Prêmio Anfitrião 2015

O Anfitrião 2015 não é só mais uma edição qualquer: esse ano completa 10 anos da minha lista pessoal. A décima edição do prêmio reconheceu Divertida mente como o melhor filme do ano. A animação agora acompanha os 9 vencedores do passado: Filhos da esperança (2006), Zodíaco (2007), Persépolis (2008), Milk (2009), Soul Kitchen (2010), A pele que habito (2011), A caça (2012), Gravidade (2013) e Boyhood (2014).

A comédia da Pixar ganhou em 5 categorias: Filme, Roteiro original, Atriz coadjuvante, Filme de animação e Trilha musical. Quem chegou perto foi o drama brasileiro Que horas ela volta? que ganhou em Direção, Atriz e Cena. O filme de Anna Muylaert foi o segundo mais lembrado do ano, empatado em número de prêmios com Mad Max: estrada da fúria.

Como sou viciado em fun-facts e vivo fazendo dados desse tipo para o Oscar, fiz uma pequena lista de curiosidades do meu prêmio pessoal:

  • É a primeira vez que uma atuação-não-convencional ganha aqui no blog: Phyllis Smith ganhou Atriz Coadjuvante pela dublagem da Tristeza de Divertida mente. A única outra vez que uma atuação assim foi indicada foi em 2013 nessa mesma categoria com Arlette Sales por Até que a Sbórnia nos separe.
  • É também a primeira vez, em 10 anos de prêmio, que os 4 filmes vencedores nas categorias de atuação também vencem em outros lugares: Que horas ela volta? ganhou em Melhor Atriz (e também Direção e Cena); Para minha amada morta ganhou em Melhor Ator (além de Fotografia e Direção de arte); Divertida mente em Atriz Coadjuvante (e também Filme, Roteiro Original, Animação e Trilha) e O último cine drive-in em Ator Coadjuvante (e Filme de estréia).
  • Com 5 vitórias, Divertida mente empata em número com Filhos da esperança, Milk, Gravidade e Sangue negro (o último é o único a não ganhar a categoria principal). O maior vencedor, no entanto, ainda é A pele que habito, com 6.
  • É extinta a categoria Melhor Disco.
  • Estreiam três categorias de Curta-metragem: Curta de animação, Curta documentário e Curta ficção.

Aqui a lista de todos os filmes (longas e curtas) que conferi em 2015 e portanto elegíveis para o Anfitrião. Lembrando que a lista é composta de produções que 1) estrearam em circuito comercial, 2) foram exibidas em mostras e festivais, ou 3) foram lançadas diretamente em DVD. Abaixo segue a relação completa

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1º Divertida mente, de Pete Docter e Ronnie Del Carmen
Que horas ela volta?, de Anna Muylaert
3º Para minha amada morta¹, de Aly Muritiba
4º O conto da princesa Kaguya, de Isao Takahata
5º Olmo e a gaivota, de Petra Costa e Lea Glob

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Cena do dia: perseguição de carro em “Mad Max”

Esse final de semana tivemos a estreia mundial de Mad Max – A estrada da fúria, uma das maiores e mais esperadas produções do verão americano estrelando Tom Hardy e Charlize Theron. Como já era de se esperar, o filme causou grande repercussão, mas por outros motivos além da repaginada da franquia, desacordada há exatamente três décadas. Textos alertando sobre o “excesso (sic) de mulheres no elenco e em posições de destaque” pipocaram pela internet afora, como por exemplo o blog Return of Kings, para “homens héteros e masculinos” que argumentam que “o papel da mulher deve se resumir a fertilidade e beleza e do homem o de habilidade, intelecto e caráter”, entre outras bobagens que nem vamos dar ao trabalho de traduzir.

Eles escreveram essa bomba aqui basicamente dizendo que, embora não tenham visto, o filme é um ultraje por relegar o papel de homem a uma posição secundária e que “os espectadores homens se sentirão insultados e trapaceados ao ver um pedaço da cultura americana sendo arruinada e reescrita diante de seus próprios olhos”. Bom, argumentar que a cultura americana não é preocupação do diretor australiano George Miller, responsável por dirigir e roteirizar todos os três primeiros filmes e também a nova versão, seria uma perda de tempo, certo? (Mas para quem gosta, o A.V. Club escreveu um post resposta para essas críticas que funciona como a versão internética de um tapa na cara).

Então, para o post de hoje, resolvemos voltar algumas décadas e verificar como é esse herói Mad Max. Esse post é para aqueles que pouco se lembram… ou desconhecem totalmente, caso você estava confundindo Mad Max com Blade Runner até alguns dias atrás.

(Nem preciso falar que daqui em diante é só spoiler, né?)

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Oscar 2015: Analisando a categoria – Atriz Principal e Coadjuvante

Esse domingo acontece o Oscar 2015 e, a exemplo de como fizemos ano passado, vamos discutir aqui as quatro categorias de atuação. Afinal, sejamos sinceros, são as que a gente mais se importa, certo? Hoje começamos com as minhas favoritas: Atriz e Atriz Coadjuvante.

Primeiro, Melhor Atriz. Como será que foram indicadas? No que a Academia estava pensando quando votou em cada uma delas e o que elas devem agradecer por terem sido escolhidas? Vamos descobrir.

Melhor Atriz

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Melhor Atriz: três tópicos para discussão

Em poucas horas, saberemos os indicados desse ano ao Oscar e durante semanas cinéfilos por toda parte vão lamentar quem foi esnobado, quais atores foram esquecidos, quais filmes merecem ganhar e todas as outras discussões típicas entre aqueles que acompanham a premiação durante anos e anos.

Esse ano, em vez de fazer uma lista previsível e reproduzir os mesmos nomes que você pode encontrar em qualquer lugar na internet, vou fazer uma análise mais aprofundada da categoria que mais me interessa: a de Melhor Atriz. Isso mesmo, nada de Beneditc Cumberbatch ou Michael Keaton por aqui. Já discutimos o papel da mulher no cinema aqui no blog várias vezes e hoje não é diferente.

Vou comentar sobre as prováveis indicadas e também levantar importantes tópicos que acho que merecem ser discutidos.

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