Canada!
It seems that everything’s gone wrong since Canada came along.
Blame Canada! Blame Canada!
They’re not even a real country anway.

My son could have been a doctor or a lawyer, it’s true.
Instead he burned up like a piggy on a barbecue.

Should we blame the matches?
Should we blame the fire?
Or the doctors who allowed him to expire?

HECK NO!
Blame Canada! Blame Canada!
With all their hockey-hullabaloo,
And that bitch Anne Murray too,
Blame Canada! Shame on Canada, foooor…

The smut we must cut,
The trash we must bash,
The laughter and fun must all be undone!
We must blame them and cause a fuss
Before somebody thinks of blaming us!

Posted by: Marco | Junho 17, 2008

Da série “Dialogue com o poster”

- Yes, M’am!!

Posted by: Marco | Junho 17, 2008

Finalmente!

Problema com internet resolvido! Pensei que os conhecimentos internéticos da minha família fossem melhor do que de fato são. Enfim, podemos agora voltar à nossa programação normal.

Posted by: Marco | Junho 12, 2008

Por favor, aguarde…

Estamos com problema técnico. Quem mandou ser muquirana e cancelar a net sem querer?

Posted by: Marco | Junho 8, 2008

O 3º ato da vida (A Família Savage)

A FAMÍLIA SAVAGE    { 2estrelas.jpg }

Depois de muitas semanas de espera, A Família Savage finalmente estreiou esse final de semana em Brasília (o filme chegou às bilheterias cariocas e paulistas na última sexta de março), o que só me faz imaginar  a demora que será para chegar em outros estados menos afortunados. E após ver o filme é fácil perceber o porquê dele possuir um público-alvo tão limitado.

Nem todos vão gostar de A Família Savage. O longa trata de um tema polêmico? Não. Usa e abusa de cenas explícitas de sexo e violência? Com certeza, não. O que pode afastar a audiência é justamente a sua abordagem depressiva e a sua relação com a dramaturgia, algo que ambos protagonistas vivenciam profundamente (a irmã Wendy é graduada em belas artes, enquanto que o irmão é professor de filosofia). Isso não implica em pontos negativos. Muito pelo contrário, o roteiro cheio de referências a teatrólogos como Eugene O’Neill e estilos teatrais, como o Teatro do Absurdo, é rico e um prato cheio para aqueles que vivem e estudam essa relação com a arte.

O que pode pesar, no entanto, é essa melancolia que dá o tom ao filme. Embora seja classificado como uma comédia, risos são as últimas coisas que o espectador sentirá enquanto assiste ao filme. A própria trama da produção, a iminente morte do pai dos protagonistas, não auxilia nessa tarefa em encontrar uma vertente mais otimista, mais positiva quanto ao rumo da história. Ver a discussão entre os irmãos no carro enquanto o pai desliga o aparelho auditivo, ou quando ele se frusta ao perceber que precisa de ajuda para responder questões como “em que cidade você está agora?”: cenas como essas são freqüentes e só servem para confirmar a triste realidade da situação.

E talvez seja isso o que mais me incomodou em A Família Savage. Se os próprios produtores e cineasta não conseguem tratar o assunto com mais tranqüilidade e otimismo, então de nada adianta a montagem de trailers “engraçadinhos” ou cartazes com os personagens rindo. Os atores podem até estar em boas atuações, mas interpretação nenhuma consegue esconder a tristeza em enterrar um membro da família. Nem a interpretação da Laura Linney.

Postagens Antigas »

Categorias